quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meu pé de laranja lima


Hoje cedo, enquando arrumava a cama e o café, passava na TV paga um filme bem antigo chamado "Meu pé de laranja lima", homônimo do livro que deu origem a ele, escrito por José Mauro de Vasconcellos.
Eu li esse pequeno livro quando tinha uns 11 ou 12 anos. Quem conhece sabe que se ler de qualquer jeito vai achar o livro bobo, chato. Se ler com o coração, vai se emocionar. Eu imediamente lembrei da minha infância e de como eu me identifiquei com o personagem principal de cara quando li o livro pela primeira vez.. e até hoje.
Zezé, 5 aninhos de idade, família pobre e numerosa, encontra num pequeno pé de laranja um confidente, um amigo, uma companhia que sempre estava lá, no mesmo lugar, quando ele precisava. Menino sapeca, vivia fazendo arte e apanhava dos pais que, já cansados de tanta pobreza e falta de esperança, descontavam na criança sua frieza com o mundo. Adultos e humanos, como todos nós. Zezé era sensível, chorava fácil e imaginava bem fácil também. Eu lembro de uma passagem do livro em que ele amarra uma meia velha da mãe e puxa com uma cordinha, quase matando uma mulher grávida de susto que, no escuro, achou que era uma cobra perambulando por lá. Zezé era criativo. Adorava poesia. Pediu um dia pra mãe lhe comprar um terninho, 'roupa de poeta', como ele dizia. Andava atrás de um trovador que cantava sucessos de Vicente Celestino e seus próprios sucessos. Zezé adorava. Achava tudo lindo demais.
******
Quando criança eu tinha a imaginação bem fértil. Vivia sozinha. Meu irmão, mais velho, tinha seu próprio mundo e não o compartilhava comigo com muita freqüência. Minha mãe, divorciada, trabalhava o dia todo para pagar as contas de duas crianças. Meu pai, de longe, pagava algumas contas e nos buscava a cada quinze dias para passarmos um final de semana juntos. No meio disso, eu sonhava e imaginava cada coisa... Eu lembro do dia em que pedi uma câmera para minha mãe. Eu cismei com umas folhas que tirei das plantinhas do terraço do prédio onde morávamos e queria tirar foto delas bem de pertinho. Queria também tirar foto daquele papelzinho de alumínio que minha mãe jogava de lado quando abria um novo maço de cigarros. Minha mãe achou loucura comprar uma câmera pra isso! Loucura, menina! Que coisa mais estranha! Eu achava legal... Lembro também do dia em que peguei um potinho e passei dias e mais dias juntando gotinhas de um líquido branco que saía de outras plantinhas do terraço quando a gente partia elas no meio. Eu achava que ia acabar com a fome do mundo porque, afinal, lá tinha um montão de leite, ué! Minha mãe um dia achou o potinho, fedendo horrores, e me deu o maior cerão! Que loucura, menina! Coisa mais estranha!
Um dia, eu ganhei um gravador. Era um gravador da Gradiente, tinha um microfoninho do lado e a gente podia gravar qualquer coisa em fita cassete. Meu Deus. Aquilo era ouro pra mim. Um tesouro. Eu passava horas gravando tudo quanto era tipo de coisa. Por exemplo: Gravava a empregada da vizinha cantando enquanto limpava os vidros da varanda bem ao lado... Gravava a criançada brincando no Playground, gravava até bronca da minha mãe. Sei lá. Sabe que eu achava que aquelas palavras gravadas eram como tirar uma foto da pessoa? Eu gravava a minha voz e tentava descobrir por que eu achava a gravação tão diferente da minha voz mesmo. Aí eu descobri que o que vem de dentro pra fora é bem diferente do que vem de fora pra dentro. Sentimentos incluídos. Eu pensava muito, até demais pra minha idade. Mas, era bom. Eu aprendi muito com o mundo nessa idade. Na mesma idade do Zezé e até mais. Na verdade, eu ainda acredito numa verdade imutável: há que se manter uma parte da criança que fomos dentro do adulto que nos tornamos. O mundo fica mais suportável assim. Dá até vontade de abraçar o Zezé e pedir pra ele deixar a gente conversar um pouquinho com a árvore dele, né? Será que ele deixa?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Casa de Amparo


