sexta-feira, 23 de março de 2012

ELA

Era uma vez, a moça que acreditava ser uma só.
E, como uma, ela fez para si uma história infantil, bobinha até.
E, como uma, ela errou por muitas.
E ela seguiu. Andou pra frente e abriu dois olhos na nuca.

O tempo passou e ela percebeu que era, na verdade, muitas
Mas essas muitas nem tinham nome! Ela reclamava
E se perdia em muitas e nunca se encontrava, porque ela queria nomes.
Mas, como muitas, a moça até acertou por si mesma algumas vezes.
E ela seguiu. Andou pra frente e abriu dois olhos na nuca.

Passou mais tempo ainda.
E ela, cada vez mais aprendiz da vida, soube que era, então, muitas dentro de uma!
Ah! Essa embalagem sagaz.
Ah! Esse envólucro estúpido e dissimulado.
Frágil feito casca de ovo!
Ela estava começando a ver tudo com outros olhos, mil olhos dentro e fora de si.
Fechou os olhos abertos na nuca.
Abriu os olhos que Deus desenhou e seguiu.

O mundo está aqui para ser visto e revisto.
Veja.
Reveja.
Sinta.

Ass.: A mulher, cunhada, irmã, filha, mãe, esposa, amiga e etc que anda vivendo mais pra fora do que pra dentro.

3 comentários:

  1. Que lindo amiga... Que continuemos vendo, revendo, sentindo e vivendo. Que continuemos sendo muitas, sendo uma, sendo todas.
    bjao!
    e vamos nos verrrrrr!!!

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  2. Lindo texto!!!
    Realmente somos várias em uma só...

    bj

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  3. Amei o texto!!!
    Super intenso e muito bem escrito, parabéns!


    E o Heitor, como está esse fofo???

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