sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

OS NÚMEROS

Filho, dia 24 você completou 6 meses.
Era véspera de Natal e a mamãe se perdeu, se atrapalhou.
Dia 22 você iniciou nas papinhas salgadas e a mamãe se atrapalhou um pouco, mas está pegando o jeito.
2011 foi um ano querido, especial, filho.
Se hoje, aos 6 meses, você vira de um lado e de outro, balbucia um monte de palavra sua, grita e gargalha lindamente, é porque passamos por bons bocados antes disso, né?
2011 somam 4.
2+1+1
É um número legal, filho. A mamãe se amarra em números. Não que eu entenda disso, mas eu só gosto.
Nós três vivemos uma revolução por dentro e por fora.
2011 foi o ano em que você me fez mãe. O ano em que eu errei absurdamente e acertei também.
Foi o ano em que eu mais chorei na vida.
O ano em que eu mais ri na vida.
O ano em que eu mais gastei dinheiro.
O ano em que eu mais fiz contas para ver se o dinheiro daria.
O ano em que eu mais amei seu pai repetidamente, mais e mais.
O ano em que eu mais amei.
O ano em que eu conheci um homem que eu não conhecia antes ao meu lado.
O ano em que ele me conheceu mãe, mais forte e decidida.
O ano em que brigamos, nos desencontramos e nos resgatamos.
O ano em que eu aprendi mais lições na minha curta vida de 28 anos.
O ano em que eu amadureci 10 anos.
O ano em que eu envelheci uns 15, só de olheiras e dores nas costas.
O ano em que eu rejuveneci uns 20, só de gargalhadas que demos juntos.
2011 será para sempre um ano inesquecível.
Agora vem 2012, filho, e a gente continua se encontrando a cada segundo nesse percurso.
Logo você fará 7, 8, 9 meses e eu me sinto privilegiada em ter conhecido um carinha tão legal quanto você.
Eu me sinto privilegiada em poder acompanhar todos os 'primeiros' momentos a cada novo mês.
Em 6 meses você me deu tantas alegrias, que eu não poderia deixar de lhe agradecer por ter me escolhido como sua mãe (como eu acredito que deve acontecer nesse mundo). Eu não poderia deixar de agradecer a Deus, ao Deus que eu acredito, por ter mais um dia ao seu lado. Por cada nascer do sol que assistimos juntos... por cada golfada na minha blusa e por cada cocô. Sim, não ria, é verdade! Eu agradeço por cada obstáculo e por cada lição.
Em 2011 eu aprendi que eu posso, sou capaz.
Em 2012 seguiremos aprendendo juntos.
***
Desejo a todos muita saúde e vontade de seguir. Junto. Sempre junto.
Vontade, fé e saúde.
O resto é resto.
***
porque aqui a gente cospe na cara do mal-humor, chegado!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Que a força esteja com vocês!

Olá, pessoas que perdem tempo lendo as besteiras que eu posto aqui... Eu penso em vocês quase todos os dias, sabiam? Fazem parte da minha vida, dos momentos de calmaria em que eu consigo parar um pouco a rotina louca e pensar em mim... 
No dia de hoje, eu quero desejar a todas/todos que passam por aqui um excelente Natal. Que vocês encontrem forças para acreditar no ano que vem chegando. Que vocês encontrem forças para deixar de lado qualquer probleminha chato desse ano que está terminando. Que vocês encontrem forças para enfrentar o leão de cada dia, hoje e sempre. Às vezes, a gente nem chega a matar o coitado... mas, damos um belo susto no sujeito, não?
Que vocês encontrem forças simplesmente.
Que vocês nunca se esqueçam de que os filhos tem a lição mais importante a nos ensinar - a magia de continuarmos sendo criança por dentro, mesmo que um pouquinho. Precisamos continuar. Precisamos. Precisamos nos lembrar de rir das situações ruins, rir de nós mesmos, rir do espelho, rir do mundo. Mas, não falo de um riso prejudicial, maldoso... falo de um riso puro, um humor verdadeiramente infantil. Precisamos comer chocolate num dia comum e nem sentir culpa por isso. Precisamos amar nosso corpo, nossa vida e nossa família. Nossos amigos e os amigos dos nossos amigos. Precisamos amar.
Que vocês encontrem forças para amar simplesmente, apesar de.
Apesar daquela cara amarrada, daquela grosseria gratuita, daquele rancor inexplicavelmente doloroso. Apesar dos tombos, levante.
Apesar das lágrimas, sorria!
Que nesse novo ano, vocês tomem ao menos uma chuvarada na cabeça. No meio da rua.
Que vocês tomem, ao menos, uma taçona de sorvete de chocolate com cobertura.
Que vocês brinquem no chão com os filhos, na lama, na areia suja do parquinho.
Que vocês se joguem na piscina. Assim. Fazendo aquela bomba e molhando todo mundo em volta.
Que vocês sejam vocês... e se sintam confortáveis sendo vocês.
Eu, para mim, desejo apenas ser feliz. AGORA. Nunca mais planejo sem cumprir. Nunca mais deixo para amanha.
Prestem atenção. O amanha é uma ilusão.
Boa sorte. Boas Festas. Bom Natal. Boa Vida!
****

