Hoje fiz uma extravagância cultural-gastronômica. Comprei um montão de dinheiro em livros de gastronomia, claro. E... Bem, dois caderninhos fofos pra aprimorar minha escrita. Não resisti... É que, vocês sabem, um bom texto depende sempre das palavras certas, do momento certo, e do caderninho fofo certo.
Mas, não quero aqui falar dos caderninhos. Está bem, ok, eu posso até vir a falar deles em algum outro momento, pra não cortar o barato de ninguém, mas não vem ao caso aqui, já que desta vez estou escrevendo mesmo com o notebook. Eu vou falar de um dos livros lindos que escolhi ou que me escolheu.
Cora Coralina, Doceira e Poeta. O título, a capa, o cheiro me chamaram a atenção. E também chamaram algumas lembranças que eu guardava no peito, quietinhas e quentinhas, que carregam o nome e o tom da minha avó. Avó é boa cozinheira e ponto final. Qual avó não é, mesmo não sendo? O mais alto título gastronômico que alguém pode adquirir com a experiência dos anos e das panelas é o de ser avó, finalmente. Não acredita? Então, antes de mais nada, proponho um teste para comprovar minha teoria:
Faça um sanduba besta de queijo + presunto + tomate e leve ao trabalho. Quando for mais ou menos três e meia da tarde, naquele momento em que você está contando os segundos para o final do período e também se dá conta de que ele nem está tão perto assim, abra o envelope de papel reciclado e comece a comer seu sanduba feliz da vida. Ofereça, claro, como uma menina educadinha que é, e diga que você quem fez. Ótimo, ninguém aceitou. Afinal, quem não consegue fazer um sanduba besta desses? No dia seguinte, leve o mesmo petisco vespertino e ofereça dizendo assim: “Hum, que delicia! Alguém quer? Trouxe uns sanduichinhos que a vovó fez hoje cedinho... hum”. Menina! É tiro e queda! Todo mundo vai olhar, alguns vão aceitar, e você poderá até fazer novos amigos! É batata! Ou melhor, é sanduíche de Vó!
Ao devorar o livro lindo de receitas da Cora, poeta e doceira, doceira e poeta, a ordem não importa, eu pensei demais na minha avó e nas comidas da minha infância. Eu me lembrei da banana amassada com mel... Do ovo frito... Do bife à milanesa com purê e arroz... Tudo muito simples, mas muito profundo, que a vovó fazia quando íamos visitá-la. Comida e memória são amigas inseparáveis. Dessas que não se desgrudam nunca, que se amam e se entendem mesmo quando não parecem se entender...
Folheando o livro, devorando cada página, literalmente, selecionei algumas receitas e até me senti uma boa cozinheira, mesmo sem testar nenhuma delas! Mas, calma lá, eu ainda não sou avó, mas serei um dia... Aí sim, com curso de gastronomia ou não, com anos e anos de panelas queimadas e formas encardidas de bolo de chocolate, serei sim uma boa cozinheira de lembranças eternas e inseparáveis das minhas comidinhas. Um dia...
Hoje no trampo, às quatro e meia da tarde, eu queria muuuito um sanduba besta de queijo + presunto + tomate... E também uma escapada pra um café na cozinha, umas fofocas, umas fuçadas em sites e blogs inúteis (tipo o da afaguinha), e várias risadas...
ResponderExcluirSaudades!