Ontem morreu um primo da minha mãe.
Tio, por assim dizer, distante meu; quase nenhum contato. Porém, ela me pediu compania para irmos ao velório e eu fui com ela, sem problemas.
É um troço chato esse lance de morte, velório e afins. Mesmo sem relação com o falecido, a gente se sensibiliza com tantas pessoas chorando ao nosso redor. De repente, a gente vê alguém conhecido, uma tia mais presente chorando e aí a gente sente na alma uma pena por aqueles todos ali chorando. Tive dó. Senti angústia. Fiquei o tempo todo ao lado da minha mãe e lembrei muito do meu pai. Engraçado como, depois que perdemos alguém próximo, tudo que se relaciona à morte de alguma forma te lembra aquela pessoa novamente. Engraçado e chato. Melancólico demais.
No caso desse falecido de ontem, ele havia escolhido de antemão ser cremado no crematório da Vila Alpina. E lá fomos nós. Não sei se alguém de vocês já viu uma cerimônia ali ou qualquer outra de cremação. Eu já vi algumas, infelizmente, e posso afirmar que se trata de uma cerimônia forte, triste e estranhamente linda. Tem algo de apoteótico no negócio, uma coisa meio entretenimento, morte com uma despedida bem diferente. É estranho falar isso, mas é assim que sinto.
Loris, o nome do primo, escolheu assim e assim foi. Muitos choravam, muitos diziam que havido sido melhor assim, ele estava doente, tinha descansado e blá blá blá. As famosas frases 'feitas' quando alguém querido morre a gente nem tem mais o que dizer pra quem sofre. É o irônico ciclo da vida.
Mas, o que me fez escrever esse post não foi o tio quase desconhecido, a tia conhecida chorando (e que me fez chorar também) ou a cerimônia em si. Mas, sim, a escolha das músicas para a despedida. Nesse tipo de cerimônia, pode-se escolher 3 músicas para o momento final, uma espécie de trilha das músicas que mais lembram quem se foi ou uma escolha dentre as que ele mais gostava em vida. A filha única de Loris escolheu e eu fiquei boquiaberta nas primeiras notas. Lá dentro, frente ao cara (sem desrepeito aqui, muito pelo contrário) que havia partido pra um plano bem melhor do que esse, eu ouvi a primeira música e chorei rindo. "Ave Maria" com arranjo de chorinho e samba, com palmas e risos ao final. A segunda música foi uma do Roberto Carlos, e a terceira, o Hino do Corinthians, já que ele era torcedor roxo. O fato é como não respeitar um cara que se vai ao som de samba e risos e palmas e todo bom-humor que retratava o que ele era, como disseram os mais próximos? Como não respeitar esse cara? Assim que o caixão desceu rumo à cremação, eu disse baixinho "Eu respeito você" e assim foi.
Do lado de fora, a sobrinha dele chorava, minha prima, grávida de 8 meses. Lindo o ciclo da vida. Simplesmente, devastador e lindo...
Nossa, que demais essa cerimônia! Triste, lógico, afinal é uma perda. Mas ao menos foi uma despedida bacana, da forma como o falecido queria. Não o conheço, mas também o respeito!
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