****
O amor renasce todos os dias... olha em volta... e vê.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Metas para 2012

Eu programei o post de Feliz Natal e não programei esse pro dia 31 porque ordenar não é comigo, entendam. Eu penso num troço e tenho que fazer na hora, tal o grau da minha ansiedade patogênica.
Pois é.
Resoluções.
Eu sou a rainha de resolver e não fazer. Planejar e não agir. Prometer a mim mesma e não cumprir. Mudar de idéia. Área profissional imaginária. Cursos. Largar na metade, começar outro e não terminar. Sou a rainha de começar e não terminar. Um dia eu conto minha trajetória e vocês vão é rir da minha cara. Aposto.
Só que eu hoje sou mãe e me sinto mais madura, mais inteligente e responsável e mais capaz de cumprir minhas resoluções... Obrigada, agora pode rir de novo.
E vamos a elas:
1 - Organizar as contas de casa, ou seja, organização financeira.
2 - Organizar as coisas de casa, ou seja, organização espacial - armários do quarto são os primeiros.
3 - Aprender a fazer sushi/sashimi e etcéteras japas.
4 - Emagrecer 10kg - pra começar, dez quilos num ano é possível, vai.
5 - Fazer algum tipo de exercício físico - algum tipo... pode ser aquele mesmo que vocês pensaram, ou outro mais regularmente.
6 - Organizar a primeira festa do meu pitchucolino lindão
7 - Organizar meus planos profissionais - e colocar em prática ao menos a parte introdutória (falarei mais quando chegar decidir tudo com mais calma)
8 - Cuidar mais da minha pele - lavar, adstringir, hidratar - pelo menos - todos os dias.
9 - Fazer um baita check-up medico com tudo e mais um pouco.
10 - Agora vocês vão rir... Mas, minha meta de vida é conseguir ter um pensamento positivo todo dia, assim que acordo. Então, a última meta tem a ver com otimismo. Quero ser mais otimista esse ano.
***
E vocês? Já organizaram suas resoluções para 2012? Fazem isso todo ano e nunca seguem, como eu? Não fazem e acham a maior babaquice do mundo?
Falaê!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Antes era e hoje É

Um dia fui outra
Outra que caminhava diferente, pé-após-pé-após-pé sem demora
Era outra que dançava diferente, braços ao vento sem ordem, sem culpa, sem companhia alguma
Era outra dentro de mim e outra fora para o mundo que nem me conhecia
e eu nem fazia questão que conhecesse
Um dia fui outra
Uma outra de quem já nem me lembro mais

Acho engraçado que algumas palavras de ontem soam ridículas hoje.
Hoje elas andam por aí sem dono, porque eu já nem as quero mais.

Um dia fui aquela que não vivia as manhãs
Que não cantava e se remexia para entreter teus olhos
Um dia fui aquela que não mexia um músculo para te fazer sorrir
Um dia fui aquela que não te esperava e nem conhecia o mundo com você pisando nele.
E eu fui e passou e hoje desejo ser cada dia mais esta.
Esta que caminha, dança, canta e espera, conhece e sonha junto contigo, filho.

Acho engraçado que alguns dias ainda sinto falto daquela de ontem
Ontem ela andava por aí sem dono, porque ninguém vivia dela e nem para ela

Mas essa saudade não exclui a felicidade que sinto em ser esta de hoje, filho.
Apenas complementa.
Complementa cada sonho, adiciona pimenta em cada lembrança antiga
e me faz entender, um pouco mais a cada dia, o quanto eu era pouco
O quanto eu tinha pouco
Antes de ter você.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

e quando?

e quando a gente acha que não vai dar conta de se dedicar exclusivamente à maternidade pelo período pré-escolar da cria, ou seja, dois anos? e quando a gente quer produzir, precisa de grana, precisa? e quando a gente não tem tanta certeza do que fazer? e quando a gente sente que nao tem mesmo talento pra nada? e quando os medos se acumulam? e quando a gente se engustia? e quando a gente percebe o erro de não ter planejado muita coisa antes do baby? e quando a gente sente falta dessa vida de antes? e quando a gente quer mais? e quando a gente se sente culpada por querer mais? e quando um pequeno depende de nós 100%? e quando a gente reclama, mas não consegue se deligar dele nem por um segundo? e quando a nossa auto-estima está no chão? e quando a gente não se sente mais atraente, mais nada? e quando a gente não tem perspectiva? e quando a gente acha que não vai dar conta?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sobre pés

