sábado, 26 de fevereiro de 2011

A CASA É SUA!!!

Sei que é cedo.
Sei que ainda falta um tanto... como dizem.
Sei que quando eu estiver mais perto do final, a ansiedade será ainda maior...
Mas hoje HOJE HOJE - A ANSIEDADE ESTÁ DEMAAAAIS.

p.s. ando doida pra ver a carinha do meu princípe... 

***

  A Casa é Sua by alvarobrasil

(Arnaldo Antunes e Ortinho)
 
Não me falta cadeira
Não me falta sofá
Só falta você sentada na sala
Só falta você estar

Não me falta parede
E nela uma porta pra você entrar
Não me falta tapete
Só falta o seu pé descalço pra pisar
Não me falta cama
Só falta você deitar
Não me falta o sol da manhã
Só falta você acordar
Pras janelas se abrirem pra mim
E o vento brincar no quintal
Embalando as flores do jardim
Balançando as cores no varal

A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora

A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio

Não me falta banheiro, quarto
Abajur, sala de jantar
Não me falta cozinha
Só falta a campainha tocar

Não me falta cachorro
Uivando só porque você não está
Parece até que está pedindo socorro
Como tudo aqui nesse lugar

Não me falta casa
Só falta ela ser um lar
Não me falta o tempo que passa
Só não dá mais para tanto esperar
Para os pássaros voltarem a cantar
E a nuvem desenhar um coração flechado
Para o chão voltar a se deitar
E a chuva batucar no telhado

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Jornada (Interna e Externa) de Quem Trabalha em Casa

Sou tradutora.
Sou tradutora freelancer.
Sou tradutora freelancer e trabalho em casa.
Isso já faz um tempo... Saí da faculdade e fiquei aproximadamente 3 anos em empresa, vim pra casa, voltei pra empresa e agora estou em casa novamente... Quem é tradutor ou conhece algum sabe que esse deslocamento é inevitável. Chega uma hora que não vale mais à pena trabalhar em empresa. Chega uma hora que a casa da gente acaba mesmo se tornando nosso ganha-pão indireto. Porque, claro, eu tiro vantagem do meu conforto para aumentar meu poder de concentração - tão necessário para o meu trabalho. Fim.
Mas, essa escolha de profissão tem muitos lados ambivalentes.

Muitos já me disseram "Nossa, que sorte a sua trabalhar em casa! Delícia! Uhuuu", mas a coisa não é bem assim. É preciso desenvolver uma certa disciplina para isso. É preciso, sim, seguir horários, prazos e ter mínimo de bom senso para não 'farrear' mais do que trabalhar de fato. No começo, é mais difícil. A gente pena para encontrar nosso ritmo. O quanto rendíamos na empresa é bem diferente do que passamos a render em casa... Depois desse período de adaptação, a gente passa a determinar limites internos, horários de pausa bem pessoais e necessários e a coisa vai andando. Sim, eu faço meu próprio horário e isso não tem preço. Confesso que diariamente tenho conflitos de ex-corporativa. Por exemplo: penso na vantagem imensa de ter benefícios, certa estabilidade financeira, poder usufruir - hoje - de licença maternidade remuneradinha.... Mãs... Penso no lado do conforto, no ganha-pão de pijama, no dormir até a hora que eu escolho de acordo com meus projetos... Isso é único, sim, ainda mais numa cidade maluca como São Paulo.

Acontece que ando tendo alguns conflitos. Isso não é coisa recente, é coisa de uns 2 anos pra cá - pelo menos.
Além do meu conflito profissional velho-conhecido (eu juro que procurei uns posts que já havia escrito sobre, mas não achei! Faz assim - quem achar que vale, dá uma lidinha nas postagens anteriores a essa minha fase monossilábica, tá?) eu tenho um conflito familiar. Calma, tchô explicar:

Hoje, grávida, sei que Heitor precisará de mim em casa por um tempo, até que a dinâmica natural me faça voltar ao centro e repensar as bordas... Repensar o futuro. O tempo meio que pára para nós e tem que andar para eles e a gente sabe que terá que ajudar um novo ser a atravessar a ponte entre ele mesmo e o seu mundo; entre nós e o nosso mundo. Cada um tem um plano, um prazo. Algumas mamães tem que seguir a licença maternidade, outras saem do emprego, outras, como eu, ficam #MEI-ALI-MEI-AQUI... Desde o início do meu relacionamento com o Beto, fiz meu pezinho de meia e, com algumas ajudas externas, me preparei financeiramente para ficar, pelo menos, 2 anos em casa com ele e depois, com o pitoco na escolinha, retomar meu plano de reviravolta profissional; talvez iniciar uma outra graduação... Ok, perfeito. Isso está sendo executado desde já. Marido a postos...rs.

