quinta-feira, 26 de julho de 2012

Grudento


Sentei para escrever. De novo.

E de novo as palavras estão sem jeito, sem pose, sem tom. Eu não consigo encontrar o tom ou será que o tom mudou e eu não acompanhei? Há dias que as palavras andam assim: gelatinosas. Eu tive um professor da faculdade que riu dessa minha metáfora numa aula de poesia. Mas, ele riu assim como quem entende o que eu digo. Quando a gente tem filho, se aproxima dos 30, sente saudades dos que já foram e pensa demais na vida, a gente entende bem o que são as palavras gelatinosas. Essas que escorregam direto pra dentro da barriga, sem mastigação. Igual balas Soft, mas molengas. Mais molengas ainda do que aquelas balas de goma insuportavelmente ruins em formato de ursinho. Outro dia vi uma em formato de dentadura. Hein??

Posso dizer que o mundo está perdido sem parecer velha?

Eu gosto mais de bala de goma com açúcar em volta. Pra ficar mais gostoso de mastigar. Mas, eu gosto também de coisas mais duras, como o dia de hoje. Gosto de céu sem nuvem porque me sinto menos sufocada. E gosto de goiabada com queijo porque sou bem óbvia. E gosto de escrever sem tom porque nem sei mais quem eu sou e tudo bem também.

Larguei o blog por quase quatro meses e, no começo, senti que como se eu estivesse 'de mal' de mim. Virei as costas, fiz bico, chorei e bufei como aquela criança de 6 anos que eu já fui. Depois de alguns dias, senti como se eu estivesse magoada. Um rancor subiu por dentro e ficou preso nos dentes igual alface. Uma coisa grotesca e constrangedora. Sempre que alguém me perguntava do blog, eu sentia como se eu estivesse abrindo a boca bem grande com um monte de alface preso nos meus dentes. E assim foi. E assim mantive. E fui forte porque achei que precisava. Segurei. Deixei de escrever como fiz em alguns momentos da minha vida. E conversava comigo mesma em silêncio, escrevia textos mentalmente, mas jamais registrava. Era a fase da angústia. Eu me debatia por dentro, mas continuava dançando o mesmo ritmo por fora. E quando me perguntavam do blog eu já não me lembrava do motivo que me fez desistir dele. Parei. Respirei. Coloquei outra música para tocar.

Hoje sentei decidida a parar com essa história de falar sozinha de novo... Raios! Eu vivo fazendo isso! O que me afastou daqui foi a mesma coisa que me trouxe de volta - a ironia do compartilhamento de ideias. A obsessão por ler a mim mesma enquanto penso. A obsessão por me olhar no espelho por dentro.
O bom é que agora sei que, se você ficou é porque se importa.
Obrigada, viu?
Aceita uma bala de goma?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