Há mais ou menos duas semanas, decidi botar em prática de vez um projeto antigo de ajudar um Orfanato. Mas, tinha que ser orfanato, não creche nem nada. Tinha que ser criança sem família, ou, como no caso, crianças afastadas da família por medida judicial ou pelo que quer que fosse. Crianças realmente numa situação em que eu já estive um dia, pois, como alguns sabem, fui adotada pequenininha e tive uma família sólida e presente graças a esse ato de amor. Assim, eu queria devolver essa graça recebida, dar de volta ao mundo, fazer a energia circular. E deste modo foi.
Eu enrolei durante anos. Por anos procurava um lugar, e, quando achava, tinha medo de ir. Medo de sentir pena, de chorar, medo de não ser aceita, medo de não conseguir ajudar como gostaria. Um dia desses resolvi parar de enrolar e ir em frente. Encontrei uma casa e fui primeiro lá pra ver de perto as necessidades reais do lugar e descobri uma casa cheia de amor e repleta de carências também. Dezessete pequenos de 0 a 8 anos morando ali, com comida, escola, assistência médica, psicológica... Dezessete pequenos sem lar provisoriamente ou permanentemente, em busca de uma nova família. Depois de conversar durante horas com a psicóloga de lá, tive a certeza de que estava no lugar certo. Voltei lá duas semanas depois e assim foi.
A psicóloga me disse que finais de semana sempre vai gente lá, voluntários de época não faltam, principalmente para trabalhos de faculdade. Agora, durante a semana... Como meu trabalho tem me permitido, fiquei de ir toda quarta-feira e ficar lá das 8:00 às 12:00. A idéia inicial, apoiada pela psicóloga, era de dar aulas de inglês para os maiores, três, alias: uma menina de 6 e dois meninos de 8 anos.
No dia anterior eu estava aflita. Não sabia o que esperar. Estava empolgada com as aulas, montei tudo direitinho, fiz pesquisas, comprei livros novos... Meu medo era de encontrar crianças fechadas pro mundo, de certa forma agressivas, acuadas.
Quando cheguei, eles ainda não estava acordados e ajudei com os menores. Troquei fraldas, coloquei roupinha nova, e olha que me saí hiper bem (modéstia a parte)! Mas, a verdade é que fui bem ingênua e a realidade me deu um banho de água congelada.
Os três são lindos, crianças maravilhosas, mas que precisam mais de um acompanhamento escolar atual do que aulas de inglês. São nitidamente subnutridas, subdesenvolvidas e com o lado cognitivo bem pouco trabalhado. Inquietas, falavam as três comigo ao mesmo tempo. Tia, Tia, Tia. Eu tinha que pedir calma em alguns momentos e até dar uma chamada de atenção naqueles mais atrevidos ou pouco disciplinados. Porém, vi no olhar deles a carência de atenção. E vi o ponto em que tenho que focar: seu gosto pela leitura, escrita, pela escola e pela casa onde moram... Mais tarde a dona da casa me elogiou e agradeceu e pediu atenção mais acentuada para os maiores. Os menores sempre têm mais atenção, são mais fofinhos, os voluntários, em sua maioria, vão sempre pro lado deles e os maiores ficam de lado. Essa quarta-feira foi a primeira, outras virão e escreverei relatos mais informativos. O primeiro é apenas para mostrar minha dificuldade em contar tudo que vi, colocar tudo em palavras. Impossível. Logo vem mais.
p.s. Não sei se posso divulgar o nome da casa, verei isso. Mas, se alguém quiser ajudar, é só mandar um email que passo as infos, tá? Beijussss!
Imagem by Anne Guedes.

domingo, 16 de maio de 2010

Atrasado, mas vai....