Porém, para mim, o FICAR EM CASA tem dupla conotação, correto? Ficarei eu em casa sem nenhum trabalhinho (consequentemente, sem nenhum ganhinho $) ou depois de um tempo inicial (6/7 meses) posso voltar a pegar alguma coisinha por aqui mesmo? Continuar na mesma área, ao menos até o prazo de 2 anos do Heitor...

Bom... 

Eu passei por três fases de trabalho em casa:
1) Trabalhava em casa e ainda morava com a minha mãe.
2) Trabalhava em casa e morava sozinha.
3) Trabalhava em casa e morava com o Beto/marido atual/companheiríssimo.

Confesso que a fase nº 2 era a mais confortável, pois eu realmente não tinha ninguém que dependesse de mim, da minha atenção. Era uma fase livre. Nem melhor, nem pior - diferente. A fase atual atrapalha um pouco o andamento do meu trabalho, uma vez que o horário do marido é flexível também. É duro ficar 8 horas na frente de um computador com trabalho de casa para fazer ou com alguém que demanda certa atenção, correto? E com Heitor, então?? Mais atenção ainda... É claro que o Beto me ajuda - e muito! Tenho faxineira 2 x na semana e ela aumentará seus dias aqui depois do nascimento do pequeno.... Uma pessoa de extrema confiança que me conhece já desde bem antes da fase nº1... Ou seja, vale ouro. 

Perceberam o conflito?

O desabafo tem conclusão, calma... -> Decidi desencanar disso agora. Só saberei na hora H mesmo. Só saberei se Heitor me dará umas horinhas para algum projeto na hora. Conheço duas pessoas que são freelancer e conseguiram organizar casa e trabalho com um nenê disciplinado para isso. Conheço quem me diz ser impossível. Vejam bem - o trabalho não consumirá meu dia como um todo! A agência em questão (que passa alguns projetos) sabe que terei menos tempo, diminuirei a quantidade de trabalhos... Super legal, ok. O trabalho, mesmo que esporádico, me ajuda a manter o foco, ajuda nas despesas pequenas de casa (já que o Beto segurará a onda nesses meses todos)... Mas, pode ser que eu ache tudo isso dispensável e pense apenas em retomar a profissão depois que o pequeno esteja mais independente. É bom saber que tenho as duas opções. 

p.s. O que motivou o post foi: Marido hoje em casa interrompendo meu trabalho - sem querer, sem perceber... Marido que sente certo distanciamento entre nós quando eu estou o dia todo no escritório terminando um projeto grande para segunda-feira e ele quer almoçar junto - não posso hoje. Porque seria mais fácil compreender se eu estivesse na rua, horário comercial. Certo? Eu entendo que não é fácil lidar com o nosso tipo de trabalho. Não é um trabalho de criatividade. É um trabalho de isolamento. Quieto. Por isso, minha revolta/raiva atitude com o marido hoje foi conversar sobre. Ele, muito fofo, pede mil desculpas e fica no cantinho dele. Eu, trabalhando, me preocupo com a casa e com ele e com meus outros papéis num mesmo ambiente de trabalho/conforto... Tudo indica que será difícil dividir tudo isso com um baby, mas não impossível... Veremos, né não? Sei que muitas devem pensar: Ah, se você não precisa do dinheiro para bancar a casa, isso seria dispensável... Bom, não é bem assim... Simplesmente largar os contatos profissionais de tradução que tenho hoje me deixará para trás... E pode ser uma saída sem volta...
Obrigada por ler até o fim! Até eu cansei de mim.... ufa...


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Comassim???


