sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

OS NÚMEROS

Filho, dia 24 você completou 6 meses.
Era véspera de Natal e a mamãe se perdeu, se atrapalhou.
Dia 22 você iniciou nas papinhas salgadas e a mamãe se atrapalhou um pouco, mas está pegando o jeito.
2011 foi um ano querido, especial, filho.
Se hoje, aos 6 meses, você vira de um lado e de outro, balbucia um monte de palavra sua, grita e gargalha lindamente, é porque passamos por bons bocados antes disso, né?
2011 somam 4.
2+1+1
É um número legal, filho. A mamãe se amarra em números. Não que eu entenda disso, mas eu só gosto.
Nós três vivemos uma revolução por dentro e por fora.
2011 foi o ano em que você me fez mãe. O ano em que eu errei absurdamente e acertei também.
Foi o ano em que eu mais chorei na vida.
O ano em que eu mais ri na vida.
O ano em que eu mais gastei dinheiro.
O ano em que eu mais fiz contas para ver se o dinheiro daria.
O ano em que eu mais amei seu pai repetidamente, mais e mais.
O ano em que eu mais amei.
O ano em que eu conheci um homem que eu não conhecia antes ao meu lado.
O ano em que ele me conheceu mãe, mais forte e decidida.
O ano em que brigamos, nos desencontramos e nos resgatamos.
O ano em que eu aprendi mais lições na minha curta vida de 28 anos.
O ano em que eu amadureci 10 anos.
O ano em que eu envelheci uns 15, só de olheiras e dores nas costas.
O ano em que eu rejuveneci uns 20, só de gargalhadas que demos juntos.
2011 será para sempre um ano inesquecível.
Agora vem 2012, filho, e a gente continua se encontrando a cada segundo nesse percurso.
Logo você fará 7, 8, 9 meses e eu me sinto privilegiada em ter conhecido um carinha tão legal quanto você.
Eu me sinto privilegiada em poder acompanhar todos os 'primeiros' momentos a cada novo mês.
Em 6 meses você me deu tantas alegrias, que eu não poderia deixar de lhe agradecer por ter me escolhido como sua mãe (como eu acredito que deve acontecer nesse mundo). Eu não poderia deixar de agradecer a Deus, ao Deus que eu acredito, por ter mais um dia ao seu lado. Por cada nascer do sol que assistimos juntos... por cada golfada na minha blusa e por cada cocô. Sim, não ria, é verdade! Eu agradeço por cada obstáculo e por cada lição.
Em 2011 eu aprendi que eu posso, sou capaz.
Em 2012 seguiremos aprendendo juntos.
***
Desejo a todos muita saúde e vontade de seguir. Junto. Sempre junto.
Vontade, fé e saúde.
O resto é resto.
***
porque aqui a gente cospe na cara do mal-humor, chegado!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Que a força esteja com vocês!

Olá, pessoas que perdem tempo lendo as besteiras que eu posto aqui... Eu penso em vocês quase todos os dias, sabiam? Fazem parte da minha vida, dos momentos de calmaria em que eu consigo parar um pouco a rotina louca e pensar em mim... 
No dia de hoje, eu quero desejar a todas/todos que passam por aqui um excelente Natal. Que vocês encontrem forças para acreditar no ano que vem chegando. Que vocês encontrem forças para deixar de lado qualquer probleminha chato desse ano que está terminando. Que vocês encontrem forças para enfrentar o leão de cada dia, hoje e sempre. Às vezes, a gente nem chega a matar o coitado... mas, damos um belo susto no sujeito, não?
Que vocês encontrem forças simplesmente.
Que vocês nunca se esqueçam de que os filhos tem a lição mais importante a nos ensinar - a magia de continuarmos sendo criança por dentro, mesmo que um pouquinho. Precisamos continuar. Precisamos. Precisamos nos lembrar de rir das situações ruins, rir de nós mesmos, rir do espelho, rir do mundo. Mas, não falo de um riso prejudicial, maldoso... falo de um riso puro, um humor verdadeiramente infantil. Precisamos comer chocolate num dia comum e nem sentir culpa por isso. Precisamos amar nosso corpo, nossa vida e nossa família. Nossos amigos e os amigos dos nossos amigos. Precisamos amar.
Que vocês encontrem forças para amar simplesmente, apesar de.
Apesar daquela cara amarrada, daquela grosseria gratuita, daquele rancor inexplicavelmente doloroso. Apesar dos tombos, levante.
Apesar das lágrimas, sorria!
Que nesse novo ano, vocês tomem ao menos uma chuvarada na cabeça. No meio da rua.
Que vocês tomem, ao menos, uma taçona de sorvete de chocolate com cobertura.
Que vocês brinquem no chão com os filhos, na lama, na areia suja do parquinho.
Que vocês se joguem na piscina. Assim. Fazendo aquela bomba e molhando todo mundo em volta.
Que vocês sejam vocês... e se sintam confortáveis sendo vocês.
Eu, para mim, desejo apenas ser feliz. AGORA. Nunca mais planejo sem cumprir. Nunca mais deixo para amanha.
Prestem atenção. O amanha é uma ilusão.
Boa sorte. Boas Festas. Bom Natal. Boa Vida!
****

****
O amor renasce todos os dias... olha em volta... e vê.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Metas para 2012

Eu programei o post de Feliz Natal e não programei esse pro dia 31 porque ordenar não é comigo, entendam. Eu penso num troço e tenho que fazer na hora, tal o grau da minha ansiedade patogênica.
Pois é.
Resoluções.
Eu sou a rainha de resolver e não fazer. Planejar e não agir. Prometer a mim mesma e não cumprir. Mudar de idéia. Área profissional imaginária. Cursos. Largar na metade, começar outro e não terminar. Sou a rainha de começar e não terminar. Um dia eu conto minha trajetória e vocês vão é rir da minha cara. Aposto.
Só que eu hoje sou mãe e me sinto mais madura, mais inteligente e responsável e mais capaz de cumprir minhas resoluções... Obrigada, agora pode rir de novo.
E vamos a elas:
1 - Organizar as contas de casa, ou seja, organização financeira.
2 - Organizar as coisas de casa, ou seja, organização espacial - armários do quarto são os primeiros.
3 - Aprender a fazer sushi/sashimi e etcéteras japas.
4 - Emagrecer 10kg - pra começar, dez quilos num ano é possível, vai.
5 - Fazer algum tipo de exercício físico - algum tipo... pode ser aquele mesmo que vocês pensaram, ou outro mais regularmente.
6 - Organizar a primeira festa do meu pitchucolino lindão
7 - Organizar meus planos profissionais - e colocar em prática ao menos a parte introdutória (falarei mais quando chegar decidir tudo com mais calma)
8 - Cuidar mais da minha pele - lavar, adstringir, hidratar - pelo menos - todos os dias.
9 - Fazer um baita check-up medico com tudo e mais um pouco.
10 - Agora vocês vão rir... Mas, minha meta de vida é conseguir ter um pensamento positivo todo dia, assim que acordo. Então, a última meta tem a ver com otimismo. Quero ser mais otimista esse ano.
***
E vocês? Já organizaram suas resoluções para 2012? Fazem isso todo ano e nunca seguem, como eu? Não fazem e acham a maior babaquice do mundo?
Falaê!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Antes era e hoje É

Um dia fui outra
Outra que caminhava diferente, pé-após-pé-após-pé sem demora
Era outra que dançava diferente, braços ao vento sem ordem, sem culpa, sem companhia alguma
Era outra dentro de mim e outra fora para o mundo que nem me conhecia
e eu nem fazia questão que conhecesse
Um dia fui outra
Uma outra de quem já nem me lembro mais

Acho engraçado que algumas palavras de ontem soam ridículas hoje.
Hoje elas andam por aí sem dono, porque eu já nem as quero mais.

Um dia fui aquela que não vivia as manhãs
Que não cantava e se remexia para entreter teus olhos
Um dia fui aquela que não mexia um músculo para te fazer sorrir
Um dia fui aquela que não te esperava e nem conhecia o mundo com você pisando nele.
E eu fui e passou e hoje desejo ser cada dia mais esta.
Esta que caminha, dança, canta e espera, conhece e sonha junto contigo, filho.

Acho engraçado que alguns dias ainda sinto falto daquela de ontem
Ontem ela andava por aí sem dono, porque ninguém vivia dela e nem para ela

Mas essa saudade não exclui a felicidade que sinto em ser esta de hoje, filho.
Apenas complementa.
Complementa cada sonho, adiciona pimenta em cada lembrança antiga
e me faz entender, um pouco mais a cada dia, o quanto eu era pouco
O quanto eu tinha pouco
Antes de ter você.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

e quando?

e quando a gente acha que não vai dar conta de se dedicar exclusivamente à maternidade pelo período pré-escolar da cria, ou seja, dois anos? e quando a gente quer produzir, precisa de grana, precisa? e quando a gente não tem tanta certeza do que fazer? e quando a gente sente que nao tem mesmo talento pra nada? e quando os medos se acumulam? e quando a gente se engustia? e quando a gente percebe o erro de não ter planejado muita coisa antes do baby? e quando a gente sente falta dessa vida de antes? e quando a gente quer mais? e quando a gente se sente culpada por querer mais? e quando um pequeno depende de nós 100%? e quando a gente reclama, mas não consegue se deligar dele nem por um segundo? e quando a nossa auto-estima está no chão? e quando a gente não se sente mais atraente, mais nada? e quando a gente não tem perspectiva? e quando a gente acha que não vai dar conta?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sobre pés

