domingo, 21 de novembro de 2010

O poder do NÃO!


Eu vi que alguns blogs, essa semana, falaram sobre Violência Infantil numa espécie de blogagem coletiva, confere? Minha correria impediu que eu participasse, mas é sempre bom falar sobre um assunto como esse, sempre. Adorei todos os textos, a sensibilidade das mamães e papais, a sementinha do amor sendo plantada como se deve. Que bom. Eu sou totalmente contra a violência, gratuita ou não. Eu não cresci longe de tapas. Alguns foram bem desnecessários e, se vocês querem saber, jamais vou repeti-los. Mas... Compreendo. Sim. Isso mesmo. Compreendo hoje minha gratidão por alguns deles. Meu respeito pelas pessoas, animais e natureza vem da minha educação. Minha capacidade de cativar e manter amigos, emprego e amor vem da minha educação. Meu valor pela família vem da minha educação. E sou bem grata a ela, falem o que falar.

Agora, o que dizer de eventos que tem acontecido por aqui (e que não são inéditos) de adolescentes enlouquecidos e suas armas invadindo ruas e baladinhas atrás de confusão e, bem, atrás de provar sua falta de respeito profunda pelo ser-humano? O que dizer, ainda, de duas declarações que vi esta semana (e que tampouco são inéditas) das mães dos envolvidos, que declararam: A) "Isso é coisa de molecada!" B) "Foi infantilidade mesmo, nada de mais"? Aham. Vamos pensar bem. As mães, nesse caso, são tão desrespeitosas, ou mais, do que seus filhos, certo? Sim. Os frutos imitam a semente. O espelho reflete a imagem a sua frente. Falta de punição de uma atitude como essa só reforça a violência ainda mais e, claro, manda uma bela de uma mensagem de "faça de novo" para esses jovens sem noção. Mães, o poder do 'não' é mais libertador do que vocês imaginam. O 'não' abre portas a seus filhos de convivência com o mundo, com a vida, com vocês mesmas. Todos os dias há notícias de pais tentando limpar a barra dos queridos rebentos. Acho triste. Tão triste, ou mais, do que os crimes em si.

Infelizmente, já conheci (e conheço) criança que não tem limites, agride fisicamente outras crianças e usa termos inadequados até para adultos... Se essa criança não é punida? Não. Se essa criança terá algum respeito no futuro por outrem? Eu acredito que não, mas há quem discorde de mim. Ok. Uma criança é uma benção, luz, amor. É difícil enxergar o depois de maneira pessimista assim? Talvez. Mas, de fora, a gente enxerga e pensa que, se fosse nosso, certamente faríamos diferente. 

Um porre na vida, uma batida de carro, uma palavra mal colocada - isso são coisas de molecada e, mesmo assim, merecem ser podadas. Mas, claro, é o que se espera de adolescentes, não é? Quem não fez ao menos uma coisa dessas na vida? Quem não deu uma mancada com pai e mãe? Quem não fez uma escolha errada na fase mais confusa da vida? Uns mais, outros menos. Mas, os nossos pais (a maioria) estava lá para dar aquele sermão e tirar o carro, o computador, a visita daquele amigo. E a gente sabia que a mancada merecia essa punição e seguia a vida. Sabendo que, no fundo, a gente aprendera uma lição valiosa, além de nos sentirmos bem mal de decepcionar nossos pais e mães, correto? Isso é molecagem. Isso é infantilidade.

Bater, agredir, matar, atropelar e fugir - isso é ANORMAL.  

Eu sei que é duro admitir que há algum problema nascendo na família, mas, ei, fingir que ele não existe é ainda mais duro. E o pior - não apenas para as mamães, papais e filhinhos desses problemas, mas para quem não tinha nada a ver com o assunto e estava no lugar errado, na hora errada, e realmente não merecia ser agredido por um filho mal-educado. Falta de educação machuca.
Eu morro de medo de não saber dar limites, de acabar com uma criança bem agressiva e mal-educada em casa. Mas, acredito também no poder do exemplo. E acobertar criança, adolescente, jovem ou adulto sem noção não é coisa que costumamos fazer dentro da nossa casa. Então, mães reféns de seus filhos, façam o favor de aprender a educar. Antes tarde do que nunca. Melhor que seja antes de um deles sair batendo em outros filhos de outras mães por aí.

p.s. Já ouvi mãe dizer que tem medo da palavra 'disciplina'. Tire essa carga negativa da palavra. Pra que isso? Bem aplicada, ela costuma formar grandes homens e mulheres. Pelo menos, no meu tempo (outro dia) era assim.

****
Em tempo: Vendo o compacto compactérrimo do show do Paul na Grobo, ouvi a galera ao fundo cantando: "All we are saying... Just give peace a chance..." e eu só queria dizer uma coisa: John, you are always right.

E a última frase??? "And in the end the love you take is equal to the love you make" - já decidi. Essa será minha próxima tatuagem. A frase mais linda ever. A frase do meu convite de casamento... Ahhh, John. Sempre você.

2 comentários:

  1. :D
    Arrasou no texto gata!
    Sabe que antes da maternidade eu até sofria em dizer não. Mas aprendi!
    Isso porque eu NUNCA apanhei na minha infância. E tudo que aprendi nessa vida, me foi explicado na base do "pode X não pode". :D
    Bjocas,
    Carol

    ResponderExcluir
  2. Nossa, parabéns pelo seu texto.
    Muito bom mesmo.
    Muito realista.
    Vejo muitos textos "romantizando" a educação, e a gente bem sabe que nem sempre são rosas não é mesmo?
    BJos

    ResponderExcluir