E comassim que eu fico tanto tempo sem postar e, quando posto, escolho videos ou fotos já prontinhas, né não?
C-O-M-A-S-S-I-M-???
***
Bom, o fato real é que estou sem palavras para descrever minha vida hoje. Aliás, é até estranho falar ou escrever 'minha vida', pois ela não é mais só minha. Pertence também a uma nova vida que, ao mesmo tempo, não é minha - é do mundo. Mas, o mundo, generoso e compreensivo, nos empresta essa vidinha por um tempo e nos deixa ensinar tudo que podemos a ela, passo a passo, literalmente.
Desde sempre desempenhamos mil papéis, não apenas um como pensam alguns erroneamente. Acontece que esses mil papéis ficam turbinados e caóticos quando adicionados um outro, assim, de nome curtinho e despretencioso - MÃE.
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Nossa... A palavrinha tem apenas três letras e carrega o mundo, não é mesmo? E como descrever esse mundo num post? Ainda não sei, não encontrei esse caminho.
***
De resto, apesar de não querer transformar esse blog num blog materno exclusivamente, digo que é impossível não incluir essa temática - mesmo que de leve - nos posts a seguir. Impossível desconectar a Mãe da Renata nesse momento.
Quero dizerm que Heitor (simmmmm, nominho mais do que decidido) está bem, pimpão e fanfarrão no meu ventre, borboletando bastante. Na última medição ele estava com 18cm e 240gr, agora (2 semanas depois) deve estar maiorzinho. A mamãe está bem, BIPOLAR, claro, mas bem. O cocô ainda não travou - oh yes - e as dores das costas já se fazem presente. Os pézinhos incham e desincham e a aliança já está fora do dedo faz tempo... Ando toda felizinha com vestidos - coisa inédita - e já começo a me empolgar com a organização do ninho para o rebentinho.
***
Pra quem estava sem palavras, até que escrevi bastante, minha gentem!
Beijos!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Engrossando a Campanha




Dá licença, sou mãe e tenho um companheiro que desejo que esteja ao meu lado nesse momento tão especial.
Dá licença aí, pô.

:)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

De umbigo a umbiguinho



(Toquinho)

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe já pulsava sem querer
O meu pequenino coração,
Que é sempre o primeiro a ser formado
Nesta linda confusão.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe já comia pra viver
Cheese salada, bala ou bacalhau.
Vinha tudo pronto e mastigado
No cordão umbilical.

Tanto carinho, quanta atenção.
Colo quentinho, ah! Que tempo bom!
De umbigo a umbiguinho um elo sem fim
Num cordãozinho da mamãe pra mim.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe me virava pra escolher
A mais confortável posição.
São nove meses sem se fazer nada,
Entre água e escuridão.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe começava a conviver
Com as mais estranhas sensações:
Vontade de comer de madrugada
Marmelada ou camarões.

Tanto carinho, quanta atenção.
Colo quentinho, ah! Que tempo bom!
De umbigo a umbiguinho um elo sem fim
Num cordãozinho da mamãe pra mim.

p.s. Existem laços e laços... claro. a mãe não é só quem carrega na barrigola, mas quem decide carregar o nenê no coração a vida toda. Porém, sinto hoje um amor que nunca nunca nunca senti antes. Parece clichè? Talvez seja... E que amor não é?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Aviso da Lua Que Menstrua

(Elisa Lucinda...)

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
 

Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
 

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.


Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.


Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente


Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?


Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:


Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Música, parte I

Sempre amei música. Desde que me conheço por gente. Minha mãe também e, consequentemente, ela influenciou muito meu gosto musical geral. Tínhamos um móvel-vitrola, enorme, hiper-ultimate-avançado para os anos 60 (nascimento do móvel). Nos anos 80, quando eu e meu irmão viemos ao mundo, ela já tocava de tudo, de samba a rock, de chorinho a sertanejo. Tínhamos uma coleção razoável de discos de vinil e a mania da minha mãe era dar discos de presente para mim, assim que completei meus 5 anos. 
Meu primeiro foi um LP da Rita Lee.

Depois veio um do Caetano e um da Gal Costa. Esses eu lembro bem, pois era facinada pela Vaca Profana do Caetano, se vocês me entendem... Ainda sou, aliás, até hoje... essa é uma das músicas que me fazem chorar sem porquê.

Enfim, daí vieram vários... Elvis, The Beatles, Queen, Maria Bethânia, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento... Cantores e Cantoras que minha mãe adorava e, assim, introduzia-os a nós. Meu irmão não ligava muito e hoje faz parte dos caras-moleques que escutam música só quando vão a micaretas (aham). Já eu nunca escutei músicas em micaretas (porque nunca fui em uma), mas continuo me emocionando com cada música que já me tocava na infância. Claro, ouvíamos músicas 'próprias' também, tínhamos a coleção disquinho, tínhamos a coleção de discos do Toquinho... Mas em casa reinava o que chamo de Liberdade Musical. Jamais fomos introduzidos ao mundo das éguas-pocotós, claro, mas fomos apresentados ao universo da música boa. Simples assim.

Se eu farei igual? Certamente...
No meu Ipod tem Lenine, Elis, Maria Gadú, Queen, Pearl Jam, Jason Mraz, Beatles, U2, Tom Zé e Chico, etc...
Nos domingos, colocamos todos eles para nos emocionar no som de casa enquanto eu faço o almoço...
E, sim, meu pequeno ouvirá tudo isso, além de tudo o que ele quiser.

Pequeno assistindo ao show do Queen... coisa mais fofa...