sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Em busca de algo mais...


O que é Qualidade de Vida para você?
Pode-se falar de qualidade em termos de saúde física; mental; espiritual; financeira (sim, saúde financeira ou 'como andam seus bolsos')... Para mim é uma combinação de tudo isso e mais um pouco. Desenvolvamos...
Sou paulista. Nasci e fui criada em SP desde sempre. São Paulo capital mesmo, pólo financeiro e cultural. Um dos. Não o único. Paulista tem essa mania de se achar único em tudo só porque, bem, é paulista. Paulista também tem pressa, muita pressa. Tenho cá minhas dúvidas se Lewis Carrol não se inspirou em paulistas para criar o Coelho Branco apressadinho (http://pt.wikipedia.org/wiki/Coelho_Branco), porque é bem aquilo lá mesmo. Vivendo aqui a gente às vezes perde o rumo e nem percebe mais. Mas, é só irmos viajar que logo percebemos a diferença de ritmo. Sim, paulista é aquele chato que logo reclama da demora no atendimento em um restaurante do Nordeste. Também reclama de encontrar - bem no meio das férias, veja bem - algum estabelecimento fechado num horário que considera adequado, tipo, meia-noite. Aqui tudo funciona 24hrs. Tudo. É possível encontrar um bom restaurante tailandês às três da matina. Também é sempre possível sair de uma balada às quatro e encontrar um prato-feito, uma boa padaria ou pastelaria - aqui, prato-feito é o famoso 'arroz, feijão, salada e bife'. Paulista também adora shopping, é bem verdade. E adora uma fila! Reclama de falta de tempo constantemente e dificilmente vai ver os amigos, mesmo aqueles que moram pertinho. Aqui é tudo longe e para chegar em todos os lugares, pega-se trânsito. Aliás... acho que 'trânsito' e 'fila' foram duas palavras inventadas por paulistas, só pode. Paulista é solitário. Raramente olha pro lado. Caminha firme. Usa terno. Almoça trabalhando e trabalha almoçando...
Eu confesso que muitas dessas características (e outras que não couberam aqui) estão fora da minha personalidade, meu modo de ser. Mas, infelizmente muitas estão bem presentes. E tudo estaria como sempre esteve se o tempo não tivesse passado e eu não começasse a questionar minha qualidade de vida. Hoje, casada e com um pacotinho para chamar de meu, digo, de Heitor, eu me vejo num impasse: como mudar o nosso estilo de vida? Outro dia, na rádio Nova Brasil (89.7), ouvi que uma pesquisa feita com profissionais da área de Gestão revelou que a maioria deles não está disposta a mudar de estilo de vida sem que essa mudança seja associada à maior ganho financeiro. Em outras palavras, fulano não muda pro campo, por exemplo, a não ser que seja pra ganhar o mesmo ou mais do que ganha aqui. Eu 'tô no pé de mudar pra ganhar menos, bem menos, e sair desse loucura... Quanto vale o seu conforto?
Pausa
Para ir numa consulta médica, eu fico três horas fora de casa, sendo que uma hora eu passo no caminho de ida (de carro). Chego na médica, passo uma hora na consulta e fico mais uma hora no trânsito para chegar de volta em casa. Isso é vida?
Despausa
As coisas são caras por aqui, ou seja, o custo de vida é alto. Uma pesquisa feita esse ano revelou que é mais barato morar em NY do que em SP. Sim, verdade. E se você chegou até aqui deve estar pensando 'e eu com isso, minha senhora'?
Bom.
Às vezes me pego pensando em como a vida poderia ser melhor, você não? Em como a gente poderia viver em meio a mais verde e menos concreto e poluição e gritaria e 'buzinaiada'. Em como a qualidade de vida poderia ser maior. Em como dinheiro e sucesso profissional poderiam estar em segundo plano - para mim - e a qualidade de vida poderia vir antes de tudo. Penso isso hoje, com filho. Uma criança precisa de mais do que SP tem a oferecer, ao menos para mim. Sim, a cultura é acessível. Sim, a facilidade desse acesso é absurda. Mas, cansa. Odeio clichê, mas fato é que os conceitos estão levemente invertidos. Se um empresário aceita mudar o estilo de vida com base apenas na compensação financeira, há um problema aí. Sinto não me encaixar mais nesse modo de pensamento...
E então me coloco a pensar e repensar qual é mesmo essa 'qualidade' que desejo para meu filho. O que é 'proporcionar o que os pequenos precisam' hoje em dia? É proporcionar a melhor escola - que em SP custa aproximadamente mil reais por mês - ou contato com a natureza antes de mais nada? Ou ambos? 'Ambos' é possível?
Quando me formei em Letras (em 2005), eu queria ser professora. A vida me levou para perto da tradução e a mesma vida me afastou dela com a mesma intensidade. Hoje, não sou nada. Ou melhor, sou dona de casa e não tenho - ainda - qualquer conflito com isso. Graças a minha poupança, poderei assim permanecer até a idade escolar do Heitor - o que, aqui em casa, seria por volta dos dois anos de idade. Marido hoje estuda para um concurso e eu devo caminhar da mesma estrada assim que Heitor esticar um pouco mais suas breves horinhas de sono... Sair de SP não é fácil. Aliás, a gente nunca sai de onde veio, né? Nunca sai da origem; ao contrário, carrega ela junto consigo onde for...
E 'pra não dizer que não falei das flores e parecer que eu só vejo defeitos na minha cidade, digo que quero, sim, sair daqui e levar comigo a arquitetura incrível, as livrarias gigantescas e os shows de música de qualidade quase todo final de semana. Quero levar comigo os estilos livres de moda e comportamento dos que andam pela rua sem nem chamarem a atenção, normal. Quero levar o MASP comigo. Quero levar a FNAC de Pinheiros que, em seus tempos de Shopping Ática, embalaram minhas tardes adolescentes. Quero levar a Praça do Pôr do Sol da Vila Madalena e todos os barzinhos dali, claro. Quero, sim, levar comigo minha infância de apartamento e casa da Vó, cinema e teatro e restaurantes deliciosos. Mas, quero ir um dia. Quero ir onde um novo concurso nos levar, mas, principalmente, para mais perto do verde. Respondendo minha própria pergunta, a qualidade para mim tem essa cor - verde. Mas, não é verde de dinheiro, não. É verde de grama mesmo. Grama bem mal aparada e árvores sem poda. Simples assim.

