
Hoje vi um tiozinho andando de patinete motorizado na calçada, pertinho do Shopping Ibirapuera e, por causa dele, tive que parar e pensar um pouco sobre a velhice. É que não era simplesmente um tio. Era mesmo um senhorzinho fofo! Cabelos brancos ao vento, dançando com a velocidade de seu patinete beeeem maneiro. Juro.
Então, pus-me a pensar e a pensar enquanto comprava uma jaqueta nova pro namorido. O que significa, afinal, envelhecer? Eu não falo sobre o processo básico corporal, mas aquele processo que se passa dentro da cabeça da gente. O que a gente sente conforme envelhece? Como mudamos e em que direção caminhamos?
Nesse último final de semana eu vi dois filmes bem distintos, mas que consegui conectar de alguma forma. Um foi "O Corajoso Ratinho Despereaux", fofo. Fala, basicamente, de um lindo ratinho que não age como a maioria e é banido por isso. Ele conhece uma ratazana, Roscuro, que também não se adequa ao seu meio e juntos lutam contra o que os incomoda na sociedade humana (e nas suas prórias!), tentando resgatar a felicidade e satisfação da convivência harmoniosa que antes houvera entre humanos, ratos e ratazanas... O outro foi "Blade Runner", clássico. Quem já viu sabe que não bastam poucas palavras para descrevê-lo, mas vale dizer que se trata de um filme sobre a adequação do eu interior com o que o mundo 'vende' como ideal humano. Os andróides são mais humanos do que os humanos, assim como os ratinhos do filme. E o que os iguala em dado momento? -> O medo de morrer, de ver sua vida extinta, de viver nas sombras do que se conhece como vida.
Lembrando disso e pensando no que vi hoje eu mal consigo chegar a alguma conclusão. O que nos torna humanos? Acredito que a consciência que temos da linha tênue entre humano e não-humano e como transitamos entre os dois mundos constantemente. Além disso,acredito que sermos humanos implica em reconhecermos racionalmente (ao menos) que um dia tudo isso que acaba, já era. Humano é igual a transitório, mas não apenas. É, além disso, saber que o transitório existe.
Enquanto pensava e procurava, fui interrompida por um ruído que se assemelhava a uma senhora pedindo um sorvete num daqueles quiosques. "Moço, me dá um sorvete de bauMilha?". Parei de pensar no tiozinho fofo. Eu não achei essa Dona da balMilha fofa. Não mesmo.
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Velhice
de repente
quando menos se espera
chega o dia longamente esperado
mais temido que desejado
em que te tornas o mais velho do teu clã
de tua estirpe o mais remoto ascendente
pelo simples motivo que todos os outros
que te antecederam na vida
também antes de ti se retiraram
pelo conta gotas da morte
e tens que te habituar a um novo papel
doravante serás o ancião
a presidir o conselho dos anciãos
o avô o pai o tio o velho
o conselheiro o caduco
o mais mimado imprestável
aquele que todos querem ou repelem
até quando por vacância
cumpra-se a linhagem sucessória
porque enfim te tornaste
a mais recente entre as ausências
penduradas na memória
Alberto Centurião
Do blog: http://diedrichosmarlenes.blogspot.com/
Bacana esse post. Eu tenho um meeeedo de envelhecer!! Quer dizer, não de envelhecer em si, mas das consequências que isso traz... menos energia, mais limitações naturais, solidão... É um caminho inevitável, mas podemos torná-lo mais feliz, como o senhorzinho de patinete!
ResponderExcluirPS 1: e a senhorita me escreve esse post justo hoje, dia do meu niver!! Ou seja, no dia que fiquei mais velha e caminhei mais um passo rumo ao patinete!!
PS 2: quero sorvete de bauMilha!
Hahahahahaha, nem me liguei, amiga!!!!!!!
ResponderExcluirEu tb penso como a Sarah. Não tenho medo de morrer, e sim das limitações que vêm com o tempo.
ResponderExcluirSabia que nunca assisti Blade Runner? Eu sei, é um pecado mortal e blablabla, mas nunca consegui. Comprei o filme outro dia, mas estava tão cansada que não consegui ver inteiro. Vou tentar de novo.
PS. Quando eu era pequena eu tb falava bauMilha. E pior: franGoesa!!! Hahaha!