sábado, 14 de maio de 2011

Filha da Mãe? Mãe de quem? Cuma?

E eu engravidei e a minha relação com a matriarca mudou. Quero falar disso com vocês...
É que é algo tão complexo que nem sempre consigo colocar todas as palavras na ordem correta para me fazer entender, sabem? É bem confuso.
***
Minha mãe esperava um outro neto ou neta ansiosamente. Desde sempre. Quando me casei então, a coisa engrenou! Dona Denize perguntava e perguntava e nos colocava naquelas situações que muitos já estiveram (ou estão). Saco isso. Detestava. Sempre fui da opinião de que não teria filho por pressão, aliás, por motivo nenhum que não fosse o simples fato de eu e meu marido desejarmos. Fim. E assim foi. Depois de dois anos de união, oficialização, resolvemos. Aumentaríamos a família. Depois da decisão, coisa de 4 meses depois eu já estava grávida (sim, meninas, a coisa pegou rapidinho...rs) e me vi na sala do apartamento da minha mãe, entregando-lhe o exame de sangue com POSITIVO circulado com caneta de cheirinho. Ela chorou. Ligou pra Deus e o mundo e nossa nova jornada começou. Para quem não sabe, tenho um sobrinho de 2 anos já, ou seja, Heitor é o segundo netinho da Dona Dê. Mãs... Não convivemos com ele, pois meu irmão é divorciado. Ou seje: Vemos o Nicolas algumas horinhas de um sábado, sempre a cada 15 dias. Percebam que minha mãe não aproveita o neto como gostaria. Percebam² que minha mãe mima o neto até não poder mais nessas poucas horas. Percebam³ que minha mãe anda louca para participar mais e mais da vida do segundo netinho. Até aí tudo certo. Tudo legal.
***
A partir desse momento, em que me vi grávida, tudo mudou. Claro, vocês dirão, tudo muda mesmo. Normal. Mas eu não sabia e não tinha racionalizado a coisa ainda. Eu passei por uma fase longa de insight e tentativa de auto-conhecimento. Digamos que eu passei praticamente 6 meses me questionando, me estressando, lutando contra a mudança (porque, bem, eu não lido bem com mudanças). Minha mãe era parte da mudança. Os conflitos foram inevitáveis e nós nos estranhamos. Muito. Porém, ela se mostrou plenamente disposta a me dar o meu espaço para ser mãe e eu, aos poucos, aprendi a confiar nessa mudança de papéis. Eu me questiono constantemente sobre o que repetir com o Heitor e o que não repetir, em se tratando da educação que tive. Eu me questiono constantemente sobre me sentir 'aceita como mãe' em minha família e ainda ser tratada como 'filha apenas'. Existe uma linha tênue. A relação entre mãe e filhA não é - nem de longe - simples. Duas mulheres que se debatem em busca de espaço para crescimento e, ao mesmo tempo, duas idéias de vida que querem se complementar, mas também se distanciar. Eu acredito piamente que estou me tornando a mulher que desejo ser, claro, com influências mil da minha mãe - impossível ser diferente. Temos nossos conflitos e nossa convivência nunca foi branda... morna... calma... Ao contrário, sempre foi fervente e tumultuada. Mas, há amor, claro, sem dúvida! Há amor e sei o quanto ela deve estar se esforçando para não interferir demais em minha construção interna da maternidade... Só eu posso imaginar o quanto ela deve estar se segurando...rs. Basta saber se conseguirei me manter firme na construção EXTERNA da maternidade de fato. Minha insegurança grita, mas espero apenas que consigamos manter nossos espaços. Tenho fé que sim, minha mãe tem sido ótima! Sempre deixo claro que quero que ela participe da vida do Heitor e da minha vida em família, que me direcione, me guie, me apóie. Acho que estamos caminhando para uma nova etapa da nossa relação - mais madura, diferente. Somos mulheres diferentes agora. Não para o mundo, mas para nós mesmas.
***
Além de tudo isso, eu hoje sou mais capaz de me colocar no lugar dela... em inúmeras situações.
***
Tem uma música do Chico que me faz pensar na minha mãe.
Uns lembrarão do caráter político da letra.
Outros lembrarão da importância melódica do conjunto.
Olha.
Eu lembro de tudo isso e também do dia em que minha mãe cantou essa música sem parar e na maior emoção no videokê da festa do Tio Portela... Acho que a minha mãe é assim...
(p.s. fofildo esse Chico mocinho, né? nada me tira da cabeça que ele é pai da Adriana Calcanhoto, meu povo...)



Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...


Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...