Heitor tem os pés iguais aos meus. O formato das unhas, dos dedos, o fato do segundo ser maior do que o dedão... Igualzinho. Eu notei isso agora mesmo, enquanto ele adormecia. Não é incrível? Concordem comigo.
***
Heitor tem a mesma mania que tenho com os pés. Eu vou contar algo extremamente pessoal aqui só para ilustrar essa afirmação, porque, né... Precisa. Eu esfrego os pés no lençol para pegar no sono. Esfrego de um lado, do outro, deito de bruços e esfrego os dedões um no outro, no lençol de novo, enfim. É tudo muito complexo e exige demais da minha estrutura cerebro-criativa. É uma mania INCONTROLÁVEL. Ok. Ontem, observando Heitor dormindo de ladinho, vi que ele mexia os pés igualzinho. É. Meu filho é meu e ninguém tasca. Imaginem só a importância dessa descoberta! Além de ser fofo, é a prova de que nossa característica familiar de esfregar os pés no lençol para pegar no sono não será extinta. É a prova de que nossos pés serão lembrados por gerações e gerações até o fim dos tempos. Eu fiquei felizona de notar algo tão semelhante a mim no meu pequeno... Tanto que até viajei absurdamente na maionese.
***
Sempre me coloco a pensar sobre o que vou deixar para Heitor quando me for desse mundo. Se eu me for mais tarde, que assim seja, eu quero deixar a minha paixão pela cozinha. Eu amo desde utensílios até o que se pode fazer ali. É mágico. Só que ninguém passou essa paixão para mim; é algo que veio de dentro mesmo. Não que eu seja assim, aquela coisa maGavilhosa, mas eu quero dar isso a ele. Imagina meu filho, chef famoso, dando uma entrevista-Nigella-style e falando em como se inspirou nos meus pratos, em como se lembra do cheiro de ervas nas minhas mãos quando o embalava, que sempre a casa tinha cheiro de canela, bolo recém assado, cheiro de chocolate Belga, bem poético. É, Dona Maionese, é nóis.
Sem pressão, filho. Pode ser o que você quiser, mas vai aprender a fazer uma omelete decente pelo menos (ou quem sabe um bolo de limão divino, néam?)
***
Porque eu amo limão e ponto. Será que meu filho vai curtir limão?
***
Esse lance parece bobo, mas nem é. Eu lembro que tive uma crise adolescente braba com esse lance de 'parecênça'. Eu, filha adotiva que sou, buscava na rua semelhanças comigo. Semelhanças físicas, claro. Ai que besteira, né? Não, não é. Veja esse lance do pé do meu filho - identificação. Isso é inato ao ser-humano; a gente se sente seguro num ambiente conhecido. Claro que essa busca minha acabou e eu nunca mais encanei com isso (depois de passar toda a adolescência sofrendo com essa coisa aí).
O fato é que a cada semelhança física que observo no meu pequeno, mais feliz me sinto. Sou pequena? Superficial? Não. Eu posso dizer isso porque vivo a experiência de ser de uma família que não era originalmente minha, mas na qual se construiu um amor genuíno, com problemas, brigas e amores igualzinhos aos de qualquer outra. Eu vivo a experiência da total falta de identificação física e, mesmo assim, do núcleo familiar constituído sem qualquer distinção da sua ou de qualquer outra família. Porém digo que, como muitos que compartilham a mesma história, eu admiro familiares 'parecidos' ou 'iguaizinhos'. Sempre admirei. Sabe aquele filho que é xerox do pai e todo mundo (o mundo inteiro mesmo, sem exagero) comenta isso e se admira a cada encontro e tals? Então. Eu via isso em amigos e adorava, achava o máximo. Eu virava tipo fã daquele pai cujo dna inteirinho estava no filho. Ah, era lindo de se ver. Um tio meu diz que quando uma criança parece tanto com um ou outro é porque aquele DNA da 'parecênça' é o mais forte. Pura besteira biológica, mas é bonitinho, né?
***
Então que o código genético que diz que eu curto esfregar os pés no lençol para pegar no sono é fortão, mano, e tá no Heitor todinho.
Tóóóóma.
:)))
Daqui

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nascer de novo - de-no-vo-

(Bruna Caram)

É como se o tempo que eu levei
pra saber tudo o que sei
provasse eu não saber nada.
Por todo o caminho que andei
pra cada passo que dei
voltar ao início da estrada.
E desfazendo cada defeito
desvendando um jeito
desenhando a saída.
Que é pra viagem
ser só de ida,
mas sem haver despedida.
Te ter é como nascer de novo
não reconhecer nada ao redor
desatar o nó, quebrar a casca do ovo
a dura carapaça da dor.
Por tudo aquilo que já pequei
e cada ato que errei
é como estar perdoada.
E livre do que então carreguei
cada cilada em que entrei
de cada porta fechada.
Viver trilhando o caminho certo
é olhar mais de perto
o universo em mim.
Que é pra poder seguir adiante
não me sentir mais distante.
Te ter é como nascer de novo
não reconhecer nada ao redor
desatar o nó, quebrar a casca do ovo
a dura carapaça da dor.
Tenha paciência comigo
Saiba que ainda estou
Sem ver onde piso, é repentino e sem aviso
A terra perdida à pele, a paixão ardida…
Te ter é como nascer de novo
celebra o que em mim é maior
minha nova instância: descobrir a todo instante
cada nuance do que é o amor.

domingo, 27 de novembro de 2011

Oh, Baby, você não precisa de um Salão de beleza

Eu briguei com o salão e o salão brigou comigo.
Eu sempre fui do time das que não curtiam muito, mas iam vez ou outra pra manicure, pedicure e uma escovinha. Ou manicure, pedicure e um cortezinho. Ou manicure, pedicure e uma mudança radical no visu. Bom. Quando casei (e passei a "eleger prioridades de bens consumíveis"), eu cheguei à conclusão de que eu ia, na maioria das vezes, para fazer as unhas. Então, aprendi a fazê-las sozinha. Se eu já ia pouco ao salão, passei a ir menos ainda.
Ok.
O gasto é pouco quando se vai pouco. Dã. Mas, a coisa já nem me agradava muito... Eu, viciada que me tornei em esmaltes e mais esmaltes, adorava trocar de cor a cada 3 dias e testar as novidades. Claro, valia bem mais fazer tudo em casa. 
Ótimo.
Perfeito.
Claro que às vezes eu ia no salão dar aquela garibada nas cutículas, que nunca ficam perfeitinhas em casa, e no restante. Mas, era pouco. Pouco mesmo. Coisa de uma vez a cada 3 meses.
Daí, engravidei e parei com os esmaltes um pouco. Não por nada... No começo eu até pintava, mas tive uma alergia a um deles certo dia e parei. Gravidez deixa a gente sensível, saco, rendi-me à base de unhas por 8 meses. Coisa sem graça, chata, blé, mas ok. Aceitei. Na real, eu nem tinha muita vontade de me empetecar. Os esmaltes ficaram esquecidos e o salão? Rá. Quanta pretensão... Sumiu da minha agenda imaginária.
Su-miu.
"Ah, Renata, mas nem uma depilaçãozinha?" - Chegaremos lá. Calma. Final do post.
"Ah, Renata, mas nem um cortezinho no cabelo?" - Bom, eu mega cortei meus cabelos no começo da gravidez e o corte durou eternamente. Então... Não, nem isso.
"Ah, Renata...
Calma.
Me deixa.
Vou contar que outro dia, no meu aniversário, marido me deu algumas horas de presente. Melhor presente do mundo das recém-mães, né? Amei. Marido ficou com pequeno e eu saí, feliz e saltitante, rumo ao salão. É, gente. Salão. Pensei em fazer minhas unhas, cabelo, barba e bigode. Literalmente. 
Niqueuchegueilá...
Mocinha fofa começou a se ocupar das minhas garrinhas, mocinho mala se-vira-se para mim e pergunta:
"Me fala, querida, e essa sobrancelha?"
Resposta bate-pronto-à-la-Renata-enfurecida-mas-mantendo-a-linha:
"Que tem ela?"
"Não vai sair assim, né?"
"Assim como?"
"Assim, querida, do jeito que está?"
***
Pausa
Respirei fundo
"Minha sobrancelha está INCOMODANDO VOCÊ, QUERIDO?"
Despausa
Olhar triunfante para a mocinha fofa que picotava a minha cutícula
***
Grosseria pouca é bobagem.
Num dia memorável, o dia em que consegui 2 horas para mim em quase 4 meses, neguinho me solta uma dessa. Quem ele pensa que é para enfiar o dedo na minha cara e dizer que a minha sobrancelha não estava agradando?
É bem verdade que está horrível. Tenho tanto pelo nessa desgraça que eu nem sei mais se corto, aparo ou mando 'rapá'.
É bem verdade² que eu fiquei constrangida, triste e engoli o choro até a mocinha terminar as minhas unhas e eu sair dali.
Eu tenho uma imensa sensibilidade à dor da depilação. Juro. Eu me depilo há, pelo menos, 13 anos e ainda assim não me acostumei. Alguns locais eu consigo suportar, mas outros são insuportáveis, beiram o desespero. Eu passo mal antes, fico com dor de barriga, e só uma depiladora muito paciente consegue me aguentar... A maioria acha que é frescura. Não é. Mas, acham. Eu aperfeiçoei algumas técnicas de me depilar sozinha também para não passar mais raiva... no maldito salão.
E a sobrancelha?
Podem rir, mas eu compro pomada anestésica para limpar a dita. Juro. Podem rir, riam. Mas, nunca, nunca pontem o dedo para a sobrancelha de uma mulher recém-mãe.
Aliás, para mulher nenhuma.
***
O fato é que me rebelei. Radicalizei. Decidi que não vou mais, nunca mais. Foram tantas as vezes em que me senti deslocada, que cheguei à conclusão de que detesto tudo aquilo. Respeito quem ama, quem vai pouco ou muito, mas não é pra mim, sabem?
"Ah, Renata, mas e um casamento ou festa formal?" - DIY, queridas. Arrumo meus cabelos sozinha, quer apostar?
"Ah, Renata, mas e os cabelos?"
Eu sempre amei mudar o visual cabelístico... Decidi, ainda grávida, que ficaria dessa vez um bom tempo sem cortar a juba - vou deixar crescer crescer mesmo. Cabelão. Aí, fica fácil - eu mesma aparo.
É.
Virei bicho do mato.
Podem rir. Riam. Mas, nunca, nunca pontem o dedo para a sobrancelha de uma mulher recém-mãe.
Aliás, para mulher nenhuma.
***
"A minha beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão."
Valeu, Zeca! Só você me entende...


