segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Culpa / Crise / Conforto

Sabadão, estava simplesmente mole demais, morrendo de preguiça. Acordo (marido já testando suas 'receitas computadorísticas'. Tomo café (feito pelo marido). Deito no sofá com marido (que testa agora suas 'receitas video-gamísticas'). E durmo novamente até 15hrs. Triste, não? Mas, calma, esse não é o ponto X da questão. O ponto é:
Eu acordei as 15hrs, pulei do sofá morrendo de culpa! E o almoço??? E a louça na pia??? E o marido morrendo de fome??? O coitado nem reclamou, sabe? Tava entretido com suas experiências, sem fome depois de uma xícara enorme de granola. Eu é que acordei me sentindo hiper-ultra-mega-master-blaster culpada por ter esquecido de tudo por aqui e dormido até o corpo todo doer. O marido queria que eu descansasse e eu acordei achando que o mundo entrara em colapso só porque eu havia deixado-o de lado por uma manhã comum. É. A gente se acha A tal, né? Acha que o mundo pára por nossa causa e - óbvio - não é bem assim. Eu sempre tive esse tipo de cobrança interna e, depois de morar junto com o atual 'anexo' - amor da minha vida - isso piorou ainda mais. Na minha cabeça, eu tenho minhas funções, meu papel, minhas obrigações. E todas elas são bem machistas, sabe? Enfim... Só para avisar que a culpa não é privilégio das mães, ok? É de todas as mulheres do mundo. Humf.
*****
Minha crise profissional é oscilante. Tem flutuado há uns 3 ou 4 anos. Primeiro apareceu como um simples questionamento: "Eu SOU tradutora ou ESTOU tradutora?". Acreditem, há considerável diferença nesses dois verbos. Quando alguém, por qualquer motivo que seja, pergunta a você: "O que você faz?", o que vem a sua mente? -> 99,9999999% das vezes vem uma resposta com conotação profissional ou a conotação da falta dela, claro. Ninguém responde "Eu faço bolos deliciosos" ou "Eu faço o café todos os dias pela manhã". Quando temos que responder essa pergunta de maneira mais completa, acrescentamos o verbo 'Ser', naturalmente: "SOU tradutora", "SOU dona de casa", "SOU diarista", "SOU arquiteta", blá blá blá. Um dia, há 4 anos, sentei para tomar um café no meu horário de almoço e fiz essa pergunta a mim mesma: "O que me define? Quais as coisas que me definem? Eu SOU mesmo uma tradutora? SEREI uma a vida toda?". Taí. Essa foi a bosta. Se eu não tivesse perguntado, talvez estaria hoje aqui na minha vidinha de tradutora freelancer, trabalhando tranquilamente em casa e, o mais importante, feliz e saltitante. Mas, não. A lindona aqui resolveu questionar tudo e se lascou, pra variar. Eu já trabalhei em trocentas coisas relacionadas à tradução e achava que tinha me achado ou que, como costumava dizer, que a tradução tinha me encontrado por acaso e aqui ficou. Aham.
Um anos depois desse questionamento essencial, passei a me implicar com as empresas onde trabalhava e resolvi picar a mula para casa mesmo, como muitos tradutores fazem. Eu me contentava com a explicação de que eu não me dava bem fechada em um escritório. Falava com toda propriedade sobre como a burocracia me entediava e como meu espírito criativo precisava se expressar mais livremente. Outra bosta. Vim pra casa e me acomodei. Não me culpem. É bem fácil se acomodar à vida de fazermos nosso próprio horário, tomar aquele banho gostoso no meio da tarde, marcar consultas médicas no meio do dia sem precisar explicar nada a ninguém. Nessa época eu vivia por mim. Trabalhava de domingo a domingo e tinha uma boa grana para fazer a minha vida.
Logo depois, juntei com o lindo e fomos fazer a NOSSA vida. Nessa época eu passei a me encher com a falta de horários fixos para nós, os domingos em frente ao computador e o prejuízo em minha vida social. Claro que há lados excelentes, mas eu já não os via. Estava de saco cheio mesmo. Saí de casa e voltei ao mundo corporativo, ainda como tradutora. Não. Não estava dando certo. Tinha meus horários de volta, tinha tempo para casa, para meu marido, nada de perder final de semana de sol para garantir aquele 'job' sensacional, nada de dores dos braços e dores de cabeça, nada de nada. Mas, ainda o diabinho (ou anjinho) gritava baixinho no meu ouvido como um pernilongo incansável... Tinha formiga nas minhas calças. Afff. Não tava dando.
Voltei para casa e estamos, agora, em nosso momento presente. Eu - tenho documentos, mas não tenho mais fôlego para realizá-los. Há dias que eu me dou conta que já são 6pm e eu fiz 2 páginas das 20 que costumava fazer todos os dias... A coisa não anda. Estacionou. Eu fui pegando uma bronca progressiva de tudo, do computador, dos clientes, das empresas, de tudo, que hoje fujo do telefone. Mas, concordam que não posso fugir, certo? Tenho que tomar uma decisão, uma postura. E aí a crise explode mesmo de vez...
Vou listar para vocês todos os cursos que já comecei na vida e não terminei ou nem comecei. Vamos lá (olha só, eu nunca contei isso assim para ninguém, então, sejam gentis nos comentários, tá?):
- Frances
- Italiano
- Alemão
- Contra-baixo
- Violão
- Teatro
- Gastronomia
- Extensão em tradução
- Corte e costura
- Maquiagem
Isso é o que eu me lembro agora, mas sei que tem muito mais. O marido me apóia a cada escolha, mas sabe que existe grande risco de eu me entediar e jogar tudo pro alto pela milésima vez. É...
TDAH e TAG "ajudam" nesse processo de confusão, claro, mas eu não tomo nenhum medicamento, nunca tomei. Nunca fui tratada de criança e acho que remédio não resolve problema de ninguém. Ao invés disso, eu continuo tentando. Hoje mesmo separei 3 escolas de cursos que me interessavam e fui conhecer. A vida é assim... E só pra completar: NADA NOS DEFINE 100%, Dona Renata. NEM PROFISSÃO, NEM COR DE CABELO, NEM O NOME, NEM NADA. É simplesmente tudo isso junto e mais um pouco. Apenas eu não estou mais feliz com um dos ingredientes desse bolo.
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Deixa eu falar. Vocês viram aquela propaganda o Intimus floridinho com slogan "Vejo Flores em você"? Claro que absorvente florido não serve lá pra muita coisa, mas aquela mulher andando naquela segurança me fez pensar: Beleza é mesmo estarmos confortáveis conosco, certo? Se aquela barriguinha saliente te incomoda, esquece dela e se joga no mundo, minha filha, linda e maravilhosa.
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p.s. Eu estou claramente no barco do oncotô, proncovô da Carol... Mas ainda sem filhos... Hâ?? S.O.S.