Eu falei que ia escrever um monte esse final de semana...rs. Muita coisa acumulada! Afff. E ainda tem mais!!
Pra quem não sabe, nós resolvemos fazer um churrasco aqui no prédio no último domingo, dia das mães. É, foi bem o dia em que o tempo virou, mas foi legal. O detalhe hilário foi a mãe do Beto, Dona Irene, que entrou logo no elevador quando estávamos descendo com as coisas e a porta fechou antes de entrarmos. Eu só ouvia ela gritando do elevador e descendo sozinha pra sei lá onde. Toca 'nóis' atrás da sogra...ahahahaha. Tadinha! Felizmente ela foi parar no térreo e minha mãe estava bem próxima do elevador. Resgatou minha sogrinha. Hahahahaha.
Foi só pra família mesmo. Tudo bem simples. Foi legal. Minha mãe ficou feliz, a sogra também (apesar do susto!) e todos comemos até dizer chega e mais um pouco! Eu transcrevo abaixo um texto que eu li pra turma pra celebrar o dia.
****************
De uma coisa ninguém discorda: Todo mundo, cada pessoa que respira ou respirava o ar dessa Terra, tem ou já teve uma mãe. A gente precisa de um homem e de uma mulher para nascer, isso é fato. Daí a ser criado, é outra história. O negócio é que para FAZER uma pessoa, precisamos juntar outras duas, certo? Ninguém discorda também que pai e mãe são um só e que nada nem ninguém os substituem. Mas, não é de substituição que eu vou falar hoje, e sim de união.
A mãe que a gente tem (ou teve) planta sementes diversas na gente, de modo que todos aqui, por exemplo, podem receber os parabéns no dia de hoje. Querem ver? Eu mostro:
Temos aqui alguns pais que são meio mães, mães que são mães de seus filhos e de filhos de outras mães também, amigos e amigas que são meio mães da gente, casais que cuidam um do outro como aprenderam com suas mães e que planejam criar seus próprios filhos um dia, casais que já criam os seus pequenos, pequenos que nos ensinam a ser um pouquinho mãe de todas as outras crianças (e deles também), tias que são mães dos sobrinhos e sobrinhas, primos que são irmãos e, por isso, pedem colo para a mesma mãe quando precisam... Por isso eu acredito que mãe não é um conceito só, e sim, a união de vários.
O dicionário diz que mãe é “a mulher que tem filhos”, mas eu acho o dicionário meio burro, simplório demais. Mãe é quem cuida e quem cuida sabe o amor real que existe em seu coração quando alguém - bichinhos, cachorros e gatinhos incluídos - precisa de um help, socorro, ombro, uma ajudinha básica.
Ser mãe é ser aquela luz no fim e no começo do túnel, que ajuda a gente a começar e terminar uma jornada. Mãe é aquele colo na hora que bate o soninho quando temos 1, 2 ou 30 anos de idade. Mãe é a árvore que dá sombra e frutos. O sol que dá vida e queima, sim, quando a gente se descuida. Mãe é aquela que deixa a gente se molhar na chuva para conhecer a vida, mas anda bem atrás segurando um guarda-chuva, no caso de precisarmos de uma ajudinha. E quando a gente pede, vem a bronca, sim, mas nunca falta o guarda-chuva. Esse nunca falta. A vida é mãe da gente. Deus é mãe da gente. A gente é mãe de muitos, mesmo se dar conta disso.

Feliz dia das Mãe a TODOS!
******************************

Ciclo da Vida

Ontem morreu um primo da minha mãe.
Tio, por assim dizer, distante meu; quase nenhum contato. Porém, ela me pediu compania para irmos ao velório e eu fui com ela, sem problemas.
É um troço chato esse lance de morte, velório e afins. Mesmo sem relação com o falecido, a gente se sensibiliza com tantas pessoas chorando ao nosso redor. De repente, a gente vê alguém conhecido, uma tia mais presente chorando e aí a gente sente na alma uma pena por aqueles todos ali chorando. Tive dó. Senti angústia. Fiquei o tempo todo ao lado da minha mãe e lembrei muito do meu pai. Engraçado como, depois que perdemos alguém próximo, tudo que se relaciona à morte de alguma forma te lembra aquela pessoa novamente. Engraçado e chato. Melancólico demais.
No caso desse falecido de ontem, ele havia escolhido de antemão ser cremado no crematório da Vila Alpina. E lá fomos nós. Não sei se alguém de vocês já viu uma cerimônia ali ou qualquer outra de cremação. Eu já vi algumas, infelizmente, e posso afirmar que se trata de uma cerimônia forte, triste e estranhamente linda. Tem algo de apoteótico no negócio, uma coisa meio entretenimento, morte com uma despedida bem diferente. É estranho falar isso, mas é assim que sinto.
Loris, o nome do primo, escolheu assim e assim foi. Muitos choravam, muitos diziam que havido sido melhor assim, ele estava doente, tinha descansado e blá blá blá. As famosas frases 'feitas' quando alguém querido morre a gente nem tem mais o que dizer pra quem sofre. É o irônico ciclo da vida.
Mas, o que me fez escrever esse post não foi o tio quase desconhecido, a tia conhecida chorando (e que me fez chorar também) ou a cerimônia em si. Mas, sim, a escolha das músicas para a despedida. Nesse tipo de cerimônia, pode-se escolher 3 músicas para o momento final, uma espécie de trilha das músicas que mais lembram quem se foi ou uma escolha dentre as que ele mais gostava em vida. A filha única de Loris escolheu e eu fiquei boquiaberta nas primeiras notas. Lá dentro, frente ao cara (sem desrepeito aqui, muito pelo contrário) que havia partido pra um plano bem melhor do que esse, eu ouvi a primeira música e chorei rindo. "Ave Maria" com arranjo de chorinho e samba, com palmas e risos ao final. A segunda música foi uma do Roberto Carlos, e a terceira, o Hino do Corinthians, já que ele era torcedor roxo. O fato é como não respeitar um cara que se vai ao som de samba e risos e palmas e todo bom-humor que retratava o que ele era, como disseram os mais próximos? Como não respeitar esse cara? Assim que o caixão desceu rumo à cremação, eu disse baixinho "Eu respeito você" e assim foi.
Do lado de fora, a sobrinha dele chorava, minha prima, grávida de 8 meses. Lindo o ciclo da vida. Simplesmente, devastador e lindo...

