quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Novas tradições


Galera si-jogou no post sobre sexo pós-filhos, hein? (para os meus parâmetros, DEZ comentários é 'si-jogar', amigas). Legal saber que a gente não está sozinha nesses momentos... Sabem o que eu descobri?
1 - Todas se sentem assim pós-filhos, né? Mulherada unida.
2 - É preciso reencontrar o caminho, gente. É preciso sair da 'zona de conforto do estou cansada' e enfrentar. Perder momentos de sono para namorar mesmo, sem dó. Perder um momento de descanso do pequeno (e nosso!) para dar aquela ajeitada nas unhas, pelos e etc...rs. É preciso enfrentar o cansaço. Eu sei. Não é fácil... Mas, aos poucos a gente se encontra. Bem aos poucos. Todos devem ter paciência... O que sei é que é preciso esforço para tudo voltar aos eixos, não é sozinho que rola, não. Lembrem-se disso.
Vou falar mais vezes desse tópico. Quem sabe não consigo algum especialista para dar uns toques para gente?

***

Está chegando o Natal/Reveillon e a melancolia bate, não bate? A gente sente aquela vontadezinha de ficar mais quieta, pensar em tudo, fazer um balanço do ano que passou, não sente? #blé. Sempre achei tudo um saco, confesso. Mas, com criança é diferente.
Muitos me diziam que eu mudaria minha idéia das datas, especialmente as do final do ano, e eu não acreditava. Sempre fui chata. O dia em si até acabava me empolgando, mas o antes... Quanto marasmo, quanto pensamento, quantos planos... Quanto quanto! Eu ficava (fico!) era cansada de tanto pensar e não chegar a conclusão nenhuma. Também tinha a chatice de quase nunca juntar a família mesmo. Sentia falta de alguns, não sentia tanta falta assim de outros...rs.
Até que...
Nasce um menininho muito cremoso e docinho chamado Heitor.
E tudo muda.
As datas comemorativas tornam-se OPORTUNIDADES. Oportunidades de arrumar a casa, decorar, fazer uma receita especial, arrumar o pequeno bem fofo e tirar zilhões de fotos. O que antes era um saco se torna, de fato, uma comemoração.

***

Quando eu era criança, a coisa era bem festiva. Família barulhenta, vários tios e tias de quem eu nem sabia o nome. Comida. Muita comida. Doce. Muito doce escondido, embaixo da mesa, criança correndo com doce na blusa. Meu pai criando estratagemas para esconder presentes. Esconder a roupa de Papai Noel que ele vestia. Esconder o choro quando ele, já vestido, vinha nos pegar todos no colo ao mesmo tempo. Minha avó passando o dia fazendo o pernil. O-DIA. Temperando, arrumando, quanta coisa. Na casa da minha mãe era um pouco menos barulhento, mas era festivo igual. Primos pulando, gritando, arrancando a barba do Papai Noel que era, na verdade, o tio da rua de trás. Primos juntos assustando os mais novos. Primos divagando sobre a verdade do Natal e coisa e tal. Primos revelando a verdade sobre o Natal e fazendo os mais novos chorarem compulsivamente (eu - a chorona). Adultos tomando café. Adultos tomando Cidra. Minha mãe fumando a cigarrilha. Minha mãe com permanente nos cabelos tingidos de Acaju. Também tinha aquele negocinho de quebrar as nozes, sabem? Eu adorava aquilo. Ficava lá na frente da bandeja. "Quer nozes, tio?" e pá, quebrava. "Quer nozes, tia?". Pá, quebrava mais. Nossa, tanta coisa... Poderia passar horas e horas descrevendo cada lembrança que eu guardei... Algumas são tão tão preciosas que eu não conto, tá? Só pra não correr o risco delas saírem voando e irem embora de vez...

***

E então que pessoas morreram, meu pai morreu e muito desse barulho do final do ano simplesmente silenciou. Alguns cresceram, esqueceram as bagunças desse dia. Alguns se mudaram. Alguns simplesmente não quiseram mais compartilhar esses momentos da mesma maneira. E aí os encontros familiares passaram a se resumir a poucas pessoas, quase nenhuma criança e bastante silêncio. Um saco maior ainda. Sim, minha família é pequena e relativamente desunida da manada. Uma coisa assim meio blasè, chato pra caramba.
Cada um vai para um canto.
Tem primo que eu nunca mais vi.
Tem tio que eu nem sei mais se vive, juro.
E o que eu decidi?

