sábado, 20 de agosto de 2011

Pilares da Felicidade Materna

Estava lendo uma matéria/entrevista no site da Crescer que me chamou a atenção. Achei, de fato, interessante, porém acredito que se possa transpor para toda e qualquer classificação de papéis, e não apenas as 'mães'. Muito se teoriza sobre mães hoje. Muito se fala sobre maternagem e empoderamento. Muito se trata as mães como uma categoria em si mesma que, seguindo a ordem do mundo moderno, mudou - para alguns, para pior, a dinâmica familiar atual. Para outros, a coisa rola como tem que ser. Para mim, não tem como determinar isso. Cada vida é única, cada dinâmica é única também. Não quero aqui polemizar e falar sobre feminismo ou absurdos dos tempos de hoje, não. Queria apenas compartilhar a entrevista que me fez bem, me fez refletir sobre minha vida hoje, o redemoinho em que vivo HOJE e pensar, ainda mais, sobre o futuro e a felicidade da minha família.
A curta entrevista foi feita com a americana Meg Meeker, pediatra a 25 anos, autora do livro The Ten Habits of Happy Mothers: Reclaiming Our Passion, Purpose and Sanity (Os Dez Hábitos das Mães Felizes: Recuperando Nossa Paixão, Propósito e Sanidade, em tradução livre). Deixo a entrevista para quem quiser ler la no site. Quero comentar apenas alguns tópicos, ou melhor, os chamados por ela 'pilares' da felicidade materna. Achei interessante (copiei na íntegra):

1 - Entender seu valor como mãe – Quantas vezes você já não colocou à prova o seu valor? Se é boa, ruim, fabulosa, se fica pouco com as crianças ou se é desvalorizada porque fica em casa... “Você não é um fracasso. Mas se sente assim. E estou confiante no que digo porque, como pediatra, meu trabalho é ver você e manter seus filhos saudáveis. E quando eu observo, eu vejo crianças que amam a sua mãe. Eu vejo como os seus filhos olham para você, seguram sua mão. E eu vejo você semelhante à forma como eles a veem – como uma mulher importante, amada e estimada”, diz Meg.

2 - Conservar suas amizades-chave - Quantas vezes você conseguiu bater um papinho com sua melhor amiga depois que seu filho nasceu? “A verdade é que, quando alguma coisa precisa ser cortada das nossas demandas diárias, amigos são os primeiros que vão. Algumas vezes, parece que a amizade é dispensável, desnecessária. (...) Amigos são uma necessidade.” No fundo, você sabe bem que tê-los ao seu lado é parte da sua felicidade. Mantenha-os por perto!

3 - Valorizar e praticar a fé - “Nós temos de colocar nossa fé em alguém porque somos incapazes de controlar a vida. Não podemos proteger as pessoas que amamos por simples vontade. Nos sentimos impotentes, porque somos.” Para a autora, cuidar da nossa vida espiritual (que sempre fica perdida em meio às tarefas do dia a dia) nos torna mais saudáveis. E ela deve ser praticada também por meio do olhar ao próximo.

4 - Dizer não à competição - “Cada uma de nós, mães, competimos com outras mães de alguma forma. (...) E muitas de nós nunca vão admitir que fazem isso. Competir com outras mães nos trazem três coisas: acende o ciúme, nos mantém em um estado constante de inquietação com nós mesmas e transforma nossos relacionamentos.” Lembre-se: você é a melhor mãe que seu filho pode ter. Mesmo!

5- Criar uma relação saudável com o dinheiro - Você bem sabe que dinheiro não é sinônimo de felicidade. Apesar disso, é difícil fugir do impulso de querer comprar o que pode para o seu filho? “A parte complicada de ser mãe é que dar é bom e natural, mas nós esquecemos de dar o que realmente importa para os nossos filhos (o nosso tempo, atenção e afeto), e gastamos energia pagando coisas para eles. (...) Se acreditarmos que o dinheiro é parte da vida, mas não a força motriz que nos torna felizes ou infelizes, se nós tomarmos medidas ousadas, veremos que o contentamento verdadeiro nunca tem um preço."

