sexta-feira, 27 de maio de 2011

E o pai com isso? (mais um insight)


Eu pensei e repensei esse post umas mil vezes. Queria escrever, mas não sabia se seria bem aceita ou se minhas palavras seriam colocadas da melhor maneira. Enfim. Tirei as críticas prévias de cima da minha pessoa redonda e grávida e resolvi escrever de uma vez. Deixo claro que o que escrevo aqui é apenas a minha impressão de tudo, resultado sempre da minha única observação dos fatos que me rodeiam, da minha experiência de vida. Ok?
Vamos lá...

Eu fui criada 98% pela minha mãe. Ao meu pai, por 22 anos, coube os 2% de finais de semana quinzenais e férias anuais. Talvez menos tempo, já que por volta dos meus 15 anos eu já não passava o final de semana todinho com ele, ficando apenas o sábado ou apenas o domingo. Sempre tinha um evento para interromper nosso tempo junto ou minha preferência pura e simples era ficar na minha casa mesmo, com as minhas coisas. Quem é filho de pais separados, sabe como é. 98% não é pouco, é a vida toda, o dia a dia! É médico, escola, remédio, festinha, lição de casa, salada antes do doce, fruta durante a semana, mingau com muito açúcar quando ficava doente, supermercado, feira, sacolão, farmácia, uniforme escolar, material escolar, reunião de pais na escola, buscar da escola, levar para a escola, trazer amigo junto pra casa na sexta... Claro que nem toda dinâmica familiar de um casal divorciado é assim, mas a nossa era. Esses 98% eram da minha mãe. Esses 98% eram a minha vida, a vida como eu conhecia e curtia. Só que, desde muito cedo, percebi uma coisa que elaborei um pouco mais frente: O pai, o meu, era super-valorizado nas tarefas que cabiam naqueles 2%. Meu pai foi um bom pai, o melhor que ele soube ser e isso já vale mais do que qualquer outra coisa. Igual minha mãe, a matriarca, que é uma mãe intensa e presente. Constantemente presente em minha vida, e isso vale também mais do que qualquer outro padrão que se possa pensar para uma família atual, "ideal".

Não pensem que estou apenas criticando, é uma constatação: Meu pai, quando nos dava comida, cortava meu bife e passava Merthiolate no machucado era O PAI SENSACIONAL. As pessoas em volta se espantavam e elogiavam constantemente. Que pai... que homem. E ele era! Mas por motivos bem distintos do que esses, do que o fazer 'comum de qualquer pai ou mãe com sua cria'. Ele colocava a gente pra dormir! Uau! E o povo em volta ficava impressionado com tamanho comprometimento. O dia a dia da minha mãe era assim também, só que sem os elogios e aplausos constantes. Afinal... Mãe tem essa carga, né? Carga obrigatória. E o pai? O pai tem a escolha... Social e culturalmente ele pode escolher fazer ou não e, quando faz, passa a um status superior - o de pai perfeito, participativo e tudo o mais. Experimente elogiar uma mãe numa rodinha/festa/evento qualquer, dizendo "Nossa, você troca a fralda do nenê também?? Divide as tarefas com seu marido?? Que maravilha! Que mãe mais presente!". Aposto que o povo vai te olhar com espanto. Aposto.

Tenho um caso ainda mais complexo também na minha família... Fulano é O PAI porque troca as fraldas do filho nos finais de semana que lhe cabe. Que pai... que homem... Não deixa de ser. Novamente, por outros motivos que não exatamente por fazer o que a mãe faz dia após dia sem qualquer reconhecimento, não é mesmo? Até há reconhecimento - deixemos a amargura de lado... Mas, a cobrança é maior - há que se mostrar mais do que o comum. Mais do que o esperado. O homem? Não. Mostrando o comum bem feitinho, tá dentro.

Aqui em casa temos uma dinâmica de troca, divisão, compartilhamento de tarefas. Isso sempre foi assim, não é algo forjado. Mesmo assim, meu marido já ouviu perguntas do tipo "E você? Vai trocar a fralda do Heitor? Vai dar banho também?". Para mim é como perguntar se o Heitor vai respirar fora da minha barriga. VAI. Mas, compreendo o pensamento coletivo... bom, o pensamento mais comum. Vivi boa parte da infância e adolescência questionando isso com meus pais. Hoje, questiono com outras pessoas a minha volta... Questiono sozinha. Não compreendo.

E para vocês? O que é um "BOM PAI"? E uma "BOA MÃE"? A sociedade distingue? Será?

12 comentários:

  1. Re, hj em dia os valores estão tão invertidos que um pai participativo e presente (como todos deveriam ser!), é motivo de espanto! O normal virou "óóó"... Comassem minha gente!? Assim como as pessoas me vêem com Leo e dizem "é tão lindo ver como vcs são carinhosos c/ele!" Hein!? E não deveria ser?! O normal não é o pai e mãe serem carinhosos com sua cria independente dele ser diferente ou não!?

    Mundo muito louco! Tá tudo muito surreal nos tempos de hj! Bjs!

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  2. Hoje em dia tudo mudou. Na minha família lembro que meu pai fazia bem menos do que faz hoje para os netos. Hoje curte demais e faz coisas que nós filhos dizemos: "- Poxa vida quando foi que fez isso por mim?! Ou deixou a gente fazer isso ou aquilo!" Tudo muito diferente! Não quer dizer que não foi um bom pai, mas diferente dos dias de hoje. O conceito foi mudando, os pais tornaram-se mais participativos.
    Acho mesmo que os pais precisam dividir tarefas. Isso é bom para o casal e, com certeza, o filho sente, percebe que é amado, querido. Uma relação próxima e saudável entre pai, mãe e filho.
    Re você está grávida? De quantos meses?
    Voltarei mais vezes para saber notícias de vocês.
    Um beijo.