6 comentários:

  1. Re te entendo, eu tinha a maior neura com a questão identidade. Numa reuniao de oração ( que geralemnte vira mais sessão terapeutica, vi que a pessoa que estava orando comigo ja tinha passado pelo mesmo problema. Ela disse a mim, voce é Monique filha do Deus Altíssimo e isto significa que voce nao é o seu diploma ou a profissião que te define. Voce é Monique filha do Deus Altíssimo! E sabe quando a ficha cai? Pois é, então eu te falo, voce não é tradutora, voce não é esposa, voce não é futura mãe: Voce é Renata filha do Deus Altíssimo! Linda, especial e amada por pelo Deus Altíssimo ;) Bjinhos

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  2. Conheço esses dilemas amiga... Mas sabe o que acho? Que esses questionamentos fazem crescer! Passei bastante por isso também até me encontrar na tradução, mas demorei bastaaante até sossegar na escolha profissional. E, quer saber? Nem sei se estou tão sossegada assim!
    Sobre as obrigações com a casa, marido e tals, também sou assim. Não consigo me desligar e deixar as coisas acontecerem sozinhas - até porque, por aqui nada acontece se eu não fizer e fica tudo de pernas pro ar, vc sabe! Então amiga, agradeça muito ao maridex por te deixar descansar!!
    E quando vamos conversar pessoalmente hein? Ou por tel também pode ser, quando vc fizer as pazes com o telefone!
    beijo!

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  3. Uma amiga quando perguntada sobre o que faz responde:
    - Cozinho, como, transo e durmo. E você?
    hahahaha
    Acho que nada nos define para sempre, mas tudo nos define, entende?
    Se você não está feliz com sua situação atual, mude até encontrar algo que você goste de verdade! Mas, talvez -e não me leve a mal, não sei se é o seu caso-, a infelicidade com a profissão seja só a infelicidade com outra área da sua vida.
    Quando eu estava fazendo meu curso achava que ele não tinha nada haver comigo, coincidentemente quando engravidei. Depois que me acalmei com a gravidez pude ver que eu adorava. Consegui me explicar? Aí, sei lá. haha
    Beijão!

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  4. Ai Renata! eu me sentia e me sinto culpada por isso tudo tb... não é mole essas culpas que sentimos, sou meio machista tb...

    precisamos nos cobrar menos não é?! não precisa isso tudo... relaxa um cadinho!!!!


    beijocas mil

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  5. Se te faz mais conformada, eu tb já fiz um ziglhão de coisas e nunca sou nada, sempre estou... me encho, vou me formar em outra coisa e mudo de carreira. Fiz isso 3 vezes já... ontem ganhei um selinho, que tem que falar nove coisas e uma delas era isso - eternamente em crise profissional... louco né???
    Ah... deixa como tá para ver comé que fica...
    hahaha
    bjos
    Anne
    mammisuperduper.blogspot.com

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  6. Huahuahuahuahhuaa, dona Re... Caraca!
    POrque temos que nos cobrar TANTO assim?!
    Eu acho que a gente tem que aprender a relaxar e gozar! De verdade!
    Quanto ao estar tradutora, cara, naquele monte de perguntas que vc me enviou, eu respondi isso... Escolhi um curso nada a ver sabe?! Porque não sabia o que eu queria (aliás eu até sabia, mas era dificil correr atrás do que eu queria naquela época, historia longa).
    Mas gata... Arrasa nos cursos! Corre atrás MESMO!
    A gente sempre tem tempo pra ser feliz, né?
    Lembrei de uma musica:
    "Como vc pode abandona eu, se nóis foi sempre siliz..." HUahuahuahauha (que doida!)

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