sexta-feira, 23 de março de 2012

ELA

Era uma vez, a moça que acreditava ser uma só.
E, como uma, ela fez para si uma história infantil, bobinha até.
E, como uma, ela errou por muitas.
E ela seguiu. Andou pra frente e abriu dois olhos na nuca.

O tempo passou e ela percebeu que era, na verdade, muitas
Mas essas muitas nem tinham nome! Ela reclamava
E se perdia em muitas e nunca se encontrava, porque ela queria nomes.
Mas, como muitas, a moça até acertou por si mesma algumas vezes.
E ela seguiu. Andou pra frente e abriu dois olhos na nuca.

Passou mais tempo ainda.
E ela, cada vez mais aprendiz da vida, soube que era, então, muitas dentro de uma!
Ah! Essa embalagem sagaz.
Ah! Esse envólucro estúpido e dissimulado.
Frágil feito casca de ovo!
Ela estava começando a ver tudo com outros olhos, mil olhos dentro e fora de si.
Fechou os olhos abertos na nuca.
Abriu os olhos que Deus desenhou e seguiu.

O mundo está aqui para ser visto e revisto.
Veja.
Reveja.
Sinta.

Ass.: A mulher, cunhada, irmã, filha, mãe, esposa, amiga e etc que anda vivendo mais pra fora do que pra dentro.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Da série: Não sai da cabeça... Parte I

Já que ando impossibilitada de escrever... de aprofundar.
Deixo a música da vez, essa que não sai da minha cabeça. Fofa. Profunda. E linda.
Thanks, Chico. You are the man, como diria Obama.

E nasceu o amor






  Valsinha
Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1970


Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
1970 © Marola Edições Musicais, Vinicius de Moraes
Todos os direitos reservados. Copyrig
Internacional Assegurado. Impresso no Brasil



segunda-feira, 5 de março de 2012

E OS VENTOS TROUXERAM... BOAS VIBRAÇÕES!!!

Vim aqui AGRADECER o apoio.
E contar que tudo correu NA MAIS PERFEITA PAZ.
Heitor se comportou lindamente. Amou. Dormiu. Acordou e eu tinha ido tomar um café na esquina. Ele brincou horrores com uma moça que ele nunca viu na vida e, quando cheguei, ele me abriu um sorrisão. O café, na verdade, foi um suco de maracujá sem açúcar... 'Tomei-lo-o' com o celular na mão, apertando forte, com medo de não perceber quando ele tocasse... Tocou e a coordenadora me informa "Heitor acordou e está aqui numa boa..." Eu corri rua acima morrendo de saudades do meu filho depois de 20 minutos longe. O período inicial de adaptação que duraria 1 hora, durou 2. Só fomos embora porque nesse primeiro dia eu fui despreprada - não embalei o almoço pra viagem. Amanhã iremos com o almoço na manga. Chegamos em casa e ele almoçou estressadinho por conta dos dentes e das mil novidades. Estava excitadíssimo o pequeno. Lindinho. Dormiu a tarde normalmente. Dormiu até mais uma soneca (enquanto escrevo aqui). Delício amou brincar num cantinho diferente... E a mãe está aprendendo... Um passo por vez... Vinte minutos por dia.

VALEUUU

domingo, 4 de março de 2012

EXPLODI

E então que eu nem tratei desse assunto aqui porque, sei lá, não queria ainda, não estava pronta ainda, todos os outros montes de 'aindas' que vocês conhecem... Mas, o fato é que hoje eu explodi. De vez. Sem nem conseguir juntar os pedacinhos...
Heitor vai pro berçário.
Heitor começa a adaptação AMANHÃ.
O fato é que eu preciso me reorganizar para voltar a trabalhar e ganhar um dinheiro... Sabe esse negócio em notas que salva a vida da gente no final do mês e depois dá tchauzinho quando um novo mês começa? Então. Esse. Precisamos. Marido, eu e Heitor fofo. Eu sei que havia me planejado para ficar com ele em casa até ele completar 2 aninhos... E eu sei que não consegui cumprir esse planejamento. Só eu sei os motivos. Só eu sei como meu coração aperta, porque no fundo... Eu estou cansada tbm... Quero ir ao banheiro sozinha pela manhã, quero tomar café sentada. Quero estudar, quero trabalhar, quero andar na rua... sozinha. Um pouco só. Só um pouquinho sozinha.
E meu coração aperta...
Não é de calor, não.
Nem tanto de culpa.
Tá. 30% é culpa. 70% é ansiedade.
Não. 70% culpa, 10% melancolia e 20% ansiedade.
Não. Puta merda. É 100% maternidade. 100% amor e trocentos-milhares-de-milhões-porcento de um medo dusinfa.
Estou com medo... Culpada... Chorosa... Mas, sei que será ótimo. O berçário foi escolhido com cuidado... Ele já se mostrou mais do que disposto a interagir ali, curtir e brincar. Ele está bem! E eu vou ficar também, né?
Não vamos?
Não vamos ficar bem?
HEIN??