É... às vezes, fazemos tudo no automático... sem olhar pra nossa própria
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Sabe o que é? É que eu ando muito, mas muito pensativa mesmo. Mais do que o normal. Eu sou uma pessoa que pensa, já até devo ter falado isso aqui. Sei que todos pensamos, mas eu consigo confundir qualquer um com perguntas sem sentido - para alguns - que surgem do nada! Por exemplo:
CENA 1
Marido andando comigo "numa certa loja de roupas" para trocar duas bermudas que eu havia comprado pra ele e procurar um presentinho pro meu irmão, que fez niver nesse sábado último. Ok. Caminhamos e, de repente, eu saco uma pergunta da manga: "Amore, por que será que esse tipo de bermuda está tão em evidência, né? E esses meninos com bermuda quase saindo, mostrando a cueca inteira? Já pensou no apelo erótico deles tbm? A gente só fala no apelo que as meninas causam..." Quando eu saio do meu mundinho, encontro um homem olhando para mim com cara de paisagem, concordando e pensando (certeza): "Meu Deus, ela começou... Lá vem a Renata com filosofias de botequim de novo..." Ele é um cara bacana e tem muuuuita (muuuuuuita) paciência. Tanto que ele entra na minha viagem e me estimula, depois do choque inicial de eu tirar um assunto do nada no meio de uma loja, claro.
CENA 2
Passeando em uma loja de quadros/quadrinhos/quadrões para casa, paro na frente de uma mandala. Paro. Continuo parada. E começo a viajar quietinha... penso mil e uma coisas, vocês nem imaginam. Alguém fala comigo, ao longe... Eu escuto, mas continuo viajando. Alguém chama minha atenção novamente e eu "Hã? Não, estou só dando uma olhadinha, obrigada". Em 10 minutos tentei adivinhar o motivo daquela obra, por que tais escolhas de cores, lembrei que tem uma parecida na casa de uma prima e tentei organizar na minha cabeça o que ficaria bom na minha sala. Também lembrei da lista de mercado que ainda não terminei e que está em cima da minha escrivaninha, junto com a carteirinha do convênio que não posso deixar de colocar na carteira... Eu dou voltas e mais voltas num mundo bagunçado só meu e isso desde sempre. Mesmo enquanto outras pessoas falam comigo...
A verdade é que tenho pensado num assunto em comum: Ser mãe. Como esse assunto, sozinho, já está bem saturado (pelo menos por enquanto) aqui no blog, pensei essa semana toda na minha mãe e em que tipo de mãe eu gostaria de ser. Claro, existe o real e o ideal. Mas, como não tenho um rebento ainda para chamar de meu e colocar minhas idéias a prova, fico só no ideal mesmo. Pensei, pensei. Lembrei de cada detalhe da minha vida até hoje, pensei na minha mãe.... Bastante. Entendam: eu amo a minha mãe. Amo-a com a intensidade e capacidade que filhos e mães têm de se amarem, mesmo um ou outro ou ambos serem bem perturbados da cabeça. Amo-a como uma filha ama sua mãe sem perguntar muito e, hoje, sem exigir muito também. Já foi o tempo em que eu esperei demais e sofri. Minha mãe é uma mulher austera, tem presença. Eu, tímida, sempre tive medo dela. Medo de sua opinião forte e dos sopapos que tomávamos se algo não saía como ela queria. Mas, também sempre tive orgulho dela. E, em momentos em que o medo nem aparecia na frestinha da porta - porque eu era bem teimosa tbm e quase nunca deixava de questionar - eu tive carinho. Tive o que ela podia me dar, já que ninguém pode dar ao outro o que não carrega em si mesmo. Eu demorei para aprender essa lição e queria para mim uma mãe que era bem diferente da que o destino me deu.
E assim foi.
Vejam bem, como disse, eu amo minha mãe. Ela, sempre presente, fez o que pôde com as ferramentas que tinha nas mãos enquanto crescíamos. Eu, sempre bastante sensível e chata - a ponto de perguntar cada detalhezinho da vida pra ela - sentia a dor de quem quase nunca tinha atenção. Um dia, lembro bem, pedi pra ela ler pra mim antes de dormir. Ora. Meu pai não poderia ler a noite, pois ele nem estava lá. Então, tinha que ser ela. "Manhê, lê uma historinha pra mim?". Minha mãe, cansada e cheia do peso do mundo nos ombros, pegou um livro qualquer, colocou-o no meu colo e disse "Pra você ler sozinha antes de dormir, agora vai". Ok. Aprendi a ler bem cedo assim, foi bom. Aprendi bastante coisa. O mundo me ensinou bastante, enquanto minha mãe corria de um lado pro outro e se esforçava para manter a casa em pé. A vida me ensinou, a rua me ensinou. E ela me ensinou com a perseverança e força que ela tinha e tem todos os dias... E hoje, tentando e tentando ser mãe, gerar uma vida e cuidar dela com todo amor do mundo, me pergunto se quero ser como ela ou se quero inventar outra mãe pro meu nenê futuro. Eu sei que há algo dentro de nós que nos empurra em direção à educação que tivemos. Muitas vezes, fazemos no automático e repetimos nossos pais sem perceber. Mas, o que quero saber de mim e de todas que leêm esse post é: Você QUER ser como sua mãe ou não? Quer fazer diferente? Ao menos tentar...