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

5 MESES E UMA MÃE DESMIOLADA

FI-LHO!
Ontem você completou 5 meses e a mamãe não conseguiu parar para te escrever. Desculpa? Ai, essa minha cabeça...
Você está cada dia mais lindo, mais fofo e mais simpático! Ri demais para nós, eu e o papai, mas quase nunca pra quem você não conhece. Fica sério, fecha a cara e a pessoa se mata por horas implorando um sorrisinho. Nada. NA-DA. Você só olha com uma cara que diz tudo: "Quem diabos é esse fulano que está na minha frente, manhê? Tem dó..." Papai diz que você puxou a mim nisso. Eu digo que você puxou a ele. E você mostra sua personalidade bem parecida com a de nós dois. Mesmo. Sem mentira. 
Você está lindo!
Se vira todo no berço. Quando vou ver, você já está de atravessado, todo embolado lá no pé do berço. Um aventureiro! Você também se virou de bruços no chão SOZINHO um dia antes de completar 5 meses. Você, na verdade, nem curtiu muito. A mamãe, antes de te salvar, ficou tirando mil fotos e comemorando sozinha.
A mamãe é desmiolada, coração. Pode apostar.
Você também tomou banho de chuveiro várias vezes esse último mês. Algumas com papai, outras com a mamãe... Delicinha.
Você tomou seus primeiros suquinhos!!! AMOU. Se esganou, claro. Engasgou de tanto puxar com força aquele novo liquidinho doce...
Esse mês montamos a árvore de Natal... sua primeira! Emocionei e chorei...
Seus cabelos cresceram... em cima.
Seus cabelos caíram... atrás e dos lados.
Está parecendo um moicaninho.
Está parecendo o mais lindo dos anjos.
Seus olhos continuam verde-azulados, azul-esverdeados... Coisa linda.
Seus olhos continuam me olhando docemente. A gente se entende, né?
É, a gente se entende...
Se estou meio sem palavras hoje, é porque você me arrancou todas num suspiro.
Te amo. Muito.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Eu-Lírico

E a gente, de repente, se enche de vida
E a vida, de repente, se enche da gente
E a gente, num momento, se enche de tudo
Tudo que vive, respira e vê
Tudo que vê, respira e vive 'pra fora
Porque a gente, de repente, percebe que há tempos
só vive mesmo é 'pra dentro
A gente se contorce, estremece e vibra... pra dentro
A gente expira 'pra dentro e inspira para tentar pegar um pouco de mundo
E a gente, de repente, se enche da vida. E a vida...
Onde?

  

terça-feira, 22 de novembro de 2011

HEITOR E O XIXI VOADOR

Raramente conto 'causos' do Heitor aqui. Talvez porque esteja muito focada em mim ainda... Talvez porque esse canto é meu espaço do desabafo e quase sempre pinto aqui pra chorar as pitangas dessa nova vida que me aterroriza e me completa... Ou talvez porque eu seja esquecida mesmo e viva escrevendo posts imaginários que nunca são publicados...

Mas, eis que eu publico no Facebook O CAUSO DO ANO:

"Momento "errei e chorei de rir" para ilustrar a semana Mamatraca dos erros maternos: Estou eu trocando a fralda do pequeno... num lapso de memória esqueci de tampar o pintinho... ele, logicamente, faz xixi no exato momento em que estou ocupadíssima limpando o maior coco das américas... só que ele não só mija pra cima como na sua própria carinha! Quando me dou conta, vejo meu filho se afogando no xixi dele mesmo... TADIIIINHOOOOO. (Hahahahaha ainda não me recuperei... acabou de acontecer... alguém me dá um ombro?)"

Eu TINHA que publicar porque não quero esquecer esse momento único de nossas vidas... Não quero esquecer meu choro misturado com riso e a gargalhada descontrolada do marido... Não posso, né? Momento sensacional...
Heitor bebeu xixi voador (e bebe água-de-bunda durante o banho...)
Um deve complementar o outro...
Deve ter vitaminas...
Enfim...
Minuto de silêncio para a vergonha-na-cara-mortinha-da-silva...

:)))

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Novas tradições


Galera si-jogou no post sobre sexo pós-filhos, hein? (para os meus parâmetros, DEZ comentários é 'si-jogar', amigas). Legal saber que a gente não está sozinha nesses momentos... Sabem o que eu descobri?
1 - Todas se sentem assim pós-filhos, né? Mulherada unida.
2 - É preciso reencontrar o caminho, gente. É preciso sair da 'zona de conforto do estou cansada' e enfrentar. Perder momentos de sono para namorar mesmo, sem dó. Perder um momento de descanso do pequeno (e nosso!) para dar aquela ajeitada nas unhas, pelos e etc...rs. É preciso enfrentar o cansaço. Eu sei. Não é fácil... Mas, aos poucos a gente se encontra. Bem aos poucos. Todos devem ter paciência... O que sei é que é preciso esforço para tudo voltar aos eixos, não é sozinho que rola, não. Lembrem-se disso.
Vou falar mais vezes desse tópico. Quem sabe não consigo algum especialista para dar uns toques para gente?

***

Está chegando o Natal/Reveillon e a melancolia bate, não bate? A gente sente aquela vontadezinha de ficar mais quieta, pensar em tudo, fazer um balanço do ano que passou, não sente? #blé. Sempre achei tudo um saco, confesso. Mas, com criança é diferente.
Muitos me diziam que eu mudaria minha idéia das datas, especialmente as do final do ano, e eu não acreditava. Sempre fui chata. O dia em si até acabava me empolgando, mas o antes... Quanto marasmo, quanto pensamento, quantos planos... Quanto quanto! Eu ficava (fico!) era cansada de tanto pensar e não chegar a conclusão nenhuma. Também tinha a chatice de quase nunca juntar a família mesmo. Sentia falta de alguns, não sentia tanta falta assim de outros...rs.
Até que...
Nasce um menininho muito cremoso e docinho chamado Heitor.
E tudo muda.
As datas comemorativas tornam-se OPORTUNIDADES. Oportunidades de arrumar a casa, decorar, fazer uma receita especial, arrumar o pequeno bem fofo e tirar zilhões de fotos. O que antes era um saco se torna, de fato, uma comemoração.

***

Quando eu era criança, a coisa era bem festiva. Família barulhenta, vários tios e tias de quem eu nem sabia o nome. Comida. Muita comida. Doce. Muito doce escondido, embaixo da mesa, criança correndo com doce na blusa. Meu pai criando estratagemas para esconder presentes. Esconder a roupa de Papai Noel que ele vestia. Esconder o choro quando ele, já vestido, vinha nos pegar todos no colo ao mesmo tempo. Minha avó passando o dia fazendo o pernil. O-DIA. Temperando, arrumando, quanta coisa. Na casa da minha mãe era um pouco menos barulhento, mas era festivo igual. Primos pulando, gritando, arrancando a barba do Papai Noel que era, na verdade, o tio da rua de trás. Primos juntos assustando os mais novos. Primos divagando sobre a verdade do Natal e coisa e tal. Primos revelando a verdade sobre o Natal e fazendo os mais novos chorarem compulsivamente (eu - a chorona). Adultos tomando café. Adultos tomando Cidra. Minha mãe fumando a cigarrilha. Minha mãe com permanente nos cabelos tingidos de Acaju. Também tinha aquele negocinho de quebrar as nozes, sabem? Eu adorava aquilo. Ficava lá na frente da bandeja. "Quer nozes, tio?" e pá, quebrava. "Quer nozes, tia?". Pá, quebrava mais. Nossa, tanta coisa... Poderia passar horas e horas descrevendo cada lembrança que eu guardei... Algumas são tão tão preciosas que eu não conto, tá? Só pra não correr o risco delas saírem voando e irem embora de vez...

***

E então que pessoas morreram, meu pai morreu e muito desse barulho do final do ano simplesmente silenciou. Alguns cresceram, esqueceram as bagunças desse dia. Alguns se mudaram. Alguns simplesmente não quiseram mais compartilhar esses momentos da mesma maneira. E aí os encontros familiares passaram a se resumir a poucas pessoas, quase nenhuma criança e bastante silêncio. Um saco maior ainda. Sim, minha família é pequena e relativamente desunida da manada. Uma coisa assim meio blasè, chato pra caramba.
Cada um vai para um canto.
Tem primo que eu nunca mais vi.
Tem tio que eu nem sei mais se vive, juro.
E o que eu decidi?

***

Decidi criar as minhas tradições e inserir Heitor em outro contexto mais unido, mais grudado, mais família. Comprei louças novas para a Ceia, toalha nova para a mesa, uma árvore de Natal (que custou 23,90 do nosso rico dinheirinho) lindinha e enfeitei com ele bem do nosso lado. Ali. Vivenciando o renascimento do Natal no meu coração, na minha vida e na minha casa. Já separei as receitas que vou fazer no dia 24 e no dia 31. Estou empolgadíssima!
Nossa pequena grande família passa esse ano o primeiro Natal junta.
Heitor romperá o ano novo pela primeira vez. Lindinho.
E eu me sinto feliz e renovada por tê-lo junto de nós esse ano.

