Hoje acordei sentindo saudades. Não. Desde ontem, na verdade, que eu sinto falta da barriga enorme, Heitor dentro de mim, mexendo eternamente, me chutando loucamente, das contrações de BH... Hoje a falta se estendeu ao meu pai, das 'pizzadas' na casa dele e de como ele sempre separava as bordinhas pra mim... Dos cafés-da-manhã e de como ele sempre cortava os frios calmamente depois de ter ido comprar o pão e o jornal de chinelos e bermuda de tactel. Depois, se estendeu às amizades e sobre como tenho poucos amigos e, os que tenho, sempre estão distantes (e eu, constantemente distante deles). Depois se estendeu às lembranças da adolescência tão conturbada, porém tão rica. Momentos tão especiais com pessoas que me ensinaram demais. Sobre a vida. Sobre o amor. O primeiro amor (não correspondido, claro). A primeira grande decepção. A paixonite pelo professor de Química. As 'reuniões' embaixo de uma árvore da rua da escola. Sempre a mesma árvore, sempre os mesmos conflitos. Depois, senti falta da casa onde moramos por mais de 15 anos. Casinha de vila, gostosa, ensolarada. Sobrado dos anos 40. Saudade. Tivera eu a chance, hoje ainda moraria lá. Teria comprado a casa pra mim, ao invés de deixar minha mãe vende-la. Queria aquilo ali pro meu filho hoje. Triciclo na frente de casa, cadeira de praia, sábado com sol ou com vento. Eu de vestido ou de calça de moleton. Ele só de fralda ou todo encapotado. Marido me abraçando gostoso. Hoje estou tão nostálgica como quem senta na sola da porta com uma xícara de chá na mão. Como quem senta na sola da porta toda encolhida. Joelhos encostando no peito. Uma amiga viajou e eu mal tive tempo de lhe dar um beijo, de lhe desejar o melhor. Eu viajei sei lá pra onde e não consigo voltar. Tem dias que passo um bom tempo olhando anúncios de casinhas de vila para vender... Às vezes, num impulso, desejo me desfazer de tudo que me prende e partir com minha família para outro cantinho mais doce, menos barulhento... Depois percebo que eu busco um tempo que já passou. Um sol que brilhava diferente. Será que ainda dá pra encontrar?
Texto maravilhoso!
ResponderExcluirSou uma eterna nostálgica...hoje sonhei com a minha avó, com aquela casa sempre cheia de gente, sempre tão acolhedora.
Tenho muita saudade. Já sofri e chorei de saudade. Hoje tento reproduzir tudo aquilo do qual sentia falta...não sei se tenho êxito, mas queria contaminar meus filhos com esse bichinho pra que num futuro, sejam eles a sentir saudade.
Beijo e um final de semana maravilhoso pra vcs!
lindo texto!!!!
ResponderExcluirAcredito que não dê para encontrar os mesmos raios de sol daquele tempo que sentes saudades, mas há sempre como encontrar um sol que brilha diferente... seja onde for!
ResponderExcluir***
Belo texto, Rê!
Beijos
e um ótimo domingo para sua família!
Ju
Lindo Rê!
ResponderExcluirMinhas saudades tb andam afloradas, vc deve imaginar...rsrs...minhas lembranças mais doces são da casa da vó! Essa semana mesmo eu relatava pra marido cômodo por cômodo daquela casa onde fui tão feliz!