Heitor tem os pés iguais aos meus. O formato das unhas, dos dedos, o fato do segundo ser maior do que o dedão... Igualzinho. Eu notei isso agora mesmo, enquanto ele adormecia. Não é incrível? Concordem comigo.
***
Heitor tem a mesma mania que tenho com os pés. Eu vou contar algo extremamente pessoal aqui só para ilustrar essa afirmação, porque, né... Precisa. Eu esfrego os pés no lençol para pegar no sono. Esfrego de um lado, do outro, deito de bruços e esfrego os dedões um no outro, no lençol de novo, enfim. É tudo muito complexo e exige demais da minha estrutura cerebro-criativa. É uma mania INCONTROLÁVEL. Ok. Ontem, observando Heitor dormindo de ladinho, vi que ele mexia os pés igualzinho. É. Meu filho é meu e ninguém tasca. Imaginem só a importância dessa descoberta! Além de ser fofo, é a prova de que nossa característica familiar de esfregar os pés no lençol para pegar no sono não será extinta. É a prova de que nossos pés serão lembrados por gerações e gerações até o fim dos tempos. Eu fiquei felizona de notar algo tão semelhante a mim no meu pequeno... Tanto que até viajei absurdamente na maionese.
***
Sempre me coloco a pensar sobre o que vou deixar para Heitor quando me for desse mundo. Se eu me for mais tarde, que assim seja, eu quero deixar a minha paixão pela cozinha. Eu amo desde utensílios até o que se pode fazer ali. É mágico. Só que ninguém passou essa paixão para mim; é algo que veio de dentro mesmo. Não que eu seja assim, aquela coisa maGavilhosa, mas eu quero dar isso a ele. Imagina meu filho, chef famoso, dando uma entrevista-Nigella-style e falando em como se inspirou nos meus pratos, em como se lembra do cheiro de ervas nas minhas mãos quando o embalava, que sempre a casa tinha cheiro de canela, bolo recém assado, cheiro de chocolate Belga, bem poético. É, Dona Maionese, é nóis.
Sem pressão, filho. Pode ser o que você quiser, mas vai aprender a fazer uma omelete decente pelo menos (ou quem sabe um bolo de limão divino, néam?)
***
Porque eu amo limão e ponto. Será que meu filho vai curtir limão?
***
Esse lance parece bobo, mas nem é. Eu lembro que tive uma crise adolescente braba com esse lance de 'parecênça'. Eu, filha adotiva que sou, buscava na rua semelhanças comigo. Semelhanças físicas, claro. Ai que besteira, né? Não, não é. Veja esse lance do pé do meu filho - identificação. Isso é inato ao ser-humano; a gente se sente seguro num ambiente conhecido. Claro que essa busca minha acabou e eu nunca mais encanei com isso (depois de passar toda a adolescência sofrendo com essa coisa aí).
O fato é que a cada semelhança física que observo no meu pequeno, mais feliz me sinto. Sou pequena? Superficial? Não. Eu posso dizer isso porque vivo a experiência de ser de uma família que não era originalmente minha, mas na qual se construiu um amor genuíno, com problemas, brigas e amores igualzinhos aos de qualquer outra. Eu vivo a experiência da total falta de identificação física e, mesmo assim, do núcleo familiar constituído sem qualquer distinção da sua ou de qualquer outra família. Porém digo que, como muitos que compartilham a mesma história, eu admiro familiares 'parecidos' ou 'iguaizinhos'. Sempre admirei. Sabe aquele filho que é xerox do pai e todo mundo (o mundo inteiro mesmo, sem exagero) comenta isso e se admira a cada encontro e tals? Então. Eu via isso em amigos e adorava, achava o máximo. Eu virava tipo fã daquele pai cujo dna inteirinho estava no filho. Ah, era lindo de se ver. Um tio meu diz que quando uma criança parece tanto com um ou outro é porque aquele DNA da 'parecênça' é o mais forte. Pura besteira biológica, mas é bonitinho, né?
***
Então que o código genético que diz que eu curto esfregar os pés no lençol para pegar no sono é fortão, mano, e tá no Heitor todinho.
Tóóóóma.
:)))
Daqui

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nascer de novo - de-no-vo-

(Bruna Caram)

É como se o tempo que eu levei
pra saber tudo o que sei
provasse eu não saber nada.
Por todo o caminho que andei
pra cada passo que dei
voltar ao início da estrada.
E desfazendo cada defeito
desvendando um jeito
desenhando a saída.
Que é pra viagem
ser só de ida,
mas sem haver despedida.
Te ter é como nascer de novo
não reconhecer nada ao redor
desatar o nó, quebrar a casca do ovo
a dura carapaça da dor.
Por tudo aquilo que já pequei
e cada ato que errei
é como estar perdoada.
E livre do que então carreguei
cada cilada em que entrei
de cada porta fechada.
Viver trilhando o caminho certo
é olhar mais de perto
o universo em mim.
Que é pra poder seguir adiante
não me sentir mais distante.
Te ter é como nascer de novo
não reconhecer nada ao redor
desatar o nó, quebrar a casca do ovo
a dura carapaça da dor.
Tenha paciência comigo
Saiba que ainda estou
Sem ver onde piso, é repentino e sem aviso
A terra perdida à pele, a paixão ardida…
Te ter é como nascer de novo
celebra o que em mim é maior
minha nova instância: descobrir a todo instante
cada nuance do que é o amor.