A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...


A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...


O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

4 comentários:

  1. Rê, te entendo muuuuuuito, viu.
    A minha mãe é muito dez. Ela é super prestativa com todo mundo. Zelo. Cuidado. Paparicos. Super proteção...

    Quando o Gui nasceu ela me enlouqueceu. Ela pirou e me pirou junto. No dia que o GO me abandonou, ela me encheu o saco para fazer uma cesária para não termos mais estresse. Mas eu queria tentar o PN e fui pro hospital público. No dia seguinte a bolsa rompeu e fui internada. Sozinha. E ela ficou na porta do hospital enchendo o saco do meu marido pq ele tinha que ter feito a minha cabeça, pq ia dar tudo errado... E me ligava de 5 em 5 minutos. E eu morrendo de dor sozinha e ela me dando esporro. hahaha, louca! Quando o Gui nasceu, o leite demorou 5 dias a dar as caras!!! E eu pedi socorro a ela, lógico. Mas ela está na menopausa e do nada sente um frio... um calor... hahhahah e ela foi dar um banho de balde no Gui e a água estava pelando e eu lá toda desesperada com as tetas disse que a água estava muito quente para ele e ela lá, toda "sissi" dizendo que estava fazendo certo... não deu outra. Ele ficou com febre, fui parar num pronto socorro com ele no 4º dia de vida. Foda,né? Sei que ela tbm estava estressada com medo da filha e o neto sofrerem algo. Mas rolou uma invasão básica de espaço. Tanto que na primeira consulta com a PED, ela não me deixou falar. Acredita?!!! Eu sai de la chorando e dizendo que ela estava querendo ser mais mãe do que eu. Menina ela ficou uma fera. Depois disso, ela viu que eu sou uma mãe maravilhosa e super paciente com o gui e hj vive me elogiando. Ah, mas sempre que saímos juntas para a casa de alguém por exemplo, ela sempre leva separada a comida pra Gui, ou algumas roupas e fralda... ai eu comento que tbm estava lenvando tudo e ela fica ah tá, só pra garantir hahahaaha eu a chamo de Malinha!!!

    nossa que testamento!!!!

    beijo na barrigaaaaaaa

    ResponderExcluir
  2. re, é assim mesmo. te entendo, suuuuper!
    a gente aprende ainda mais quando as crias nascem.
    minha mae respeita muito minhas decisoes, mas vira leoa perto dos netos.
    qdo heitor nascer vc tera uma outra visao da sua mae. no meu caso, me aproximou muito dela. basta me colocar no lugar dela, penso em como serei com meus netos e tudo se torna claro.

    beijo!

    ResponderExcluir
  3. Oi, Renata,
    Obrigada pela sua visitinha lá no Saco de Farinha. Como vi que era gente nova, vim aqui conferir sua casinha e acabei me deparando com esse post. Me identifiquei muito! O problema maior lá em casa foi minha sogra, não minha mãe. Ela tem três filhOs e sempre sonhou com uma menininha. Quando veio a neta, ela às vezes passava por cima de mim e queria ser mãe da Emília. Dizia que ia roubar Emília pra ela, que ia levá-la nas férias pra passar o mês com ela e coisas do tipo. Ela mora em outra cidade. Foi muito difícil no começo, mas depois, conversando muito com o marido, ela foi entendendo a diferença de papeis.
    Eu te daria só um conselho: se você achar que sua mãe está maternal demais, se sentir que ela vai interferir muito na criação do bebê, tome um cuidado especial nos primeiros dias pra não se estressar no puerpério - momento extremamente delicado. Deixe claro que você é a mãe e que sabe cuidar do seu filho. Só assim a gente conquista respeito.
    Bjos!

    ResponderExcluir
  4. Oi Rê!!!

    Passei para agradecer o carinho lá no blog, viu?! Obrigada!!!! Estamos muito felizes, ainda mais agora compartilhando com todas vcs este momento maravilhoso de nossas vidas!

    E a propósito, eu te entendo perfeitamente! Tb passei por essa fase quando estava grávida do Lucas. A relação mãe e filha não é nada fácil, e quando estamos grávidas, parece que tudo vem à tona assim de repente!

    Mas confie bte em si mesma. Tudo vai dar certo!
    Quem determinará a linha do limite é vc mesmo e quando for a hora vc saberá!

    Aproveite sua mãe, e quando precisar de espaço, não tenha medo de se afastar um pouquinho. Ela é mãe, hehe, e certamente irá entender!

    Boa sorte!!!
    Mil beijocas
    Ju

    ResponderExcluir