***

o presente já embaixo da árvore

detalhe

ahhh... fala se não ficou fofa!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

SEM Anos de Solidão

E a gente se torna mãe.
E não é no dia em que descobre a gravidez, não. E nem no dia em que o filho nasce e a gente vê ali um sonho materializado. Barulhento. Aterrorizante. Mágico. Lindo. Não. Não é assim, não. A gente se torna mãe aos poucos. É como se nos dessem peças de um quebra-cabeça sem revelar o desfecho, sem mostrar a imagem reconstruída para a gente se guiar. Aliás, sem mostrar é nada mesmo. A gente vai pegando cada peça e chora de desespero. Tenta encaixar uma na outra e nada... Às vezes, a gente encontra duas peças que parecem ser complementares... Dá uma forçadinha aqui, outra ali, e consegue encaixar. Ufa. Que alívio. Às vezes,  a gente não encontra é nada. Outras vezes, a gente acaba tendo que montar mais uma parte do quebra-cabeças no breu mesmo, sem luz, sem companhia, sem direção. Outras, ainda, a gente consegue montar uma parte bem estensa sob o sol da segurança, buscando lá de dentro uma força que a gente nem sabia que tinha antes de enfrentar noites e mais noites em claro, recheadas de fraldas sujas e aquela incerteza que temos de que estamos no caminho certo.
É que simplesmente não tem ninguém que possa dizer "Está certo assim, está errado assado". Não tem nem como julgar! Cada um é cada um e nosso filho é nosso. NOSSO. A gente tem que passar por esse caminho assim mesmo, só.
A solidão sustenta a mãe mais do que suas duas pernas. A solidão de uma mãe é a sua grande lição. Porque o filho dela é único e ela tem que aprender com ele a cuidar de si e da nova família que se forma. Um aprende com o outro. É uma turma do Jardim I de dois alunos apenas.

***

Desde que Heitor nasceu tem sido eu e meu marido 99% do tempo. Não tenho uma sogra e nem mãe presentes para nos auxiliar. Minha mãe é do tipo-pra-frentona-super-independente-vida-social-profissional-borbulhantes-sem-tempo-para-todo-o-resto. Tudo ao mesmo tempo agora. Minha sogra já não tem mais saúde, coitada. Minha renda e meu coração não comportam nem uma babá e nem um berçário. De modo que Heitor é nosso companheirinho 24/7. Pretendemos que assim continue até seus 2 aninhos, quando irá para uma escola e eu retomarei minha vida profissional (assim que eu descobrir onde ela foi parar - isso fica pra outro post). Isso foi considerado quando engravidei. Nós nos organizamos para gastar nosso pé-de-meia (e eu 100% do meu tempo) com os primeiros ano do nosso primogênito. E assim é. Isso não quer dizer que eu não dê os meus pulos para ganhar uma grana, mas sempre ao lado de Heitor. Eu ao lado dele e ele ao meu lado.
Tem sido assim desde sempre.
Eu escolhi assim de maneira consciente.
Mas, dói. Não é mole, não. Dói.
A maternidade dói mais do que eu jamais pude imaginar. Se me dissessem isso durante a gravidez, eu provavelmente ficaria puta da vida ou nem acreditaria. Riria da cara da pessoa. Como assim "dói"?? Sim. O dia-a-dia dói. A solidão. A madrugada escura. Os dias sozinha com ele enquanto meu marido precisa sair para a gente manter o mínimo de estabilidade financeira. Alguns dias são bons, outros são recheados de choros escondidos e sorrisos amarelos para que ele não perceba o meu desespero, a minha insegurança, o meu medo, a minha solidão.
A gente se sente deslocada do mundo. É como se o tempo tivesse parado para nós e seguido para todos os outros. As pessoas seguem vivendo e a gente pára. Não vive. Nos primeiros dias, lembro bem, eu sentia como se tivesse um plugue acoplado em mim. Uma extremidade em mim e outra no Heitor. Ele me sugava como quando ainda existia um cordão umbilical entre nós.
Ele vivia de mim e eu não vivia de nada.
E a gente ainda se sente culpada por ficar triste.
A gente se sente culpada por não estar feliz 100% do tempo. Mas, quem é feliz eternamente?? Ninguém, querida. Mas, a gente se cobra essa felicidade avassaladora, né?
Como se devêssemos isso ao nosso pequeno bebê.

***

A gente deve a ele respeito e humanidade. A gente deve a ele amor real, sem mentiras. Transparente. Nem sempre chorei escondido do Heitor. Ele me viu chorar algumas vezes e, em sua imaturidade de um bebê de 4 meses, ele conseguiu apenas me olhar complacentemente. Ele entendeu, assim acredito. Ele se calou e vidrou em mim como se eu fosse o brinquedo barulhento mais legal do mundo. Como posso me sentir sozinha sendo que nunca mais estarei completamente sozinha na vida? Nunca mais. NUN-CA. 
É essa presença constante, dependente ao extremo que assusta. É, ao mesmo tempo, o isolamento dos primeiros meses que nos deixa assim, meio que à deriva. 
Mas, não dizem que tudo passa? Então essa fase passará também.
E eu sigo montando meu quebra-cabeças infinito feito sob medida para mim e só para mim... Desesperada? Sim, às vezes. Mas, amando. Sigo amando muito. 
Tanto que até machuca.
Sim, machuca.
Como eu vivi sem essa loucura até hoje? Nem lembro. Nem sei mais responder. 

***


 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Dúvidas sobre o T

Daqui
Quando Heitor nasceu, eu tive pouca presença familiar em casa para me auxiliar por motivos que, agora, não vem ao caso. No 5º dia de vida dele eu já arrumava tudo, organizava a casa e cuidava dele - operada. Não é à toa que eu só cicatrizei mesmo depois de um mês (isso mesmo, um mês) e a 'não-amamentação' foi solidificada por aqui. Claro que também tive culpa e fiz as escolhas erradas, mas o assunto central de hoje não é esse (aliás, esse assunto é exaustivo para mim, então, relevem). À época, eu infelizmente não vi as coisas como hoje. Não priorizei a mim mesma e nem meu filho por tamanhas críticas externas, marido perdido tendo que cuidar de questões pesadíssimas familiares dele, minha necessidade de provar que eu podia, que eu aguentava, que eu dava conta para quem estava me massacrando. Pra quê? Eu não dava conta, na real. Mas, no final, eu dei. Demos.
A coisa andou e, quatro meses depois, eu crio meu filho praticamente sem ajuda externa também. Marido e eu nos revezamos, nos dividimos, eu me enfio no buraco da maternidade e aprendi a priorizar Heitor, a amá-lo, a dar a ele tudo que posso de melhor em termos de sentimentos, atenção, carinho e alimentação (etc, etc, etc, etc).
E então que...
Conforme o tempo passa...
A gente passa a olhar em volta novamente e começa a pensar em como devolver ao nosso cabelo a maciez de outrora, como retirar as olheiras horrendas dos nossos olhos e como manter a depilação em dia.
É, colegas, a gente pensa em tudo isso.
A gente também pensa em como lidar com o sexo, ou a falta dele desde o pós-parto. Aliás, desde a gravidez, falaê.
E a gente percebe que, mano, não sabemos mais transar! Calma, sabemos os passos básicos, mas a gente meio que se perdeu no compasso, perdemos a tranquilidade que todo o momento requer, perdemos a calma e, principalmente, estamos cansadas.
Como faz com isso?
A gente quer se divertir, quer voltar a se encontrar! A gente quer, claro, guardadas as devidas proporções, ter uma vida de casal, intimidade, se curtir, alimentar o casamento.
Esse post é inconclusivo. Hoje, busco opiniões, respostas de quem já passou por isso. Você amiga, mãe, mulher... Você fez como, minha filha?? Como é que se volta a abraçar o Grande T nessa vida pós-filhos?
Alguém?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

QUATRO MESES!

Lindinho da mamãe... Quase que não consigo lhe escrever uma mensagem hoje! Correria, né, filho? Você acompanha a mamãe na cozinha, na sala, no quarto... Vem comigo lavar a louça, arrumar o almoço, dobrar as roupas... Você está sempre ao meu lado, no seu carrinho ou cadeirinha, com um brinquedinho na mão.
E sorrindo.
Você sorri bastante. Você gargalha pouco, é verdade, mas sorri assim, com olhar bobo pra mim. Parece que a gente tá bem apaixonado, quer dizer, estamos, né? A gente se ama, né, lindo? A gente se encontrou.
Você resgatou a mamãe que estava mesmo era perdida num mar... Num mar assim grandão. Você me resgata todos os dias. E a mamãe gerou você com amor. Também te resgatou de um mar, de certa forma, assim... Bem metaforicamente falando.
Mas, eu quero mesmo é dizer que te amo. Que sinto sua falta mesmo quando você está bem do meu ladinho. Que sinto sua falta quando você dorme e a casa fica silenciosa. Que sinto sua falta quando você fica com o papai enquanto eu vou ao mercado. Que sinto sua falta quando penso que o tempo passa tão rápido e eu tenho mesmo é que criar você pro mundão, pra vida, pra sua vida... Mãe é boba, filho. Pensa essas coisas olhando para um bebê pitico e gorducho feito você. Pensa lá na frente, assim, como quem antecipa o sofrimento de não ser mais o que se é hoje.
É que mãe ama demais e, quando se ama, sente-se medo também. A mamãe ama você demais.

Você está lindo.