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  3. Nossa, adorei o seu texto, e assino em baixo de tudo o que falou!
    O meu pai fez pouquíssimo por mim e pelo meu irmão mais velho (em questão de cuidados), mas sim, quando ficávamos com ele, adorávamos!
    Hoje, com meus irmãozinhos ele é mais presente, mas ainda não é aquele pai-mãe!

    O Lucas me ajuda com a Lara, bem pouco, mas ajuda. No nosso caso ainda tem o agravante de que fomos pais muito jovens, e ele sempre foi o meninão brincalhão. Já viu né? Quer a Lara só para brincar e se divertir, mas, pegar no pesado mesmo, fica para euzinha aqui.
    Eu canso, claro, mas sei que quem está perdendo com isso tudo é ele. Uma pena. Quem sabe mais para frente ele não ajude mais, não é?

    Espero que ocorra tudo bem ai na sua casa, mas, acredite, a ficha do pai (da responsabilidade e tudo o mais) demora mais pra cair mesmo!

    Beijo! Boa sorte!

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  4. O pai tem tudo a ver com isso, claro! Tbem sou filha de pais separados e o meu pai, eu melmebro, nos levava numa pizzaria qquer e não cortava a pizza em pedacinhos, como fazia a minha mãe. Mas, por outro lado, perto dele eu não sentia medo de nada. Acho que pai e mãe têm sim funções diferentes, mas tbem podem desempenhar as mesmas "tarefas", entende??
    Adoro os seus insights!
    Bjos,
    Camila
    www.mamaetaocupada.com.br

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  5. Rê, concordo com a Camila.
    Aqui em casa o Gu faz tudo com a Alice. Mas sou eu que estou 100% ao lado dela. Pelo peito, pelo tempo. E acabo fazendo mais do que ele.
    Meu pai sempre foi muito presente, porém no trato com as filhas não ajudava muito. Ele era muito frio, tinha uma maneira diferente de demonstrar carinho. Eu sempre fui muito próxima a ele. Éramos muito parecidos.
    Sinto muito a falta dele.
    E acho que é dever do homem cuidar igual. Só acho que a sociedade impões regras que tampouco concordo. Estaria perdida sem o Gu.
    Beijo!

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  6. Oi, Re...cheguei aqui por acaso. Te vi linkada em um blog e o título do seu me chamou muito a atenção. Amo essa música do Ivan Lins.

    Com relação ao seu texto, concordo com tudo que vc falou e faço os mesmos questionamentos. Meu marido abraçou a paternidade com tudo o que lhe cabe e que é tudo que deveria caber aos pais em geral. E noto como isso é incomum quando ouvimos piadinhas dos amigos deles sobre a "presença" dele na rotina dos filhos.

    É daqueles que falta ao trabalho para ajudar quando um filho está doente e me deixar livre para cuidar da rotina do outro. Sorte a minha que ele é bem resolvido, porque com a quantidade de piadinhas que já fizeram, sei não...

    E todos deveriam ser assim. Todos. Porque cabe aos pais os cuidados com os filhos e não somente a mãe. Essa época aí ó, já passou.

    Beijo e vou ficar por aqui, posso?

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  7. Muito bom o post, Re. Acho sim que a sociedade distingue, é bem o que vc falou. A carga para a mulher e a cobrança são bem maiores por ainda vivermos em uma sociedade machista. Assim, quando o homem se torna um pai participante, muitos ainda estranham, infelizmente.
    Que bom que por aí as coisas são diferentes, mais compartilhadas, com mais divisão. Assim todos saem ganhando - principalmente o maior beneficiário, o Heitor!
    beijos

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  8. Olha, é bem assim, né? Se eles fazem no final de semana, nossa, como são bons pais, mas se a gente deixa de fazer durante a semana? Hein? Hein?
    Não adianta, mãe é mãe...
    Adorei o post.
    Beijo
    Gabi

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  9. Oi Flor adorei o post!!
    Sabe que meus pais me olham torto porque meu marido faz exatamente tudo o que faço com as crianças. Qdo a Cissa nasceu ele ficou desempregado por dois anos!! Imagina dois anos em casa, então quem cuidava dela??? O papai!! Com o Antonio foi um pouco diferente, pois ele voltou a trabalhar. Mas os dois trabalhamos fora e qdo estamos em casa ele faz o que na teoria, deveria ser eu a fazer!! Passa as roupas das crianças, faz a mamadeira, faz dormir! E sempre tem um engraçadinho perguntando: vai fazer isso que é seu papel!! Hj em dia eu já sou mais grissonha nas respostas, pode ser meu pai, mãe ou um estrano! Já digo logo. Ele é pai e participa das atividades diarias das crianças. Porque, quer fazer no lugar dele??
    Bjus linda

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  10. Passeando pelo Balzaca vi o link que a Dani fez e cheguei aqui. Gostei muito da sua reflexão... muito me identifiquei... na história de pais separados, nos questionamentos...
    Belo post!
    bjs
    Fabiana
    http://2-ao-quadrado.blogspot.com

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  11. Adorei o Post, vi o link em outro blog e vim aqui te conhecer.
    Passo pelo mesmo questionamento e confesso que esotu sofrendo ao ver meu marido alheio as atividades com minha filha. Fico P da vida e estou tentando relevar. Mas ta dificil.
    Na minha opiniao, aqui em casa, ainda nao descobri qual o papel do pai.
    bjos
    Ligia
    www.nanamamaenana.blogspot.com

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