***

Decidi criar as minhas tradições e inserir Heitor em outro contexto mais unido, mais grudado, mais família. Comprei louças novas para a Ceia, toalha nova para a mesa, uma árvore de Natal (que custou 23,90 do nosso rico dinheirinho) lindinha e enfeitei com ele bem do nosso lado. Ali. Vivenciando o renascimento do Natal no meu coração, na minha vida e na minha casa. Já separei as receitas que vou fazer no dia 24 e no dia 31. Estou empolgadíssima!
Nossa pequena grande família passa esse ano o primeiro Natal junta.
Heitor romperá o ano novo pela primeira vez. Lindinho.
E eu me sinto feliz e renovada por tê-lo junto de nós esse ano.

***

o presente já embaixo da árvore

detalhe

ahhh... fala se não ficou fofa!!

7 comentários:

  1. Ai que lindo... Chorei viu!

    Eu acho que já havíamos comentado, algum dia, que o natal seria diferente com Heitor, que você plantaria de novo um espírito natalino no coração, depois de ter o pequeno em casa...não comentamos?!

    Eu sou apaixonada pelo natal, e teu post me fez chorar! Parabéns pela linda família, que está formando! Parabéns por toda essa força que sempre brota do teu coração!

    beijos

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  2. Nossa, tô aqui chorando...visualizei tanta coisa, lembrei de tantas outras. E ri das nozes!

    Não é incrível como os filhos nos fazem rever conceitos? criar novas estratégias? essa árvore ficou fofa e eu queria provar dessa ceia.

    Beijo grande, bem grande

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  3. oi lindona,
    sabe que não passo muito aqui mas tô sempre na sua cola né?

    adorei esse post sobre tradições.
    e acho mesmo que temos que usar esa cola grudenta que é o amor pra construir novas ou retomar antigas tradições.

    vcs estãod e parabens, não só pelo filho lindo mas tbm pela iniciativa.

    bjocas

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  4. Re, vc me ajuda até sem querer! Eu q desde q casei criei minhas tradições com marido, esse ano tava super desanimada. Na mudança taquei a árvore no lixo e tava enrolando marido pra não comprar outra. Dai fiquei lendo vc, chorei, lembrei da minha família tb...e tou me sentindo culpada em não comemorar o natal!!!!!!!! as crias merecem as tradições né?

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  5. Rê, sou muito fã e adepta dessas novas tradições que a maternidade nos faz "criar"... faz um bem pra alma que não tem preço e nem tamanho! Amei o post!
    Super bjo,
    Camila
    www.mamaetaocupada.com.br

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  6. Rê, sua árvore ficou um charme...

    Acho que do dia que a gente descobre que não existe Papai Noel (espero que não tenham crianças por aqui) até o dia que a gente tem filhos, fica uma lacuna de Natais sem graça.
    Pensando, agora, ainda bem que os meus foram só 12...

    Todos aqui estão doidos para começar a enfeitar a casa, coisa que eu sempre faço "cedo"... Mas este ano, como meu espetáculo será 28 novembro, faremos isso só dia 30. (preciso de um dia de folga.rs)

    Beijão

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  7. Ficou linda, Rê!
    E eu toh aqui chorando porque vc nem imagina que um dos meus motivos de toda aquela deprê de ontem é por conta do Natal...

    Que bom que por aí a magia toda está renascendo. Uma criança faz mesmo milagres!!! Que seja o primeiro de muitos da família que vcs formaram juntos e que agora é o seu verdadeiro tesouro!

    Eu sempre AMEI Natal, mas desde que casei (porque na época do namoro é tudo maravilha né) a coisa começou a ficar séria. Famílias diferentes, sabe como é. Um caos. Imagina este ano então, com um bebê que terá +- 15 dias!!!!!!!!!!! E eu "daquele jeito". Queria só os meus, mas não é justo com o marido, aquela coisa. Aiii que coisa! Justo no Natal... Queria mesmo era dar uma sumida, uma sumidinha básica assim, só nós 4, mas não vai rolar... então, que seja o que Deus quiser!

    (Puxa, mas eu já escrevo quando comento né? Resumir não é meu forte!!! Sorry)

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