Hoje já usa roupinhas de 6 meses, veja bem, e outro dia me vi comprando algumas coisinhas já tamanho 9 meses para você!
Meu bebezão, meu fofo, meu pirulito recheado de chiclete, meu sorvetão com gotas de chocolate.
Se você fosse um sorvete, seria aqueles de desenho animado de mil bolas empilhadas. Todas coloridas.
Se você fosse um pássaro, seria um periquitinho lindo e meigo.
Se você fosse uma flor, seria um copo-de-leite, metaforicamente falando².
Mas, você é um menininho lindo... e eu não canso de agradecer por você ser assim do jeitinho que é.
Perfeito como só você sabe ser.
Qualé?
é festa!

domingo, 23 de outubro de 2011

A língua da gente é a língua da gente

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."
"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens...Porque eu sou do tamanho do que vejo...E não, do tamanho da minha altura..."
Fernando Pessoa
***
Fernando Pessoa é poesia e lágrima e doçura e aspereza. A gente lê e esquece que tava lendo e, quando vê, achava que estava mesmo era pensando naquelas palavras, tamanha identificação. Ao menos para mim. Existem outros escritores que me movem dessa maneira, como Saramago ou Lennon (que, sim, era escritor porque escrevia com harmonia e som, tá?) ou Drummond ou Bandeira ou Florbela Espanca ou Clarice ou Graciliano ou Guimarães Rosa ou João Cabral ou Suassuna ou tantos outros... Mas, Pessoa tem o seu valor... E Pessoa foi quem me acordou hoje cedo, junto com a reclamação do Heitor no berço...
"Eu não escrevo em português", eu repetia, esquecendo rapidamente de quem vinham essas palavras. "Eu não escrevo em português", "Eu não escrevo em português", "Eu não escrevo em português"... O google me salvou e me lembrou do Grande. Eu também me lembrei porque guardo essas palavras com carinho.
***
A criança tem uma língua própria. Assim como os bichinhos, como as plantas, como o vento. A criança é tão pura quanto o vento e igualmente primitiva também. Primitiva no sentido original do amor, do sentir sem explicação, do falar sem palavras. Eu já falei uma vez sobre os primeiros sorrisos do Heitor e da 'linguagem' desses meses bem iniciais de vida, ao meu ver. Eu não sou lingüista e nem estudiosa de qualquer área de linguagem, mas tenho fé na linguagem não verbal infantil... Nessa coisa magnífica e tão deliciosa de acompanhar... 
Heitor se desenvolve lindamente e cada vez mais mostra expressões e gestos novos - sua língua. Seu idioma é a espontaneidade misturada à pureza de sentimentos e sensações. Eu me divirto e me emociono. E reaprendo a falar sem falar.
A gente sabe, né? Só que a gente esquece.
A gente esquece que simplicidade é a base de tudo, a gente complica demais.
A gente esquece que um sorriso deve ser sempre sincero, nunca amarelado.
A gente esquece que criança é luz e que a gente também já foi luz um dia.
***

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Levo você comigo

E então que eu reclamo, faço um (um??) post depressivo e depois enfio a cara num bolo de chocolate me recomponho. Vocês devem pensar que eu sou bipolar, louca, desvairada. Que eu não canso de escrever insights chatérrimos sobre a maternidade... Vocês devem pensar que eu vivo chorando e me descabelando porque vira e mexe eu escrevo sobre as minhas mazelas, não? Ah, whatever. Na real, tudo o que vocês pensarem será um modo de me ver e esse modo pode ou não ter o seu fundinho de verdade... O importante é que vocês estão aqui, leitoras poucas e importantíssimas. Vocês continuam aqui, néam?
Porque a maternagi tem que se unir forever-and-ever-and-ever.
Porque eu quero propor um encontrão em Sampa (e, quiçá, em outras terras). 
Porque quem quiser participar põe o dedo aqui que já vai fechar pode deixar um recado com e-mail aqui, tá? Que eu enviarei os planos, idéias e tudo mais.
Porque a gente tem que ir atrás e tentar mudar o que incomoda.
***
Daí... Marido diz "Amor, sai um pouco; eu fico com ele". A gente se excita toda, vejam bem, com a possibilidade de ver pessoas, passear sem pressa, comer num restaurante bacaninha e comprar uma calça nova. A gente pula, grita, sapateia, saltita e canta Margareth Menezes. A gente canta Chico e canta Magal e canta Wando. A gente canta Fábio Jr. e depois chora de emoção. A gente dança frevo usando o filho como o guarda-chuva. A gente fica louca, né? E a gente vai? Vai. E a gente descansa a cabeça?
...
...
...
...
NÃO.
A gente não se desprende de casa nem por um segundo. A gente engole a comida. A gente nem compra aquela calça. Volta se sentindo meio fracassada, mas confiante de que tudo é uma questão de prática, repetição.
Marido, segura a onda aí que a gente aprende. Semana que vem tem mais?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Onde está a Dona Felicidade?

Eu detesto falar isso. Eu falo isso baixinho, pra mim mesma, e nunca me olhando no olho. Sempre cabisbaixa mesmo, cansada, desanimada. Faço isso escondida, com medo de ser julgada. Que horror, que horror! Uma criança linda, perfeita e ela fala isso? Que feio. Que feia eu. Mas, eu falo e sei - no meu coração, eu sei - que muitas também dizem. A gente sente tudo muito igual, nós - as mulheres. A gente se transforma bem parecido, nós - as mães. A gente diz isso. A gente diz que a felicidade não veio junto com o filho. Ainda. A gente era mais feliz, ou era mais fácil sorrir 'apesar de'. A gente busca a felicidade em sua nova forma e condição e chora, olhando pela janela durante a mamada ou enquanto acariciamos as costinhas do pequeno que deve arrotar ou entre uma e outra ida à cozinha, ao banheiro, às necessidades. A gente olha pela janela e procura janelas acesas nos prédios. A gente consegue identificar uma ou outra TV ligada e pensa que bom deve ser poder assistir um filme a qualquer hora sem dormir depois de cinco minutos ou sem ser interrompido milhões de vezes por um choro sentido de um pequeno em desenvolvimento. Esse choro que desestrutura mesmo. Derruba. Derrete a gente por dentro. Esse choro que parece ser o aviso de que a gente não está livre de tudo, a gente agora tem mil e uma coisas a pensar antes de viver. Eu detesto falar isso. Amo e amo. Mas, também odeio. Eu tenho um companheirinho lindo, mais um membro lindo da família que construímos dia a dia com muito carinho, e ainda assim me sinto sozinha. A felicidade não depende de filho, claro. Mas, poderia vir mais rápido depois deles. A gente sente tudo igual? A gente se transforma bem parecido?
***
Pensando cá com os meus botões que eu passei 6 meses, dos 8 em que estive gravida, sofrendo e me deprimindo. Existe um modo de lidar bem com o novo ou a maternidade realmente é assim... um buraco forrado de rosas? Pétalas e espinhos included.

sábado, 15 de outubro de 2011

A gente se acostuma



"Eu sei, mas não devia" de Marina Colasanti recitado por Antônio Abujamra no Provocações:

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Reza

daqui
Acho que meu pai foi grande influência religiosa para mim, se não a única. Era importante para ele. A gente estudava em escola de freiras por vontade dele. Foi batizado, crismado e etc por vontade dele. A gente ia com ele à missa sempre que estávamos juntos (e ele ia à missa do domingo cedinho, viu? ai, como eu adoraaava acordar as 7am em plenos 15 aninhos de existência). Tinha que ir. Era importante, ele prezava demais. Desde sempre lembro dele com santinhos guardados na carteira, velhos e gastos de tanto usados (ele também sempre tinha um a mais pra distribuir). Desde sempre lembro dele com um livrinho de cabeceira, rezando baixinho sempre antes de dormir. "Eu sempre rezo pela proteção sua e do seu irmão nesse mundo absurdo, horrível, perigoso!", dizia ele. Eu não entendia. Achava exagero, mas também achava legal. Ficava feliz. Lembro também das suas idas à Aparecida - SP, onde tem o santuário da padroeira. Ele fazia promessa e mais promessa. Prometia até pelos outros. Dizia: "Renata, vamos em Aparecida esse final de semana, viu? Eu pedi para que você arrumasse um emprego e você conseguiu! Agora você tem que ir comigo lá rezar sei lá quantas Ave Marias e quantos Pai Nossos para pagar a promessa que eu fiz para você". Ok, íamos. Eu ainda reclamava, no auge da minha rabujice adolescente. "Pô, pai!". Ele ria. Tinha um bom humor e paciência invejáveis. Mas, eu ia. Quem virava as costas para ele? Ninguém. Ele era consideravelmente persuasivo e simpático (apesar de bem fechadão). Tinha aquele jeito bonachão, despachado e calado.
***
Mas, o que eu quero dizer aqui é que hoje entendo meu pai. A gente teme demais pelos filhos e é bom (a meu ver, tá? sem demagogia) confiar na religião. Poder acreditar. Dele eu herdei, dentre outras coisas, esse apego pelos santinhos e as rezas no final do dia. Não tem uma vez que coloque Heitor no berço a noite sem rezar alguma coisinha por ele, por nós. Eu tive, sim, a fase de questionar a religião e abominar o catolicismo e etc e tal. Ainda critico tudo com certo conhecimento de causa, mas também me entrego ao inexplicável, ao místico (por que não?). Afinal, eu preciso confortar meu coração de vez em quando, assim como meu pai precisava.
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O mundo parece mesmo bem hostil para os nossos pequeninos e pequeninas. O mundo sempre estará aquém do filho da gente, né? Sempre deixará de fazer jus ao coraçãozinho deles. E a gente, eu acho, tentará continuamente remediar tudo de um jeito ou de outro, nem que seja com uma oração solitária no final do dia na ausência dos nossos filhos já crescidos, pedindo com todas as nossas forças que tudo dê certo para eles, que o mundo se abra como uma concha e que eles encontrem as pérolas lá no meio. Sempre. Invariavelmente sempre.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Murphy ama as mamães

