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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Parêntesis (e dos grandes)

Eu sou inconstante demais. Sempre fui, imaginem agora. Estou uma pilha de nervos. Marido, assustado, considera me jogar pela janela, mas depois abandona essa idéia com toda paciência do mundo. Eu, irritada, considero jogar-me pela janela, mas depois abandono essa idéia, descontente e bem estressada. Fazer o quê?
Dizem que é culpa dos hormônios, mas eu acho que estou com medo, aterrorizada, assustada, querendo mesmo é me trancar numa salinha e ali ficar nos próximos 7 meses. As pessoas acham que é certo compararem nossas habilidades maternais justo agora, que nosso corpo está em ebulição. "Ahhh, Renata, tem que ir treinando, hein", eu escuto enquanto brinco feliz da vida com meu sobrinho no chão da sala. "Xiiii, se atrapalhou toda para trocar a frauda dele. Hahahahahah.", como se eu fosse a pessoa mais incompetente da face da terra, minha gente. Isso eu ouvi mesmo antes de engravidar e agora... Tá bem pior.
É momento de filtrar, eu sei. Filtrar o que se escuta, filtrar bem em que/quem acreditar e quais conselhos ouvir. Eu sei. Mas, meu filtro não está no automático ainda e, sim, eu sou encanada ao cubo por natureza.
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Tenho pouco contato com bebês. Pouquíssimo. Meu sobrinho é fruto de um casamento terminado antes mesmo dele nascer, então, posso dizer que minha cunhada e eu não somos muito próximas. Consequentemente, eu acabo por vê-lo junto com meu irmão: a cada quinze dias, num sábado. Eu troco uma frauda aqui, dou uma papinha ali, mas nada que me faça adquirir habilidades super-ultra-mega-power-avançadas.
Tenho primos que tem filhos, mas que pouco vejo. Moram em Santos, em Guarulhos, no fim do mundo ou em SP mesmo, mas a vida nos afasta. Eu corro, trabalho, faço as coisas de casa, vou ao mercado, vou à Cobasi, vou fazer as unhas e a vida passa. Mas, mesmo assim, não acho que eu deva fazer 'escolinha' para criar bem um nenê. Gente - o nosso é sempre o nosso e ele acaba se acostumando com o nosso jeito, correto?
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Como eu sou atrapalhada... Ontem me peguei chorando compulsivamente igual uma criança, pensando "Como posso criar um nenê decentemente? Como posso educar se eu mesma sou hiper atrapalhada? Desorganizada? Tapada? Estressada? Certamente farei um estrago na vida dessa criança, coitada, e ela vai me detestar por toda a vida! Melhor começar a guardar dinheiro para terapia já. Buáááá"´. Marido me pega nessa condição: toda descabelada, olhos inchados, me abraça e diz que vai dar tudo certo. Diz que ele tem medo igual, mas que vai dar tudo certo. Ok... Marido é fofo, eu sei, mas não é igual não, queridão! KKKkkk. Como a gente faz drama...
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Nem preciso dizer mais. Sei que quem é mãe me entende, né Sisters? Eu queria me afogar num vinho ao som de bolero, mas não posso. Vou ouvir bolero sem vinho mesmo que o choro vem. Fácil fácil. 


Imagem DAQUI, com ótimas dicas para aprender a engolir o choro.