Heitor anda sentindo minha falta. Essa falta de ficar juntinho. Essa falta que eles sentem quando percebem, aos poucos, que vivem - de fato - fora de nós e que são seres independentes. No caso dele, o que tem acontecido é que ele - ao menos 2/3 vezes na semana - acorda de uma soneca berrando, chorando sentido, soluçando... que dó, que dó. Às vezes é na soneca da tarde, depois de uns 45 minutos, uma hora... Às vezes é no sono final, noturno mesmo... Sofro. Faço meu papel delicioso - sem ironia aqui - de mãe e conforto, o que amo fazer. Embalo, acalento, digo que sempre estarei por perto, prometo que ele não está sozinho e ele acalma. Vai pro berço acordado, mas se vira de lado e capota instantaneamente, como se nada fosse. Cabe dizer aqui que Heitor é um bebê completamente adaptado ao berço próprio, a dormir sozinho no quarto dele. Foi um processo natural, sem neuras ou birras. No dia 1 em casa, ele já foi pra lá - porque para nós era o que devia ser feito, era a nossa dinâmica familiar e assim sempre foi. Claro, somado ao fato dele realmente curtir ali, ficar numa boa e termos tidos apenas alguns momentos de turbulência nesses 9 meses e tanto. Caso ele não ficasse, buscaríamos outra alternativa, mas esse movimento foi realmente natural...
Não posso dizer que essa tal 'ansiedade' apareceu DO NADA... Desde o 5º/6º esse chororô rolava, bem esporadicamente... Pensávamos que poderia ser algum pesadelo, o que de fato pode ser também... E acalentávamos igualmente.
Nesses momentos eu digo a mim mesma que passa... Que vai passar... E calmo meu lindinho com o coração mega apertado. Mas... Eles tem que crescer e nosso papel é fazer a ponte de nós ao mundo, da nossa casa ao mundo deles, não é?
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Eu ando sentindo falta de Heitor e de mim. Essa falta de ficar juntinho. Uma melancolia estranha que vem às vezes. Outro dia encontrei uma amiga e seu pequeno fofo numa livraria bacana que tem aqui na Avenida Paulista, SP. Deixei Heitor no berçário, estacionei o carro próximo ao metrô e entrei na estação. Como o trânsito matutino vespertino e noturno aqui é de morrer, o melhor a se fazer é ir até a Paulista de metrô mesmo, deixando o carro perto da escola para um retorno mais tranquilo após o almoço... E assim foi. A caminho de lá, com meus companheiros Iphone+fone de ouvido+The Beatles, senti um nó na garganta, vontade de chorar. Desci na estação Consolação - olha a ironia - toda nova, toda diferente, e me senti perdida ali. Tanta gente... Tanta informação... Tanta coisa para absorver depois de tanto tempo em casa, fechada, vivendo uma vida e me esquecendo de todas as outras... Tocava Hey, Jude e eu parei, encostei numa parede da estação, e quase sucumbi. Foi forte. Senti saudades do pequeno, percebi que ainda não tinha me dado a chance de sofrer completamente por essa mudança... Esse crescimento dele... Esse crescimento meu. Como diz Paul, é melhor deixar (a dor) passar por dentro da pele da gente, sentir, para poder melhorar. Assim, continuei caminhando e coloquei a música novamente... Chorei atravessando a rua, chorei passando por prédios que antes eram tão familiares para mim! Chorei passando em frente à banca de jornais onde eu comprava maços de cigarro em tempos de faculdade... Começou Let it Be e eu me sentei um pouco para ver o mundo passar. Que coisa doida esse troço de ser mãe...
Nesses momentos eu digo a mim mesma que passa... Que vai passar... E tento me acalmar sozinha, com o coração mega apertado. Mas... Eles tem que crescer e nosso papel é fazer a ponte de nós ao mundo, da nossa casa ao mundo deles, não é?
(selecionando os links dos videos, eu me pus a chorar de novo. Eita, que essas músicas me pegam de jeito, viu?)
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Depois que dou banho no Heitor, eu o enrolo na toalha fofinha e o pego no colo como se o fosse ninar. Ele, outro dia, reparou no teto e no reflexo das ondas de água na banheira... Sabem aquele reflexo clarinho, fios luminosos no teto misturados com a luz do banheiro? Então. Ele adora ver isso e fica quietinho um tempo só olhando. Eu, desejando agradar meu rebento, bati a mão na água da banheira para que mais e mais onda de luz se formassem... Erro meu... No momento da turbulência da água, nenhum reflexo se forma. É preciso que as ondas se acalmem um pouco para que possamos ver os tais reflexos que encantam meu filho. E ele me ensinou mais essa... É preciso esperar a calmaria para ver as coisas com um pouco mais de clareza.***
E como faz tempo que não aparecemos por aqui.... Taí:
| Sorriso mais lindo do mundo, universo e tudo mais |
| O que eu vou fazer agora, hein? |
| Muito amor |
| Hello, people |
| Manhê, o pão 'comeu eu' |
Que L I N D O o Heitor, Rê! Nossa, ele é muito lindo mesmo!!! (Sempre achei, desde bebezinho!)
ResponderExcluirE que lindo o seu post! Eu tb chorei aqui só em ler! Tb não é pra menos, né! Imagino mesmo que esta separação é muito, muito difícil. Eu não posso falar nada sobre isso pois não passei por esta fase com o Lucas e acho que tb não vou passar com o Miguel, mas de qq forma, qq tipo de separação dói. Mas vc escreveu muito bem quando falou a respeito do nosso papel enquanto pai/mãe.
Boa sorte, minha linda!
E que vcs consigam belos momentos juntos, como olhar o reflexo das calmas águas na hora do banho (criança ensina pra caramba!!! - adorei)
Beijão
Ju
Obrigada, JU! Obrigada, obrigada e obrigada.
ExcluirQue você tenha tudo de bom tbm, igualmente. E que sua família cresça e se fortaleça, cada vez mais iluminada.
BEIJAO
Obrigada por transcrever pedaços da minha história, da minha transformação...incrível como a identificação é total.
ResponderExcluir"É preciso esperar a calmaria para ver as coisas com um pouco mais de clareza."
Heitor está lindo, com uma cara de rapazinho!!!
Beijo
Nossa que texto mais forte, mais vivo e cheio de emoção... Parabéns!
ResponderExcluirMinha filha caçula começou a adaptação na escolinha recentemente e estamos passando por algo parecido por aqui. Por um lado a alegria de vê-la descobrindo coisas e pessoas novas, mas por outro a dor de não tê-la mais ao meu lado nas 24 horas do dia..
Beijo,
Karen
http://multiplicado-por-dois.blogspot.de/
Meu deeeeeeus Re, como ele está fofo! Que sorriso delícia! E que carinha de menininho já!! Que pena não tê-lo visto pessoalmente... snif snif!
ResponderExcluirE a senhorita que nem me falou nada desse mar de sentimentos antes do nosso encontro? O furacão Bento chegou chegando e nem nos deu chance de conversar mais...
Sobre a ansiedade da separação, deve ser mesmo amiga, Heitor tá bem nessa fase! Somando à novidade do bercário e à mãe que começa a voltar ao mundo, ele sente tb. Está fazendo bem em socorrê-lo acalentando!
Por fim, AMEI a frase "É preciso esperar a calmaria para ver as coisas com um pouco mais de clareza". Amei a descoberta do reflexo na água e a analogia com a vida. Lógico que trouxe pra mim, pra minha situação... vc entende né! A calmaria está me ajudando bastante!
Saudades de vc...
bjos