O bebê é duro de dormir. A gente tenta criar horários. De cada uma hora que ele fica no berço passa quarenta minutos se espixando e andando na sua bicicletinha imaginária e apenas vinte minutinhos ressonando. A gente acende velas. Reza e se converte ao Budismo. Até que, num dia de sol, desencana um pouco e pensa "Já que fulaninho dorme pouco pela manhã, vou levá-lo ao parque hoje". Nesse dia, o bebê dorme três horas seguidas pela manhã.
***
Então, você desiste do parque e pensa: "Amanhã vou tentar levá-lo à casa da vovó a tarde, então, sem crise". Ok. Bebezinho, naquela mesma tarde, dorme três horas seguidas.
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Então vocês tem outro dia difícil. Você até tenta fingir que pensa que vai sair só pra ver se o bebezinho dorme pra te sacanear. Não, não dorme. Apenas os minutinhos picados costumeiros. Você já nem encana mais muito com isso, mas continua tentando organizar o dia do pequenino (e o seu!). Cai na merda de pensar: "Tudo bem, vamos ser confiantes, sem crise". Bebezinho dorme lindamente nesse dia! Segue horários, tudo. No horário de uma longa soneca, bebezinho faz um mega cocô que, graças à fralda colocada meio-milímetro-torta, vaza horrores... Você acorda o bebezinho com a troca de fraldas, de lençol, de trocador, claro... Murphy 'ama nóis'.
***
Então a coisa rola. Bebezinho passa o dia sério, não sorri muito. Você deduz que é o sono, aquele 'bendito' companheiro nosso. "Provavelmente, bebezinho está mal-humorado por falta de sono". Você passa o dia pedindo, implorando, cavucando um sorriso daquela carinha cor-de-rosa e nada. Chega a hora da soneca. Você coloca bebezinho morrendo (morrendo, morrendo mesmo) de sono no berço. Ele te olha, e gargalha pela primeira vez só para você. Então, você beija Murphy na boca 'mermo' e pega o pequeno do berço e aperta e morde e amassa e ele perde a hora do sono. De novo.
***
Bebezinho sem-vergonha acorda todo faceiro. Rindo para Deus e o mundo. Bebezinho está mega simpatiquinho aquele dia e você pensa, já com medo de pensar (mas, mesmo assim, pensa) "Que ótimo! Hoje aquela amiga de trocentos anos chega daseuropa e vai conhecer o pequenino todo pimpão. Amiga chega. Bebezinho chora até perder o fôlego over and over and over and over.
***
E tem a clássica, claro. Bebezinho dorme. Você, mamãe, quer dormir um-cadim? Deitou? Bebezinho acordou.
***
(continua eternamente porque a vida é uma piada mesmo)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Registro

So queria deixar aqui registrado que o sono esta me consumindo... Se eu sumir, eh pq ele venceu. Heitor pula e brinca em sua cadeirinha e logo ira pro berço, pular e brincar por la, enquanto eu acendo mil velas para ele dormir um pouco mais de manha. Eh uma crianca feliz e brincalhona, mas precisava ser as 5 ou 6 da manha? Quando ele tive 18, ja falei, ele que nao me acorde quando chegar de madrugada. Mentira. Eu adoro passar cada dia ao seu lado e laaaa na frente, certamente, eu vou continuar grudada nele e ele que vai fugir de mim. Se fugir vai tomar na cabeca. Mentira. Mamae vai encher sua cara de beijinhos, mesmo vc me afastando. Eu quero dizer mesmo eh que, ta, deixa esse sono pra la e bora apertar um pouco meu fofildo, pq a vida passs rapido demais e a gente tem mais eh que agradecer a cada hora a mais do ladinho desses anjinhos. Zzzzzzz


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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Absurdo paulista

É, acontece em todo lugar, mas aqui em SP tem acontecido aos montes.
Casais Gays agredidos nas ruas, especialmente na região da Av. Paulista. Agredidos a socos, pontapés, lâmpadas na cabeça, soco inglês na cara... É o absurdo do absurdo. O teatro dos horrores na vida real mesmo. 
Sem querer fazer demagogia e sem querer dar uma de politicamente correta e bla bla bla, eu só quero postar essa notinha para mostrar minha indignação. Só isso.
No último ataque (divulgado), um dos rapazes disse, emocionado, que aquele que era pisoteado sem dó pelos homofóbicos na Paulista era sua família. "As pessoas podem não pensar nisso, mas ele é minha família e eu achei que ele estava morto".
Triste. Demais.
Pensa. Imagina por um segundo seu marido, sua família sendo atacado simplesmente por amar você. 
Simplesmente por amar.

domingo, 2 de outubro de 2011

Vem!

Hoje acordei cheia de planos e de idéias para mim mesma e pra todos por aqui (aliás, obrigada a TODOS OS COMENTÁRIOS sempre, viu?). Minha mente inquieta não pára e decidi inaugurar uma nova coluna (oops, a primeira estruturada) aqui no blog. É a 'Vem comigo!' (nome provisório ainda, aceito sugestões). Ou seje...
A cada nova semana, euzinha tentarei experimentar, conhecer, descobrir e publicar algo novo para mim e, claro, com sorte, será novo para quem lê também.
A novidade terá inúmeras categorias. Pode ser um novo prato, um novo lugar, um novo escritor, uma pessoa nova, uma loja nova... Algo que eu não conhecia antes e possa escrever sobre para quem se interessar, claro.
É a maneira que encontrei para eu sair um pouco mais do casulo e ver mais o mundo de fora. Claro, respeitando minhas limitações de mãe de bebê pitico. A idéia inicial era uma novidade por dia, mas, vocês precisam entender que Heitor é um pequeno serzinho e precisa de mim, right? Então... O projeto ficou semanal e terá a duração de, pelo menos, 30 semanas. Desejo conhecer pelo menos 30 coisas novas em 30 semanas e, quem sabe, motivar alguém a seguir comigo?
Bora conhecer coisas novas, fazer algo novo que não tínhamos coragem ou disposição antes e descobrir novos horizontes? Também aceito sugestões de coisas/pessoas/objetos/ novo/as a serem conhecidos para eu descobrir e publicar, ok?
Vem comigo!

p.s. A coluna (ai que chique) será inaugurada em meados de Outubro/2011 e obviamente terá uma categoria relacionada à maternidade. VEM!
Daqui

sábado, 1 de outubro de 2011

Nostagia

Hoje acordei sentindo saudades. Não. Desde ontem, na verdade, que eu sinto falta da barriga enorme, Heitor dentro de mim, mexendo eternamente, me chutando loucamente, das contrações de BH... Hoje a falta se estendeu ao meu pai, das 'pizzadas' na casa dele e de como ele sempre separava as bordinhas pra mim... Dos cafés-da-manhã e de como ele sempre cortava os frios calmamente depois de ter ido comprar o pão e o jornal de chinelos e bermuda de tactel. Depois, se estendeu às amizades e sobre como tenho poucos amigos e, os que tenho, sempre estão distantes (e eu, constantemente distante deles). Depois se estendeu às lembranças da adolescência tão conturbada, porém tão rica. Momentos tão especiais com pessoas que me ensinaram demais. Sobre a vida. Sobre o amor. O primeiro amor (não correspondido, claro). A primeira grande decepção. A paixonite pelo professor de Química. As 'reuniões' embaixo de uma árvore da rua da escola. Sempre a mesma árvore, sempre os mesmos conflitos. Depois, senti falta da casa onde moramos por mais de 15 anos. Casinha de vila, gostosa, ensolarada. Sobrado dos anos 40. Saudade. Tivera eu a chance, hoje ainda moraria lá. Teria comprado a casa pra mim, ao invés de deixar minha mãe vende-la. Queria aquilo ali pro meu filho hoje. Triciclo na frente de casa, cadeira de praia, sábado com sol ou com vento. Eu de vestido ou de calça de moleton. Ele só de fralda ou todo encapotado. Marido me abraçando gostoso. Hoje estou tão nostálgica como quem senta na sola da porta com uma xícara de chá na mão. Como quem senta na sola da porta toda encolhida. Joelhos encostando no peito. Uma amiga viajou e eu mal tive tempo de lhe dar um beijo, de lhe desejar o melhor. Eu viajei sei lá pra onde e não consigo voltar. Tem dias que passo um bom tempo olhando anúncios de casinhas de vila para vender... Às vezes, num impulso, desejo me desfazer de tudo que me prende e partir com minha família para outro cantinho mais doce, menos barulhento... Depois percebo que eu busco um tempo que já passou. Um sol que brilhava diferente. Será que ainda dá pra encontrar?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"de verdade"

Post bem levinho, assim, até bobo. 
Eu ADORO cozinhar e simplesmente ADORO AINDA MAIS blogs de culinária. Eu sou aquela que curte mais 'culinária' do que 'gastronomia'. Digo que sou 'cozinheira amadora' e nunca 'chef'. Gosto da cozinha old school mesmo. Essa das avós, tias e mães. E existem blogs sensacionais, brasileiros e estrangeiros, de comida. SIM. COMIDA. Comida de conforto, comida saudável, comida pra quem quer comida, diversão e arte. Yesss.
Outro dia, 'folheando a internê' em busca de novas receitas para meu arquivo mental, encontrei um blog lindo e cheio de fotos (e receitas) deslumbrantes. Coincidentemente, o nome do blog é o nome da música que acordou comigo hoje, batendo na minha cabeça, e eu resolvi postar. Afinal, nem só de conflitos se faz um blog materno, certo?
A dona do blog tem bem aquela cara de americana, linda, loura e de cabelos emoldurados, laquezados. Mas, o melhor é a sessão de 'disastres culinários'. Porque todo mundo já solou um bolo, já queimou uma torta cinco minutos antes da visita chegar e já esqueceu aquele frango de domingo no forno... oremos...
Checa lá!