3 comentários:

  1. Sinto o mesmo saudosismo, mas de uma forma invertida, morro de saudade de Londres, onde moravamos. Perto do V&A museu, do museu de historia natural do parque de Kensigton. Vida noturna a mil, galerias de arte. Mas moro no mato hoje em dia, bom para a Yasmin, sem crime, sem transito, com muito verde. Trust me qdo vc sair de Sao Paulo vc vai sentir saudade de tudo isso e muito mais!!Bjinhos p vc e Heitor

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  2. Ahhh querida aqui em Santos, tão perto de São Paulo, estamos ficando iguais, tudo tão corrido, tão demais, pouco tempo, muito trabalho, temos um lindoooooo jardim e praia e vejo que muitas vezes os turistas aproveitam muito mais tudo que temos do que nós, pois Nós temos que trabalhar, e trabalhar pra um dia ser turista em algum lugar.Olho pra tanta coisa linda daqui e só aproveito quando eu consigo ( raramente) dizer " Basta" hj é dia de aproveitar isso tudo com meu filho.... mas não é fácil....

    Estamos vivendo um mundo entre os workaholics e os que precisam demais trabalhar, ou seja tudo se resume a trabalho e pressa.

    bjussssssssssssss

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  3. Você sabe que tb penso assim né... cada vez mais quero ir embora daqui, quero uma vida simples, com almoço em família todo mundo na mesa, com verde, com ar puro, com tempo. Mas não sei nem o que vai ser de nós, quanto mais de nossas perspectivas... Fica a esperança e a vontade!
    bjos

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