Faz tempo que estou para escrever esse post, mas, como acontece com a maioria da nossa espécie, faltou-me tempo. Quando tive um restinho de tempo, faltou-me energia. Estava cansada. Mas, eu tenho um jeito pessoal de lidar com o cansaço: Eu deito um pouco, no sofá ou quarto, ligo meu Ipod e penso. Cada trilha sonora me leva a certo tipo de pensamento e foi num desses pensamentos que me dei conta da pergunta universal que anda rondando minha mente nos últimos meses: Quando estamos prontas para nos tornarmos mães?
Quando exatamente sentimos que é hora de reproduzir, expandir a família, colocar um serzinho no mundo para viver entre nós? Sim, o mundo é cruel e eu já me peguei desistindo desse pensamento justamente por isso. Pra quê colocar mais um ser humano num mundo como esse? Bem... Eu vivo num mundo como esse e tenho momentos bons e ruins. Acredito que o propósito da nossa vida é criar a geração que virá depois de nós e ponto final. Desisti de desistir do tal pensamento. As simple as that!
E, desistindo, voltei-me para o questionamento inicial: Quando? Eu moro com meu namorado há mais de um ano e estamos juntos há mais de dois. Nós nos damos bem, somos apaixonados e nos amamos profundamente, eu sei disso, eu sinto. Sei que ele quer ser pai e sei que isso vai acontecer, eu sinto isso também. Mas, quando? Ultimamente eu tenho sentido um ímpeto tão grande nesse sentido que está quase difícil de controlar, mas ainda temo não estar pronta. Dizem as mamães mais experientes que, se pensarmos em cada detalhe, nunca faremos nada, muito menos ter um filho. Minha mãe diz isso sempre, motivada pela experiência e pela vontade extrema de ser vovó novamente. Aliás, penso muito na minha mãe.
Eu e meu irmão somos adotados e fomos integrados à família após alguns anos de tentativas frustradas dos meus pais em se tornarem Pais. Eles tentaram, minha mãe perdeu dois bebês (um já formadinho, 6 meses de vida) e, depois de alguns anos, decidiram que era melhor mudar de estratégia. Sendo assim, penso eu: E se demorarmos demais para iniciar o processo e algo assim acontecer e tivermos que mudar de estratégia também? A gente começa a pensar que se tivermos um filho com 26 anos, teremos 36 quando ele tiver 10 anos, 46 quando ele tiver 20 anos e estará independente e poderemos viver uma vida a dois tranqüilamente de que demos nossa contribuição ao mundo. Por outro lado, meu marido terá 42 quando a cria nascer, 52 quando ela tiver 10 anos e 62 quando ela tiver 20. Isso não quer dizer nada, eu sei, mas a gente pensa. Pensa se terá energia para acompanhar um ritmo do qual a gente nem se lembra mais quão rápido é. Meu pai morreu com 62 anos e eu já tinha 25 anos. Não acompanhou o meu ritmo, e eu tampouco acompanhei o dele. A vida foi assim. Sim, isso não quer dizer nada, mas a gente pensa.
Outro dia li uma matéria sobre isso na revista Vida Simples (revista da qual eu gosto muito, aliás) que dizia que não podemos ter tudo ao mesmo tempo. Se eu quiser me tornar Pós-Doutora aos 30 anos, o filho tem que esperar. Se eu quiser viajar demais e conhecer o mundo inteiro até os 40, o filho tem que esperar. Os planos devem se adequar sempre. Não se pode ter tudo. Mas, penso que não se pode ter tudo agora. Um dia há de se poder. Minha mãe tem 60 anos e dança, namora, vai ao cinema com o namorado todo final de semana. A vida social dela é mais agitada do que a minha! Sério. Ela colocou alguns sonhos numa caixinha enquanto crescíamos. Mas, quando terminamos de crescer, meu irmão casou, eu saí de casa, ela pegou a caixinha empoeirada e deu vida nova aos sonhos de outrora. Sim, isso é possível.
O fato é que não controlamos nada nessa vida. Alias, nós tomamos um pouco de vida emprestada e essa será devolvida em algum momento, em algum dia, é sempre assim. Depois de pensar muito sobre o tal questionamento, resolvi que vou deixar por conta de Deus. Eu acredito no Deus do amor, sim, acredito e tenho fé. Acredito que o destino está escrito e, cedo ou tarde, a vida nos coloca na berlinda. Vou parar de tentar controlar. Seguir com a minha vida e esperar o que a vida tem pra me dar. Eu quero ser mãe, disso eu sei. Agora quando... Será quando tiver que ser.
Você mesma já respondeu aos seus questionamentos: será quando tiver que ser. Isso demonstra maturidade. O desejo pela maternidade, que vc nem cogitava antes, surgiu agora por vc estar vivendo um amor, com estabilidade e felicidade. Viva, sinta, vá em frente!
ResponderExcluirAh, e só uma coisa, sobre sua dúvida "temo ainda não estar pronta". Nós NUNCA estaremos prontas. Sabe por que? Porque não passamos por isso ainda. Não sabemos como é na real, na prática, apenas por relatos de outras pessoas. A gente só vai aprender fazendo, no dia a dia mesmo. Mesmo que a gente converse com mil pessoas, leia mil livros... só quando o bebezinho chega é que vamos realmente aprender a ser mães. E esse aprendizado virá todos os dias, todos os minutos.