ANSIEDADEs DE SEPARAÇÃO E A SABEDORIA INFANTIL

Heitor anda sentindo minha falta. Essa falta de ficar juntinho. Essa falta que eles sentem quando percebem, aos poucos, que vivem - de fato - fora de nós e que são seres independentes. No caso dele, o que tem acontecido é que ele - ao menos 2/3 vezes na semana - acorda de uma soneca berrando, chorando sentido, soluçando... que dó, que dó. Às vezes é na soneca da tarde, depois de uns 45 minutos, uma hora... Às vezes é no sono final, noturno mesmo... Sofro. Faço meu papel delicioso - sem ironia aqui - de mãe e conforto, o que amo fazer. Embalo, acalento, digo que sempre estarei por perto, prometo que ele não está sozinho e ele acalma. Vai pro berço acordado, mas se vira de lado e capota instantaneamente, como se nada fosse. Cabe dizer aqui que Heitor é um bebê completamente adaptado ao berço próprio, a dormir sozinho no quarto dele. Foi um processo natural, sem neuras ou birras. No dia 1 em casa, ele já foi pra lá - porque para nós era o que devia ser feito, era a nossa dinâmica familiar e assim sempre foi. Claro, somado ao fato dele realmente curtir ali, ficar numa boa e termos tidos apenas alguns momentos de turbulência nesses 9 meses e tanto. Caso ele não ficasse, buscaríamos outra alternativa, mas esse movimento foi realmente natural...
Não posso dizer que essa tal 'ansiedade' apareceu DO NADA... Desde o 5º/6º esse chororô rolava, bem esporadicamente... Pensávamos que poderia ser algum pesadelo, o que de fato pode ser também... E acalentávamos igualmente.
Nesses momentos eu digo a mim mesma que passa... Que vai passar... E calmo meu lindinho com o coração mega apertado. Mas... Eles tem que crescer e nosso papel é fazer a ponte de nós ao mundo, da nossa casa ao mundo deles, não é?
***
Eu ando sentindo falta de Heitor e de mim. Essa falta de ficar juntinho. Uma melancolia estranha que vem às vezes. Outro dia encontrei uma amiga e seu pequeno fofo numa livraria bacana que tem aqui na Avenida Paulista, SP. Deixei Heitor no berçário, estacionei o carro próximo ao metrô e entrei na estação. Como o trânsito matutino vespertino e noturno aqui é de morrer, o melhor a se fazer é ir até a Paulista de metrô mesmo, deixando o carro perto da escola para um retorno mais tranquilo após o almoço... E assim foi. A caminho de lá, com meus companheiros Iphone+fone de ouvido+The Beatles, senti um nó na garganta, vontade de chorar. Desci na estação Consolação - olha a ironia - toda nova, toda diferente, e me senti perdida ali. Tanta gente... Tanta informação... Tanta coisa para absorver depois de tanto tempo em casa, fechada, vivendo uma vida e me esquecendo de todas as outras... Tocava Hey, Jude e eu parei, encostei numa parede da estação, e quase sucumbi. Foi forte. Senti saudades do pequeno, percebi que ainda não tinha me dado a chance de sofrer completamente por essa mudança... Esse crescimento dele... Esse crescimento meu. Como diz Paul, é melhor deixar (a dor) passar por dentro da pele da gente, sentir, para poder melhorar. Assim, continuei caminhando e coloquei a música novamente... Chorei atravessando a rua, chorei passando por prédios que antes eram tão familiares para mim! Chorei passando em frente à banca de jornais onde eu comprava maços de cigarro em tempos de faculdade... Começou Let it Be e eu me sentei um pouco para ver o mundo passar. Que coisa doida esse troço de ser mãe...  
Nesses momentos eu digo a mim mesma que passa... Que vai passar... E tento me acalmar sozinha, com o coração mega apertado. Mas... Eles tem que crescer e nosso papel é fazer a ponte de nós ao mundo, da nossa casa ao mundo deles, não é?
(selecionando os links dos videos, eu me pus a chorar de novo. Eita, que essas músicas me pegam de jeito, viu?)
***
Depois que dou banho no Heitor, eu o enrolo na toalha fofinha e o pego no colo como se o fosse ninar. Ele, outro dia, reparou no teto e no reflexo das ondas de água na banheira... Sabem aquele reflexo clarinho, fios luminosos no teto misturados com a luz do banheiro? Então. Ele adora ver isso e fica quietinho um tempo só olhando. Eu, desejando agradar meu rebento, bati a mão na água da banheira para que mais e mais onda de luz se formassem... Erro meu... No momento da turbulência da água, nenhum reflexo se forma. É preciso que as ondas se acalmem um pouco para que possamos ver os tais reflexos que encantam meu filho. E ele me ensinou mais essa... É preciso esperar a calmaria para ver as coisas com um pouco mais de clareza.
***
E como faz tempo que não aparecemos por aqui.... Taí:
Sorriso mais lindo do mundo, universo e tudo mais

O que eu vou fazer agora, hein?

Muito amor

Hello, people

Manhê, o pão 'comeu eu'

sexta-feira, 23 de março de 2012

ELA

Era uma vez, a moça que acreditava ser uma só.
E, como uma, ela fez para si uma história infantil, bobinha até.
E, como uma, ela errou por muitas.
E ela seguiu. Andou pra frente e abriu dois olhos na nuca.

O tempo passou e ela percebeu que era, na verdade, muitas
Mas essas muitas nem tinham nome! Ela reclamava
E se perdia em muitas e nunca se encontrava, porque ela queria nomes.
Mas, como muitas, a moça até acertou por si mesma algumas vezes.
E ela seguiu. Andou pra frente e abriu dois olhos na nuca.

Passou mais tempo ainda.
E ela, cada vez mais aprendiz da vida, soube que era, então, muitas dentro de uma!
Ah! Essa embalagem sagaz.
Ah! Esse envólucro estúpido e dissimulado.
Frágil feito casca de ovo!
Ela estava começando a ver tudo com outros olhos, mil olhos dentro e fora de si.
Fechou os olhos abertos na nuca.
Abriu os olhos que Deus desenhou e seguiu.

O mundo está aqui para ser visto e revisto.
Veja.
Reveja.
Sinta.

