quinta-feira, 21 de outubro de 2010

John, um tiozão de 70

9 de outubro de 2010 - Aniversário de John Lennon.
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No convite que fiz pro meu casamento tinha uma frase dele que dizia: "And in the end, the love you take is equal to the love you make". [No final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz]. Não, ele não se refere ao amor sexualmente falando, em que 'to make love', em inglês, pode-se considerar 'transar'. Não, não. John não é simplório assim, nunca foi. Eu sou apaixonada por ele. Por ele pessoa bem mais do que por ele músico.
Minha mãe, Beattle-maníaca de carteirinha, sempre andou pela casa com LPs dos meninos rebeldes de Liverpool. Era colocar na vitrola (Sim, eu tive o prazer de ter uma vitrola em casa na minha infância. Graças a Deus. Amém.) e eu já sabia quem estava cantando. E mais. Minha mãe sempre dizia qual deles exatamente que era. "Olha lá, agora é o John. Agora é o Paul. Agora são os dois juntos. Agora é o Ringo!". Minha mãe adorana quando o Ringo cantava também. É inesperado, ela sempre dizia, e eu aprendi a achar o mesmo. Com o tempo, e depois de aprender Inglês e compreender cada palavra que eu ouvia dos rapazes, eu passei a tirar minhas próprias conclusões. Hoje, acredito que eles eram rapazes e, claro, como tais, escreviam as besteiras que eles consideravam importantes. Calma.
Digo que eram criadores de tendências e sabiam disso muito bem. Em seu estilo, em suas roupas e em suas palavras vivia um conceito certeiro de que eles seriam seguidos. Sendo assim, eles tiraram proveito disso. Oh, yes! Tiraram mesmo, e muito bem. Eram inteligentes, perspicazes, espertos. Foram os formadores de uma geração inteira. Foram os heróis. Por vezes, ridicularizavam a si mesmos. Por outras, ridicularizavam todos ao seu redor - como bons garotos rebeldes que eram. Mas, na minha humilde opinião, o melhor era o John. Não por ter morrido como morreu, não pelos cabelos compridos. Mas, por ter uma personalidade imutável. Azeda. Forte. Presente. Cada canção que tem suas mãos pode ser distinguida das demais. Isso é a minha opinião, mesmo, não me odeiem. Aliás, Paul é um grande entertainer e eu adoraria ir ao seu show esse ano, se não fosse para desembolsar R$ 700,00. Mas, John era um criador. Criador nato. E sozinho. Desde sempre.
John não ficou nos Beattles porque não precisava deles. Precisava de si mesmo e isso já bastava. E isso eu admiro. É raro. É como alguém que exala confiança. É como alguém que só de olhar pra você, em silêncio, diz "Eu sei o que eu estou fazendo. Eu acredito em mim. Ninguém pode me derrubar. Mesmo se todos discordarem de mim, ainda assim, eu terei a mim mesmo e isso me basta". Tudo isso me faz pensar em como tenho aprendido a ser mais egoísta ultimamente. Não me levem a mal, mas foi necessário... A gente se perde no mar de expectativa dos outros e esquece de criar nossa praia simplesinha particular, entendem? É como se nos esquecêssemos de quem somos para criar para o outro apenas a ilusão de quem ele quer que sejamos.
Eu quero ser mãe. Quero ser uma profissional bem sucedida, dentro de padrões razoáveis. Quero ser feliz. A cobrança disso ocorrer pra 'ontem' e 'dentro de certos moldes' acabou me sufocando de tal maneira que passei a odiar as possibilidades acima, achando que eu era pouquíssimo capaz de conquistar tudo isso - o mínimo. Eu cresci e vivi, até então, me sentindo menos. Pouco. Insatisfatória. E, de repente, a gente se dá conta de que está por si e de que o mundo deu voltas e voltas até trazer você numa enxurrada de escolhas. E quais delas foram, de fato, feitas por você? Algumas... Chega. De hoje em diante eu quero mais. Muito. Eu quero EU. Duas letrinhas...
E, então, eu me olhei no espelho dia desses e decidi que 'egoísmo seletivo' era meu novo lema sejam quais fossem os 'expectadores' da minha vida. Mãe, irmão, sobrinho, tio, primos, amigos... O meu filtro amadureceu finalmente. Aprendeu a, de fato, separar o que me convém. Para alguns eu pareço egocêntrica. Para outros, os que me entendem, eu pareço mais mulher. Agradeço ambos julgamentos. Juro. John Lennon me ensina a cada dia que os julgamentos são, sim, degraus importantíssimos. Porém, não constituem todos uma única escada...
 

2 comentários:

  1. Ai amei! Me fez parar e pensar um pouco na minha vida também... e eu que as vezes me acho até "antipática" em certas ocasiões por tentar ser mais seletiva, aí volto atrás e seguidamente acabo fazendo coisas que vão agradar aos outros e não mim mesma...poderia até citar exemplos aqui, mas não vem ao caso, o caso é, vc me fez parar e pensar um pouco mais no que eu estou fazendo!
    Parabéns pela decisão! E seja cada vez mais, você mesma!

    beijos

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  2. Adorei a reflexão!!
    Também estou mais introspectiva e, ultimamente, mais voltada a mim mesma. Deixei vários dos meus valores de lado, por amor, medo, sei lá, mas agora quero voltar a eles. Vc entendeu né? Mas acho mesmo essencial voltarmos para dentro de nós mesmos de vez em quando.
    bjo!

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