***

Não posso deixar de falar do site PANELATERAPIA, de onde já tirei e recomendei inúmeras receitas. A Tatiana ainda é super acessível e responde todos os comentários, mesmo os mais cabeludos. Passa lá!


***

Um final de semana bem docinho para todos! :)

How sweet it is to be loved by you... larara larara larara

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

dos medos

E então que hoje tenho muito mais medo de morrer do que já tinha antes, se é que é possível;
Tenho medo de perder meu filho e meu marido;
Tenho medo de não me achar mais, cadê eu?;
Tenho medo de nunca mais dormir mais do que 2 horas seguidas;
Tenho medo de nunca mais conseguir me recolocar profissionalmente;
Tenho medo, muito medo mesmo, de cometer erros irreparáveis para a cabecinha do meu filho;
Tenho medo de não ter dinheiro para bancar a faculdade, os estudos, a comida;
Tenho medo de pegar trânsito com ele no carro, o filho;
Tenho medo de estressar e descontar nele, no marido;
Tenho medo de sair de casa e não voltar, por eles, os dois.
Tenho medo de deixar ele escorregar da minha mão no banho;
Tenho medo do tempo com ele escorregar por entre os dedos (é...);
Tenho medo dele, o pitico, crescer e se meter em encrenca das brabas;
Tenho medo dele crescer rápido demais (eu sei....);
Tenho medo dele gritar que não me ama mais, num acesso de raiva juvenil (eu sei...²);
Tenho medo. Um monte deles.
Mas, tenho também amor. Aos montes. E, se antes eu sentia medos parecidos sozinha, hoje sinto com a força da união familiar, da união que tudo vence. Hoje sinto com Heitor. E, se tenho ele juntinho, eu posso tudo. Mesmo com medo.
***

***

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Existe amor demais?

São duas as colocações:
***
Desde sempre ouvi conselhos sobre como 'não acostumar filho com x ou y'. Eu explico:
- Não acostuma o pequeno com pomada pra assadura, tá? Se não ele acostuma, aí... já viu, né?
- Não acostuma o pequeno com mamadeira morninha, tá? Se não ele acostuma, aí... já viu, né?
- Não acostuma o pequeno muito no colo, tá? Se não ele acostuma, aí... já viu, né?
- Não acostuma o pequeno a dormir no carrinho, tá? Se não ele acostuma, aí... já viu, né?
- Não acostuma o pequeno só com a mãe, tá? Se não ele acostuma, aí... já viu, né? (oi??)
- Não acostuma o pequeno só no berço, tá? Se não ele acostuma, aí... já viu, né?
e o raio que o parte desse monte de 'não acostuma'. Era tanto comentário que eu tinha medo do meu pequeno acostumar mal mesmo e tudo que eu fazia eu me limitava. Sim, era comedida. Em tudo. Hoje digo:
- Então, melhor também nem acostumar o filho a comer, pq depois acostuma... Vou ter que comprar comida eternamente! E banho, então?? Onde já se viu acostumar a tomar banho (quente ainda!) todo dia? Vai acostumar, aí já viu...
Humf
Me desprendi desse monte de limitação mental e segui a diante com meus instintos.
Vale dizer que Heitor tem colo e é ninado (e mimado, diga-se de passagem) eternamente pela mamãe.  E eu prefiro assim. Fim
***
Outro dia eu estava pensando sobre o excesso de amor, se é que ele existe, e cheguei a conclusão que existe, sim, excesso de 'eu te amo'. Eu explico²:
- Fulano chega em casa e solta um 'oi, filho, o pai te ama'. Fulano vai tomar banho e diz 'filho, papai de ama'. Fulano dá esporro no filho e depois solta 'filho, papai vai na padaria e te ama, viu?'.
Claro, tirando a brincadeira o causo, vocês entenderam o que eu quis dizer. Há casos em que se diz tanto que a coisa perde o sentido. Então, nesse caso, eu me empenho em fazer Heitor se acostumar (ho ho ho) em sentir o amor mais do que ouvir unicamente... Mesmo porquê, as habilidades sensoriais dele são muito mais aguçadas do que as verbais, certo? Ao menos por enquanto. Nada melhor do que esse incentivo para nos fazer desenvolver as nossas habilidades sensoriais de mães, mais do que as verbais, tão usadas hoje em dia. A gente se esquece do primitivo que fomos um dia, não? De como 'dizer' eu te amo com os olhos. Igual criança faz.
Já disse antes que eu acho que, às vezes, ou quase sempre... a palavra não faz jus ao sentimento.
Mesmo a gente falando com entonação, coração e tudo o mais, fica faltando uma parte 'indescritível'. Eu ouso dizer até que a palavra AMOR jamais chegará aos pés do sentimento. As quatro letras são tão pequenininhas...
***




a musica é batida, mas vale a mensagem, nao vale?

domingo, 25 de setembro de 2011

TRÊS MESES E TAL - parece que foi ontem!

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É, foi ontem. Ontem você completou três meses e eu já comecei e interrompi esse texto umas mil vezes. Não por sua causa, mas por minha causa mesmo... Mamãe anda zuretinha esses dias... Não sei ao certo porquê. Você está cada vez mais lindo, com cara de menininho e menos de bebê a cada dia. Sorri muito para mim e para o papai e você adora quando ele acaricia suas bochechinhas. Aliás, 'inhas', não! Estão fofas e macias e cremosas e muito lindas! Rosinhas, assim, amassáveis ao extremo. Mamãe adora. Você agora segura minha mão quando estou te trocando ou quando recoloco sua chupeta enquanto você luta contra o sono no bercinho... Um amor. Hoje mesmo, eu estava te trocando cedinho e você me puxou o braço pela blusa. A gente se olha muito nos olhos, filho. Uma coisa de louco. Você faz bico também. Assim, você aprendeu nesse mês a ser mais 'performático' nas suas reclamações. Chora fazendo mais careta e, quando tem fome, chora meio tossindo meio espirrando meio tudo, como quem diz "olhem para mim, olhem para mim AGORAAA". A mamãe ri, filho, desculpa. Não estou, de modo algum, diminuindo o seu sofrimento de bebê pitico... Mas... é que é tudo tão lindo, tão fofo, tão mais maravilhoso do que eu jamais sonhei... Jamais imaginei um filho tão lindo e perfeito. Tão redondinho e cremoso e crocante... Tão docinho e sorridente... Você já perdeu um monte de roupinhas e essa semana a mamãe comprou um monte de roupa fresquinha para inaugurar nessa Primavera! Cada dia que faz sol, eu comemoro, pois podemos descer e aproveitar um pouco o dia. A mamãe costumava detestar o calor, lindo, juro mesmo. Você também adora enfiar a mão na boquinha e chupar e chupar e chupar. Outro dia eu experimentei e tava salgadinha a sua mão! rsrsrs Assim, bem limpinha mesmo. Aliás... Me explica como você acumula queijinho entre os dedos das mãos e dos pés? E sujeira sob as unhas! Como?? Tem dias que vou ver e você chega ao fim da tarde todo sujinho mesmo, uma coisa. E eu me pergunto onde você andou...rs. Esse mês mamãe chorou bastante também. Muito medo sempre, muita insegurança, muita pedra no sapato... Sabe aquele amiguinho, o sapo, que você adora? Mamãe engoliu vários esse mês e você só me olhava como quem não entende nada... Ou como quem entende tudo assim, simplesmente, sem complicar muito, né? Lindo. Eu te amo mais e mais a cada dia e você parece nos amar também, eu espero. Você me olha fundo nos olhos com olhar de amor mesmo, sorriso sem ser com a boca, desses que só criança sabe dar e a gente tem mesmo é que aprender com vocês... Obrigada por cada banguela, viu? Cada momento desse salvou meu dia. Cada dia a mais com você me faz agradecer por estar viva e ao seu lado. Cada dia que vemos nascer juntos, na sala, me faz ter esperança renovada em nossa familinha, em nossa morada, em nosso lar, em nosso amor, em nossos planos, em nosso presente e futuro. Obrigada por cada colo, cada toque e cada sorriso desse mês. E obrigada, Deus, se houver um aí em cima, por cada dia de vida que eu ganho ao lado do meu pequenininho. Espero ainda ter muitos.
Parabéns, filho, por cada nova conquista! Cada passo do seu desenvolvimento! Cada obstáculo transpassado! Estou orgulhosa. Parabéns...
***

sábado, 24 de setembro de 2011

Colagem

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta
um capítulo.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.