Ass.: A mulher, cunhada, irmã, filha, mãe, esposa, amiga e etc que anda vivendo mais pra fora do que pra dentro.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Da série: Não sai da cabeça... Parte I

Já que ando impossibilitada de escrever... de aprofundar.
Deixo a música da vez, essa que não sai da minha cabeça. Fofa. Profunda. E linda.
Thanks, Chico. You are the man, como diria Obama.

E nasceu o amor






  Valsinha
Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1970


Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
1970 © Marola Edições Musicais, Vinicius de Moraes
Todos os direitos reservados. Copyrig
Internacional Assegurado. Impresso no Brasil



segunda-feira, 5 de março de 2012

E OS VENTOS TROUXERAM... BOAS VIBRAÇÕES!!!

Vim aqui AGRADECER o apoio.
E contar que tudo correu NA MAIS PERFEITA PAZ.
Heitor se comportou lindamente. Amou. Dormiu. Acordou e eu tinha ido tomar um café na esquina. Ele brincou horrores com uma moça que ele nunca viu na vida e, quando cheguei, ele me abriu um sorrisão. O café, na verdade, foi um suco de maracujá sem açúcar... 'Tomei-lo-o' com o celular na mão, apertando forte, com medo de não perceber quando ele tocasse... Tocou e a coordenadora me informa "Heitor acordou e está aqui numa boa..." Eu corri rua acima morrendo de saudades do meu filho depois de 20 minutos longe. O período inicial de adaptação que duraria 1 hora, durou 2. Só fomos embora porque nesse primeiro dia eu fui despreprada - não embalei o almoço pra viagem. Amanhã iremos com o almoço na manga. Chegamos em casa e ele almoçou estressadinho por conta dos dentes e das mil novidades. Estava excitadíssimo o pequeno. Lindinho. Dormiu a tarde normalmente. Dormiu até mais uma soneca (enquanto escrevo aqui). Delício amou brincar num cantinho diferente... E a mãe está aprendendo... Um passo por vez... Vinte minutos por dia.

VALEUUU

domingo, 4 de março de 2012

EXPLODI

E então que eu nem tratei desse assunto aqui porque, sei lá, não queria ainda, não estava pronta ainda, todos os outros montes de 'aindas' que vocês conhecem... Mas, o fato é que hoje eu explodi. De vez. Sem nem conseguir juntar os pedacinhos...
Heitor vai pro berçário.
Heitor começa a adaptação AMANHÃ.
O fato é que eu preciso me reorganizar para voltar a trabalhar e ganhar um dinheiro... Sabe esse negócio em notas que salva a vida da gente no final do mês e depois dá tchauzinho quando um novo mês começa? Então. Esse. Precisamos. Marido, eu e Heitor fofo. Eu sei que havia me planejado para ficar com ele em casa até ele completar 2 aninhos... E eu sei que não consegui cumprir esse planejamento. Só eu sei os motivos. Só eu sei como meu coração aperta, porque no fundo... Eu estou cansada tbm... Quero ir ao banheiro sozinha pela manhã, quero tomar café sentada. Quero estudar, quero trabalhar, quero andar na rua... sozinha. Um pouco só. Só um pouquinho sozinha.
E meu coração aperta...
Não é de calor, não.
Nem tanto de culpa.
Tá. 30% é culpa. 70% é ansiedade.
Não. 70% culpa, 10% melancolia e 20% ansiedade.
Não. Puta merda. É 100% maternidade. 100% amor e trocentos-milhares-de-milhões-porcento de um medo dusinfa.
Estou com medo... Culpada... Chorosa... Mas, sei que será ótimo. O berçário foi escolhido com cuidado... Ele já se mostrou mais do que disposto a interagir ali, curtir e brincar. Ele está bem! E eu vou ficar também, né?
Não vamos?
Não vamos ficar bem?
HEIN??

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Quando as palavras faladas fazem as malas e se vão
E quando as palavras escritas escorrem do papel e também se vão
E quando os sentimentos indescritíveis ficam mais tempo do que deveriam
O mundo parece ainda maior do que cada folha verdinha que o vento derruba no chão
(Versinho meu)

Posts longos não saem.
Posts imaginários, milhares.

Se me falta as palavras,
Vou então com pensamentos.
Se eles assim o falham,
Sigo sentindo o momento.
Se ainda sim o momento não tiver,
Não terei meu contentamento.
A mente já é errônea,
E a vida um contratempo.


Como vão os corações seguidores?? Beijos e luz! Muitas luz.