quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Onde está a Dona Felicidade?

Eu detesto falar isso. Eu falo isso baixinho, pra mim mesma, e nunca me olhando no olho. Sempre cabisbaixa mesmo, cansada, desanimada. Faço isso escondida, com medo de ser julgada. Que horror, que horror! Uma criança linda, perfeita e ela fala isso? Que feio. Que feia eu. Mas, eu falo e sei - no meu coração, eu sei - que muitas também dizem. A gente sente tudo muito igual, nós - as mulheres. A gente se transforma bem parecido, nós - as mães. A gente diz isso. A gente diz que a felicidade não veio junto com o filho. Ainda. A gente era mais feliz, ou era mais fácil sorrir 'apesar de'. A gente busca a felicidade em sua nova forma e condição e chora, olhando pela janela durante a mamada ou enquanto acariciamos as costinhas do pequeno que deve arrotar ou entre uma e outra ida à cozinha, ao banheiro, às necessidades. A gente olha pela janela e procura janelas acesas nos prédios. A gente consegue identificar uma ou outra TV ligada e pensa que bom deve ser poder assistir um filme a qualquer hora sem dormir depois de cinco minutos ou sem ser interrompido milhões de vezes por um choro sentido de um pequeno em desenvolvimento. Esse choro que desestrutura mesmo. Derruba. Derrete a gente por dentro. Esse choro que parece ser o aviso de que a gente não está livre de tudo, a gente agora tem mil e uma coisas a pensar antes de viver. Eu detesto falar isso. Amo e amo. Mas, também odeio. Eu tenho um companheirinho lindo, mais um membro lindo da família que construímos dia a dia com muito carinho, e ainda assim me sinto sozinha. A felicidade não depende de filho, claro. Mas, poderia vir mais rápido depois deles. A gente sente tudo igual? A gente se transforma bem parecido?
***
Pensando cá com os meus botões que eu passei 6 meses, dos 8 em que estive gravida, sofrendo e me deprimindo. Existe um modo de lidar bem com o novo ou a maternidade realmente é assim... um buraco forrado de rosas? Pétalas e espinhos included.

4 comentários:

  1. Acho que é isso mesmo viu... as vezes o buraco é mais fundo, as vezes mais raso.... sempre com pétalas de rosas, as vezes mais ou menos espinhos...As fases vão mudando e o tipo do buraco também, mas acho que ele sempre existe...
    A minha companheira, já fala, conversa, se comunica, e ainda assim, por vezes me sinto sozinha!
    As crianças trazem junto com elas, a alegria e a dor de ser mãe...
    Mas é o sentido da minha vida agora! hehe

    beijos

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  2. Parece não ser justo sentimentos assim... mas acho que faz parte e só tento não me entregar a eles. Eu os percebo e os deixo ir... e eles vão e voltam e vão e voltam.

    Sinto-me fraca, às vezes... sozinha, muitas vezes.

    Aí lembro que se antes buscava motivos para me algrar, hj eles (elas) estão ali! Mesmo que gritando, chorando, acordando, fazendo bagunça........

    beijos

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  3. Bom, nem preciso falar q sentimos mto parecido né? Eu ainda não me sinto eu fico perdida em ser "só" mÃE, me cobro, me irrito, me frustro, choro, peço perdão ao nene por estar cansada, enfim....a sua definição de buraco com rosas é perfeita!!!!!!!!!!!!bjobjo querida!!!!!!!!!

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  4. Não sei se a gente sente tudo igual, mas que se transforma, isso é inegável. É um turbilhão de coisas, um caminhão de mudanças daqueles que leva a gente pra outro mundo. Tem buraco, mas tem rosa. Tem espinho, mas tem perfume.
    Não acredito naquelas pessoas que entram na maternidade como se tivessem, sei lá, só trocado de roupa. Pra mim a mudança foi tão grande que até hoje sinto, até hoje questiono...
    Tô aqui tá? Sempre.
    bjos

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