(Adriana Falcão)



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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tinha um monte de coisa para postar, mas resolvi desabafar antes

Esse post ia ter outro tom. Talvez quando tudo se resolver, eu volte para reescrever tudo isso com outra cor de tinta. Acontece que agora AGORA estou esgotada.
Eu não ia falar sobre isso no blog, havia decidido não falar demais das rotinas do Heitor, ao menos por enquanto. Não queria falar ainda do que não compreendia por completo, do meu processo de conhecer meu filho ainda, não queria reclamar e nem ser mal entendida. Mas, não deu, gente. Perdi a linha. Preciso de um apoio.
Heitor sempre foi uma criança calma, sempre. Em seus tempos de RN, claro, dormia que era uma beleza e eu ainda não sabia que esse era um estado temporário. Como vibrei no seu primeiro mês, como comemorei o fato do meu querido ser fácil-fácil para dormir... Quando ele completou um mês, ainda dormia bem uma longa soneca pela manhã e a tarde quase toda... um fofoleto.
Pois bem.
Ele continua dormindo a noite, com intervalos para a mamadeira (claro, adorando acordar sempre as 4am com cólicas, mas isso fica pra outro post)... e de manhã?? e a tarde?? Necas.
N-E-C-A-S.
A criança simplesmente está em greve de sono matutino e vespertino, minha gente. Diz aí se alguém conhece um bebê de quase três meses que (desde completar dois mesinhos) fica hooooraaasss acordado ao longo do dia. Conhece? E algum que fica DOZE horas acordado? Conhece? Me conta. Compartilha comigo porque estou achando meu filho esquisito, amigas. Ele adormece fácil, mas não mantém o sono.
Já tentamos de tudo. TUDO. T-U-D-O (você estão sentindo o drama?). Nino, não nino, embalo, não embalo, coloco acordado no berço, dormindo, chapado, não-chapado, musica relaxante, banho, massagem, carrinho, cadeirinha, bb-desconforto, sofá, porretada na cabeça... (CALMALÁ). A criança vai ficando chata e chata de sono ao longo do dia, adormece fácil, chora, esperneira, mas fica uns 10 minutos dormindo e só. Já tentei identificar o porquê disso, mas não consigo. Ele simplesmente acorda. Tudo isso, vejam bem, eu tentei durante dias e dias. Inclusive, há dias que eu o coloco no bercinho para dormir, sempre no mesmo horário, com a chupeta, com musiquinha, com o diabo a quatro e ele dorme, sim. DORME. D-O-R-M-E. Mas, acorda. Eu deixo no berço enquanto ele continua calmo, sabe? Não tiro logo, não. 
E ele chega a ficar lá sem escandalizar coisa de uma hora... uma hora e meia... ACORDADO. A-C-O-R-D-A-D-O. 
A pediatra diz que pode ser uma fase do segundo para o terceiro mês. Essa passagem é punk, segundo ela. Ela diz ainda que alguns bebês se contentam com um soninho de 5 minutos e que, se ele fica bem no berço, para eu realmente deixar mais um pouco. Chegamos à conclusão, ainda, que Heitor não sabe pegar no sono sozinho ainda e que devo tentar, se eu quiser, no quarto mês.
Bom.
Eu adoro ninar meu pequeno. ADORO. Com eu disse, ele adormece fácil no nosso colo e fica no berço horas durante a madrugada... porque não de manhã?? e a tarde?? Porque raios o menino só dorme as OITO HORAS DA NOITE??
Hoje teremos consulta com a pediatra, consulta de encaixe, porque eu sempre acho que algo físico o incomoda. Sempre penso em algo diferente a cada dia, sabe? Será meu inconsciente? Veremos...
***
Eu amo meu filho... amo. Ele não tem culpa, eu sei. Mas, desestrutura, gente. Desorganiza a alma de qualquer um ficar 12 horas direto sem espaço para escovar os dentes, ir ao banheiro ou almoçar. Estou destroçada, tipo frango de padaria mesmo. Sei que cansaço é esperado nessa fase do Heitor. Sei que quis e desejei muito ser mãe. Mas, pera lá. Existe algo errado aí, não existe?
***
No último sábado uma amiga veio em casa e ele dormiu feito um anjo! Dormiu um tantão de manhã e mais um tantão a tarde... Me explica? Quebrei a cabeça tentando descobrir o que eu fiz de diferente aquele dia e nada... não descobri.
***
Agora deixa eu ir lá que o querido está no berço acordado, resmungando e pedindo pra sair. O mequetrefe ainda é lindo, pode? É uma coisa fofa e sorri tanto pra mim que eu até esqueço o cansaço, deixando pra lembrar dele novamente cada vez que me olho no espelho... Cruz-credo... humf...
***
Manhê, olha bem pra minha cara, vai.

Eu não vou dormir, mãe. NÃO VOU.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Em busca de algo mais...


O que é Qualidade de Vida para você?
Pode-se falar de qualidade em termos de saúde física; mental; espiritual; financeira (sim, saúde financeira ou 'como andam seus bolsos')... Para mim é uma combinação de tudo isso e mais um pouco. Desenvolvamos...
Sou paulista. Nasci e fui criada em SP desde sempre. São Paulo capital mesmo, pólo financeiro e cultural. Um dos. Não o único. Paulista tem essa mania de se achar único em tudo só porque, bem, é paulista. Paulista também tem pressa, muita pressa. Tenho cá minhas dúvidas se Lewis Carrol não se inspirou em paulistas para criar o Coelho Branco apressadinho (http://pt.wikipedia.org/wiki/Coelho_Branco), porque é bem aquilo lá mesmo. Vivendo aqui a gente às vezes perde o rumo e nem percebe mais. Mas, é só irmos viajar que logo percebemos a diferença de ritmo. Sim, paulista é aquele chato que logo reclama da demora no atendimento em um restaurante do Nordeste. Também reclama de encontrar - bem no meio das férias, veja bem - algum estabelecimento fechado num horário que considera adequado, tipo, meia-noite. Aqui tudo funciona 24hrs. Tudo. É possível encontrar um bom restaurante tailandês às três da matina. Também é sempre possível sair de uma balada às quatro e encontrar um prato-feito, uma boa padaria ou pastelaria - aqui, prato-feito é o famoso 'arroz, feijão, salada e bife'. Paulista também adora shopping, é bem verdade. E adora uma fila! Reclama de falta de tempo constantemente e dificilmente vai ver os amigos, mesmo aqueles que moram pertinho. Aqui é tudo longe e para chegar em todos os lugares, pega-se trânsito. Aliás... acho que 'trânsito' e 'fila' foram duas palavras inventadas por paulistas, só pode. Paulista é solitário. Raramente olha pro lado. Caminha firme. Usa terno. Almoça trabalhando e trabalha almoçando...
Eu confesso que muitas dessas características (e outras que não couberam aqui) estão fora da minha personalidade, meu modo de ser. Mas, infelizmente muitas estão bem presentes. E tudo estaria como sempre esteve se o tempo não tivesse passado e eu não começasse a questionar minha qualidade de vida. Hoje, casada e com um pacotinho para chamar de meu, digo, de Heitor, eu me vejo num impasse: como mudar o nosso estilo de vida? Outro dia, na rádio Nova Brasil (89.7), ouvi que uma pesquisa feita com profissionais da área de Gestão revelou que a maioria deles não está disposta a mudar de estilo de vida sem que essa mudança seja associada à maior ganho financeiro. Em outras palavras, fulano não muda pro campo, por exemplo, a não ser que seja pra ganhar o mesmo ou mais do que ganha aqui. Eu 'tô no pé de mudar pra ganhar menos, bem menos, e sair desse loucura... Quanto vale o seu conforto?
Pausa
Para ir numa consulta médica, eu fico três horas fora de casa, sendo que uma hora eu passo no caminho de ida (de carro). Chego na médica, passo uma hora na consulta e fico mais uma hora no trânsito para chegar de volta em casa. Isso é vida?
Despausa
As coisas são caras por aqui, ou seja, o custo de vida é alto. Uma pesquisa feita esse ano revelou que é mais barato morar em NY do que em SP. Sim, verdade. E se você chegou até aqui deve estar pensando 'e eu com isso, minha senhora'?
Bom.
Às vezes me pego pensando em como a vida poderia ser melhor, você não? Em como a gente poderia viver em meio a mais verde e menos concreto e poluição e gritaria e 'buzinaiada'. Em como a qualidade de vida poderia ser maior. Em como dinheiro e sucesso profissional poderiam estar em segundo plano - para mim - e a qualidade de vida poderia vir antes de tudo. Penso isso hoje, com filho. Uma criança precisa de mais do que SP tem a oferecer, ao menos para mim. Sim, a cultura é acessível. Sim, a facilidade desse acesso é absurda. Mas, cansa. Odeio clichê, mas fato é que os conceitos estão levemente invertidos. Se um empresário aceita mudar o estilo de vida com base apenas na compensação financeira, há um problema aí. Sinto não me encaixar mais nesse modo de pensamento...
E então me coloco a pensar e repensar qual é mesmo essa 'qualidade' que desejo para meu filho. O que é 'proporcionar o que os pequenos precisam' hoje em dia? É proporcionar a melhor escola - que em SP custa aproximadamente mil reais por mês - ou contato com a natureza antes de mais nada? Ou ambos? 'Ambos' é possível?
Quando me formei em Letras (em 2005), eu queria ser professora. A vida me levou para perto da tradução e a mesma vida me afastou dela com a mesma intensidade. Hoje, não sou nada. Ou melhor, sou dona de casa e não tenho - ainda - qualquer conflito com isso. Graças a minha poupança, poderei assim permanecer até a idade escolar do Heitor - o que, aqui em casa, seria por volta dos dois anos de idade. Marido hoje estuda para um concurso e eu devo caminhar da mesma estrada assim que Heitor esticar um pouco mais suas breves horinhas de sono... Sair de SP não é fácil. Aliás, a gente nunca sai de onde veio, né? Nunca sai da origem; ao contrário, carrega ela junto consigo onde for...
E 'pra não dizer que não falei das flores e parecer que eu só vejo defeitos na minha cidade, digo que quero, sim, sair daqui e levar comigo a arquitetura incrível, as livrarias gigantescas e os shows de música de qualidade quase todo final de semana. Quero levar comigo os estilos livres de moda e comportamento dos que andam pela rua sem nem chamarem a atenção, normal. Quero levar o MASP comigo. Quero levar a FNAC de Pinheiros que, em seus tempos de Shopping Ática, embalaram minhas tardes adolescentes. Quero levar a Praça do Pôr do Sol da Vila Madalena e todos os barzinhos dali, claro. Quero, sim, levar comigo minha infância de apartamento e casa da Vó, cinema e teatro e restaurantes deliciosos. Mas, quero ir um dia. Quero ir onde um novo concurso nos levar, mas, principalmente, para mais perto do verde. Respondendo minha própria pergunta, a qualidade para mim tem essa cor - verde. Mas, não é verde de dinheiro, não. É verde de grama mesmo. Grama bem mal aparada e árvores sem poda. Simples assim.