Tudo que penso em escrever hoje, pós-Heitor, parece que já li por aí em blogs de mamães mais experientes do que eu. Eu estou adentrando o lugar-comum da maternidade tão único, porém, tão visitado e revisitado por muitas de nós - mulheres do mundo moderno, nénaum? A gente pensa, repensa, mexe e remexe na caixa de Pandora de nós mesmas. Os nossos medos estão ali e a gente publica lições de como lidar com eles; lições de como ser engolidas por eles e etc. E a coisa vai caminhando assim... Comum e única. De tão comum, chega a ser complexa.
E a ambiguidade anda comigo/conosco e eu não me canso de pensar em como estou confusa, amedrontada, frustrada e completamente feliz. Nunca em meus 27 anos de bipolaridade quase obsessiva eu me vi em tamanho redemoinho de sensações.
Daí que o povo pergunta: "E aí??? Tá feliz??" - Feliz é uma palavra tão pequena para descrever tudo isso... E o povo me olha com cara de paisagem. E o povo pergunta, ainda "E aí?? Tá curtindo??" e eu ensaio responder um "Não", mas me contenho com medo de ser julgada uma mãe sem coração de um serzinho tão puro e ingenuo como meu filho, uma criança linda de 20 dias de vida.
Sim.
Hoje ele completa 20 dias.
Eu me surpreendo horrores em como o tempo passa depressa e como eu me sinto fora do mundo. A vida passa na minha frente e eu pareço estar fora dela. Vendo tudo rolar de cima de um muro, de um telhado, fora do palco. Não sou mais protagonista, ao menos não por enquanto, e me dou conta de que uma das lições da maternidade é doar-se cega e incondicionalmente & humildemente retirar-se do foco principal de iluminação da vida.
A vida. Essa nova vida que hoje respira fora de mim, se contorce, tem expressões faciais tão peculiares e emite sons distintos dos que eu jamais ouvi me enche o coração de amor e os olhos de lágrimas. Algumas são bem doídas, confesso. Muitas vezes, eu me vejo falando para ele coisas sem sentido, como "Filho, me fala o que você quer, não consigo entender você". Como assim 'me fala'?? Juro que, do jeitinho dele, ele tenta. E a gente vai aprendendo a aprender um com o outro. Depois de um longo choro dele, minha sensação é de impotência, frustração por não compreendê-lo... Se, depois do choro, ele dorme no meu colo, a sensação passa a ser recheada com caramelo e chocolate suíço e morangos silvestres. Juro.
Sei lá porquê um poeminha de Manuel Bandeira não sai da minha cabeça. Eu lembro, inclusive, da aula da faculdade em que o estudei e de algumas das palavras do professor de Análise Literária: "É até ambíguo caracterizar a ambiguidade da vida. É redundante dizer que o chocolate é doce."
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação...
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação...
Assim eu quereria que fosse meu NOVO poema; que a minha vida hoje fosse descrita como a ternura das coisas simples, a chama do soluço sem lágrimas, a beleza das flores sem o perfume tão óbvio, a pureza do fogo e a paixão que faz a gente questionar cada novo dia que nasce...
Posso te falar? Compra AGORA o livro da Laura Gutman, A Maternidade e o encontro com a própria sombra que tudo fará sentido para você, gatona!
ResponderExcluirAdoro te ler. Pena não conseguir comentar sempre!
beijoca em vc e no lindo do heitor!
O livro da Laura é realmente tudibom! :-)
ResponderExcluirE vc escreve muito gostoso!!
Beijos
Tô sem palavras.....juro!
ResponderExcluirBeijo e um abraço bem apertado.
Oi Rê
ResponderExcluirLindo post, lindo poema.
Parabens para o Heitor que ja completa 20 dias!
Querida, este compartilhar é bom demais,l ne?! Pequena que quando os meus eram pequeninos nao tinha um blog, seria tão bom...
Grande beijo e um otimo domingo
Querida
ResponderExcluirLindissimo post! Parabens!!
Estamos juntas nessa jornada viu!!
um bjo com carinho!
Rê!!!
ResponderExcluirNem sei o que te dizer, pode ser só um abraço bem apertado?!
Maternidade é mesmo um misto de emoções, pra sempre, mas a gente passa aos poucos a entendê-las melhor!!!
Um beijo, bem grande!