sábado, 15 de maio de 2010

Esmaltes

Eu amo esmaltes!
Essa paixão começou tarde. Eu sempre fui roedora compulsiva de unhas na escola e na faculdade. Ansiosa que sou, sempre descontava nas unhas uma prova final, um novo curso, um novo amor, um encontro inesperado... Filme de suspense, então, nossa... Unhas pra todos os lados! Mas, há momentos em que eu me dedico a elas com grande atenção. Ultimamente, inclusive, muitos esmaltes novos estão surgindo e eu estou cada vez mais viciada neles! Apaixonada mesmo! Azul! Laranja! Amarelo! Verde neon! Roxo fosforescente! Tudo lindo lindo demais. E eu comecei a aprimorar minhas técnicas de fazer minhas próprias unhas (quase) e testar quase uma cor por dia...rs. Agora, quem ama mesmo a festa dos esmaltes é meu priminho, o Matheus. Nem sei se já falei dele aqui, mas algumas amigas conhecem a história dele. Ele nasceu com um problema sério chamado Gastrosquise, ou seja, com o intestino pra fora do corpinho dele. Além disso, ele tem uma síndrome rara, chamada beckwith-wiedemann. "A síndrome de Beckwith-Wiedemann é um conjunto consistente de sintomas de etiologia (causa) desconhecida, caracterizados por língua grande (macroglossia), órgãos grandes (visceromegalia), corpo grande (macrossomia), hérnia umbilical ou onfalocele (hérnia do umbigo) e baixa taxa de açúcar no sangue no recém-nascido (hipoglicemia neonatal)." (Fonte: http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/001186.htm). Apesar de tudo isso, ele é simplesmente LINDO. Hoje é saudável, venceu como um guerreiro e a família de juntou pra dar a ele tudo que ele precisa pra continuar assim. Ele é tão serelepe que adoooooora bagunça, como qualquer criança de 1 aninho e pouco, e a festa dos esmaltes é a preferida dele. Eu dou a minha caixinha de esmaltes pra ele e ele se acaba! Mexe em tudo, tira tudo, joga pro lado, põe na boca, se mata de rir, guarda tudo de volta, enfia as mãozinhas na caixa e balança, fazendo o maior barulhão. Dêem uma olhada na cara de safado:


Enfim, eu esmago demais, como vcs podem imaginar...


p.s. Tem muita coisa pra escrever ainda.... Espero postar mais ainda hoje! Falta o dia das mães, a visita da minha priminha de 13 anos que passou o finde conosco aqui, com muito filme e pipoca, afe.... Mta coisa mesmo... Acumulouuuuuuuuu.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dona Maria


Todos os dias que passaram desde meu último post eu pensei em algo novo para publicar. Juro. E em cada um desses dias eu tive uma idéia diferente e não me decidi por nenhuma. Então, hoje, com um pouco "menos de falta de tempo", resolvi simplesmente sentar e escrever e pronto...
E foi assim que começou meu dia:
Eu, sozinha no meu carro, rumo ao mercado para comprar algumas coisinhas que faltavam para o churrasco da mama no domingo (esse será o assunto do post de segunda, é fato). Na volta, em uma conversão necessária para chegar até minha rua, uma tiazinha parada bem no meio, carro morto, nem respirava mais. O pessoal buzinava, xingava, e eu consegui de mansinho contornar a tiazinha e ir embora. Eu ia buzinar antes de ver quem estava na direção, ia mesmo, mas não. O fato é que eu fiquei com dó dela. Muito mesmo. Tive vontade de parar, sair do carro e dar um baita abraço na tia que estava bloqueando a passagem de todo mundo. Pensei no post que escrevi sobre envelhecer e pensei também em como será doloroso deixar de fazer certas coisas que fazemos hoje no automático. Eu ouvi ao longe alguém gritar "Fica em casa, Dona Maria!" e eu pensei ainda como deve ser duro pra ela ficar em casa... Alguém que provavelmente sempre fez de tudo, tudo mesmo. Provavelmente ela havia ido ao mercado comprar os ingredientes do almoço de domingo para os filhos, verá os netos e pensará que tudo valeu à pena, mas que o tempo não precisava ter passado assim tão rápido! A 'tia' bloqueando a conversão queria mais tempo...
O fato é que essas datas comemorativas são meio sem sentido para mim. Dia das Mães, Dia dos Pais, tudo comercial. Propagandas e mais propagandas e shoppings. O Gianecchini dizendo que 'naquele' shopping tem tudo que sua mãe sempre quis. Enquando a 'Dona Maria' só queria mais tempo, mais compreensão, mais calma do mundo à volta dela. Tudo anda complicado e rápido demais e ela não acompanha mais. Aliás, nem a gente acompanha mais.