Aviso: Esse post possui doses
cavalares de #mimimi, #chororo, #dramamexicano, #etc.
DENTES: Seu principal aspecto de simbolismo está associado à agressividade, à
força da mastigação devido aos apetites dos desejos materiais, com eles
mordemos e trituramos. É um instrumento de tomada de posse. Por outro lado,
perder os dentes simbolizaria a perda da juventude, da agressividade, da
defesa, o esmaecimento da energia vital, uma situação de castração, frustração
ou falência. (daqui)
***
Começarei sem enrolação: ele me
mordeu. Heitor, meu filho lindo, mordeu-me o braço tão forte que deixou os
dentinhos marcados na minha pele. Foi uma mordida com raiva, foi uma mordida
dolorida. Foi assim:
Estávamos brincando um pouco na
varanda de manhã cedinho enquanto não dava a hora de levá-lo pro berçário. Ele
estava pronto, cabelos escovados, chupeta, paninho, meia, tênis. Um filho
brincando e uma mãe exausta. Eu explico: Essa noite mal dormimos todos. Heitor
tossiu eternamente por conta de um resfriado sem fim, que resiste bravamente às
constantes sessões de tortura, ops, inalação que aplicamos ao moleque. Percebo
que ele brinca, mas tem as olheiras escuras... Tadinho, está cansado, mal
descansou essa noite. Talvez seja por isso que anda tão birrento, acordou
chutando o mundo (penso eu). Gênia. A criança esperneia a cada ordem dada que
não condiz com seu desejo de criança de ter tudo, pegar tudo, jogar tudo e
engolir o mundo todo de uma vez. A criança não quer nem mastigar a porcaria do
mundo, quer engolir inteiro. Eu tento colocar ordem no barraco, ops, no
salão... Tento colocar limites, tento... enquanto tentava, tomei uma mordida
bem no meio do antebraço. Gênia. A raiva. Fiquei tão louca da vida que
acreditei ser melhor dar um tapa na mão dele... Segurei, mas foi quase. Então, segurei
meu filho, olhei bem nos olhos dele e disse:
- Não pode! Não pode morder a
mamãe! Não pode, filho, machuca...
Mal percebi em que momento eu
interrompi a bronca e sentei no chão da varanda... e chorei... desabei...
Continuei argumentando enquanto soluçava sentida e tinha uma criança em pé,
olhando profundamente para mim. Senti tanta dor, tanta tristeza, tanto desolamento...
Eu me senti sozinha e me senti uma mãe incapaz. Há tempos ele vinha ensaiando
essa mordida de birra, de quando a gente tira algo dele e ele se joga pra trás,
grita, chora... Há tempos ele vinha na direção de qualquer um e qualquer coisa
perto e tentava morder, mas não concluía. Já teve momentos em que ele tentou
morder o chão (analise, colega) e bateu a cara - choro, muito choro de raiva do
pequeno que se sente impotente na frente do mundo que ele quer engolir... Eu
sei que o mundo é grande demais e não cabe todo na sua boca de uma vez,
filho... Mas, há que se ter paciência...
Chorei... choro ainda escrevendo
esse texto porque me sinto uma tonta... ridículo, né? Infantil quase. Gênia. Por
um momento imaginei meu filho andando na minha direção e me abraçando e pedindo
desculpas e me amando e me beijando e me babando toda... Que vergonha dessa
minha infantilidade, necessidade por afirmação, segurança. Eu sou mãe e mãe dá
sem receber até quando... quando puder... né? Enquanto eu chorava, Heitor me
olhava... passou a mão no meu rosto e descobriu a lágrima... Depois, virou pro
lado e continuou a brincar. Eu, boba, chorei ainda mais imaginando que meu
filho não me ama...
Só que eu tinha que estar lá,
colocando um breque, dando uma lubrificada nas atitudes compulsivas do meu
filho de um ano... E, por eu estar lá, do lado dele, é que ele me mordeu.
Estivesse eu longe, ele não me direcionaria sua frustração, eu sei... Mas,
também eu perderia a chance de ensinar. Ele quer romper comigo para buscar o
mundo, movimento natural e necessário. E eu quero colocar ele dentro de mim de
novo... só mais um dia... só mais um dia.
Amiga... que difícil. Eu entendo exatamente o que vc quer dizer. Às vezes estamos tão cansadas da função, do eterno ter que ser a adulta-responsável-cabeçanolugar, que desabamos. Dentro do teu cansaço e das divagações, vc entendeu exatamente o que aconteceu - com ele, ao te morder, com vc, ao sentir e chorar. Vc está sim no caminho certo, não tenha dúvidas. Permita-se chorar, querer gritar, sentir-se exausta. Mas nunca duvide de sua capacidade de maternar. Vc É mãe sim, do seu jeito, para o SEU filho. E é sim uma gênia, eu bem sei!! :P
ResponderExcluirbjao!
Olá, sou repórter do site Bebê (www.bebe.com.br) , da Editora Abril. Me indicaram seu blog e achei uma graça! Tenho uma proposta: No Bebê, lançamos um blog novo chamado Confessionário (http://bebe.abril.com.br/blogs/confessionario/ ), que tem como objetivo reunir confissões de mãe – e fazer um contraponto a essa idealização que se faz da maternidade. A ideia é incentivar a mulherada a se abrir, trocar experiências, falar de dificuldades…Gostaria de saber se você topa escrever suas confissões para o Confessionário. O blog é um sucesso e tenho certeza que as leitoras do Bebê vão adorar ler um depoimento seu. E vou divulgar seu blog no post, com hiperlink. O que acha?
ResponderExcluirMuito obrigada pela atenção.Caso aceite me contate pelo e-mail bruna.stuppiello_clb@abril.com.br .
Att.
Bruna Stuppiello.