Eu descobri que quero fazer diferente. Tenho medo de magoar a Dona Dê, minha referência, mas a verdade é que quero dar atenção. Toda aquela que eu não tive, eu quero doar. Assim como o amor, muito amor, porque eu tenho isso de sobra dentro de mim. Não, gente, meu nenê não vai aprender a ler pra si sozinho. Aliás, claro que vai, mas eu vou ler pra ele tbm. Vamos descobrir o mundo novo juntos e eu vou mostrar meu mundinho confuso pra ele... Pode crer que eu vou. E eu tenho quase certeza que ele vai gostar...
E vocês ??

É complicado né amiga? A minha mãe é uma ótima mãe, mas não foi uma boa esposa, não soube conciliar ser mãe e esposa. Ela sentia que queria ser uma mãe melhor do que a dela e realmente eu não posso reclamar da minha mãe como mãe. Mas eu quero fazer diferente por que não quero deixar de ser esposa, alias tenho medo de amar meu filho mais do que amo meu marido. A forma dela ser mãe não me prejudicou na minha vida, mas a forma que ela não foi esposa me trouxe alguns traumas que me acompanhou por todos estes anos. Não tem como não errar o negócio é tentar e fazer o melhor possível que a gente puder! Lindo e profundo post!! Bjos
ResponderExcluirRe (olha a intimidade), já falei um pouco sobre isso no Tutto Petit: http://tuttopetit.blogspot.com/2010/08/como-ser-uma-boa-mae.html
ResponderExcluirMinha mãe é uma ótima pessoa, mas uma péssima mãe. hahahahaha E hoje acho isso cômico, mas antigamente... ... E pretendo ser e fazer diferente, e sei que vou conseguir! Já estou conseguindo...
Claro que vez ou outra vou escorregar e fazer besteira, mas isso independe da mãe que tenho, ninguém é perfeito.
Acho que o primeiro passo e mais importante é a gente ter conciência que não quer repetir os erros das nossas mães. Tem aquele ditado (acho que é ditado, hahaha):
"O burro nunca aprende, o inteligente aprende com sua própria experiência e o sábio aprende com a experiência dos outros."
Eu quero ser presente, e estou sendo, quero ser compreensiva, e estou sendo. Conforme forem aparecendo os empecilhos, vou solucionando...
Enfim, o assunto é complexo e vou acabar fazendo um texto! hhahaha Beijão!
Acho que a sua mãe é a minha mãe! rs...uma curiosidade...sua mãe lê seu blog!?rss!
ResponderExcluirMas sabe o que apredendi!? A ser uma mãe melhor! Agradeço por isso!(ou não!)
Bjks!
Re e seus momentos "Fantástico Mundo de Bobby"...hehehe. Às vezes tb me perco no Mundo de Bobby, mas só consigo fazer isso se estou sozinha. Outras pessoas me distraem.
ResponderExcluirEu acho que todo mundo pensa em fazer algo de modo diferente dos seus pais. Não é por achar que eles estejam errados, mas por tentar fazer de outra forma mesmo, tentar melhorar, sei lá.
Tenho certeza que vc será uma ótima mãe. Só não fique obcecada com isso, OK? Acontece quando tem que acontecer.
Bjo!
P.S. Dei um rolê na Liberdade sábado. Meu itinerário foi Ikezaki - Sogo Plaza - Itiriki - Mercearia. Muitas comidinhas...
Adorei esse post. Engraçado que retrata exatamente como vc é: começou falando de uma coisa, viajou no meio e concluiu com outra no final!! Essa é a Re que eu conheço!! :P
ResponderExcluirRespondendo sua pergunta: vc será sim uma mãe diferente, assim como eu sou, porque absorvemos algumas coisas da educação que recebemos, fazemos no automático, mas outras fazemos do nosso jeito. Por isso acho que sou uma mãe meio a meio, metade como a minha, metade diferente. A metade igual lê história, faz (ou melhor, tenta) fazer comidinha gostosa, ama dar banho e papinha e colocar pra dormir. A metade diferente precisa ter mais paciência, não sabe lidar direito quando o filho fica doente, e quer ter mais diálogo. Em várias situações procurei conselhos e ouvi: "pense bastante antes de tomar sua decisão", quando eu queria uma opinião concreta.
Concluindo: sou mãe em construção, que pega uma parte da mãe que tive, das mães que viu e leu por aí, e da mãe que quero ser...
bjos!!
Oi Renata,
ResponderExcluiradorei a tirinha. A cena da loja também.
As nossas mães não receberam tanta informação em relaçãoa amaternidade quanto nós. Aí .... sabe como é, né? Bom, eu também aprendi muito com os erros da minha mãe. Posso cometer outros mas o que ela cometeu, esses sei que não vou repetir.
Eu espero!
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/