domingo, 27 de junho de 2010

Quebrada em pedacinhos...

Ontem foi a festa junina do meu sobrinho. Estou com o coração partido em mini-pedaços que ainda não posso juntar nem colar nem nada. A festa foi fofa, ele não quis dançar... Confuso, olhava de um lado pro outro sem saber pra onde ir ou pra quem pedir colo. Papai ou Mamãe? Mamãe ou Papai? Cada família do seu lado, imóveis, dois exércitos com armas no olhar. A mamãe ama o pequeno, sem dúvida, como a maioria das mães. Sofria sem demonstrar pela confusão dele. O papai também, tenso. Falo ou não com a mamãe dele? A mamãe passou sem olhar pra família do papai. Ambas famílias não sabiam como se portar. Eu só queria pegar o pequeno e levar pra bem longe. Chorei. Ali mesmo. Me escondi e chorei. Meu irmão brigou comigo, não queria que a família da mamãe visse por questões 'técnicas de separação'. Eu não dou a mínima pra essas questões, mas entendo meu irmão. Eu também não poderia tirar o pequeno dali, ele é muito amado. Por todos. Todos ao seu redor tentavam ajudar, amenizar sua confusão, mas como? O amor de um casal de foi, a imaturidade de ambos tomou conta, e a vida foi seguindo assim. Sinto por todos, juro. Não existem culpados nem inocentes. Não existe nem crime! Existem circustâncias que eu vivi no passado e não queria que ninguém mais vivesse novamente no mundo todo, mas as coisas não são assim. Existe algo irônico em viver. Viver não prevê planejamentos nem enquadramentos nem nada. Nem mesmo uma máquina de colar pedacinhos de coração de tias sobrecarregadas de memórias, boas e ruins, e que vieram todas à tona ontem. Não existe nem uma máquina de apagar ou selecionar memórias! Vida besta essa...
Na casa da vovó, já com o papai, nosso pequeno fazia carinhas e boquinhas, feliz da vida, inocente como toda criança. Ria, falava da festinha, assistia TV e comia feliz. Criança esquece rápido certas coisas... Criança é maior do que tudo isso. Sente, claro, e sofre... Mas, ainda nem se dá conta exatamente da vida como é.
E eu, olhava tudo, registrava tudo, corujíssima que só, ainda quebrada em pedacinhos...

2 comentários:

  1. Ai Re, que triste... Vi mentalmente toda a cena e, ao imaginar o olhar do pequeno, meu coração tbm ficou apertado...
    Que, aos poucos, a imaturidade perca terreno e dê lugar ao amor que ambos sentem, mas falta deixar crescer, para superar qualquer mágoa em nome do filho.

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  2. "em nome do filho"... é isso que falta sempre. Passei por isso e não queria ver novamente, mas assim é a vida... Tudo deveria ser feito e repensando "em nome do pequeno"... O amor acabou, ok. Nada de mais nisso. Agora, uma nova geração não deveria passar por certas coisas por teimosia ou orgulho bobos, nao é? Enfim...

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