6 - Arrumar tempo para a solidão - Um momento só seu. Você precisa disso, não é egoísmo. Então, se dê um tempo e... nada de culpa! “A verdade é: nós precisamos de solidão. Da mesma maneira que não podemos sobreviver sem amigos, comunidade e família, também precisamos de um tempo saudável de equilíbrio para nos recarregarmos fisicamente, mentalmente, emocionalmente e espiritualmente.

7 - Dar e receber amor de forma saudável - Como ficou o seu relacionamento com o seu companheiro após o nascimento do seu filho? E a sua tolerância com ele no dia a dia? “Se estamos constantemente criticando nosso companheiro ou nossos filhos, criamos barreiras para nós mesmas. Reclamações não levam a nenhum lugar bom. Ao contrário, joga a relação para baixo. (...) As mães podem ser muito mais felizes se aprenderem a ignorar falhas de caráter, atitudes mal-humoradas, birras e focar na bondade de quem amam. Isso não significa que somos cegas. Mas que estamos dispostas a ver as falhas e fragilidades dos nossos entes queridos, mas apreciá-los e amá-los de qualquer maneira.”

8 - Encontrar formas simples de viver – E aqui se fala, em especial, na simplicidade interior! Entender que você não precisa dar conta de tudo, nem se pressionar a acertar sempre. “Viver simples significa viver mais. Isso não quer dizer abrir mão de coisas em nossas vidas que queremos e nos tornarmos mulheres com foco singular. Significa estabelecer prioridades”, diz Meg. É dar o valor real a que cada coisa merece.

9 - Deixar o medo de lado - É difícil, claro! Afinal, não queremos que nada de mal aconteça com nossos filhos. “Nós estamos nos preocupando mais do que no passado, e o mais importante, essa preocupação está nos esmagando. (...) Muitas neuroses são genuínas e baseadas em fatos, mas alguns de nossos medos não são bem fundados. Eu vejo muitas mães preocupadas com o sucesso de seus filhos quando eles já são bem-sucedidos. Elas se preocupam se eles estão magros, quando já estão. (...) A vida é muito curta. Temos muita vida para viver, apesar de todas as coisas ruins ao redor. Há muito mais coisas boas do que más e muito menos para se preocupar do que pensamos."

10 - Esperança é uma decisão. Decida! “A vida não pode ser sustentada sem esperança. A esperança demanda que acreditemos em duas coisas: no futuro – mesmo que ele seja breve – e na possibilidade de bons acontecimentos. Quando temos esperança, temos a convicção de que nossa vida vai ficar melhor do que é hoje. Melhoria, alegria, cura ou algo maior vão acontecer em breve”, diz Meg. E, quando temos filhos, é essa confiança em mundo melhor que devemos ter, não é mesmo?

***
Eu simplesmente adorei cada palavra! A mim serviu de inspiração e certamente buscarei o livro para comprar. O primeiro pilar, para mim, foi o mais importante... Quantas vezes me achei uma 'merda de mãe' essa semana... Perdi a conta! Vamos sacudir a cachola e jogar as minhocas fora??

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

as mais faladas

Em frases, exemplos de como a vida rola enquanto cuidamos de um pequenino de quase 2 meses de vida:

Antes: "Amorzinho, vamos sair hoje pra comemorar o nosso primeiro beijo?"
Depois: "(nome), a gente almoçou hoje? que dia é hoje? de que ano?"

Antes: "Querida, vamos ao motel?"
Depois: "(nome), vamos namorar rapidinho enquanto o fulaninho dorme, no meio de resmungos ouvidos através da babá eletrônica e paradas estratégicas para checar se ele nao regurgitou de novo?" - sexy.

Antes: "Amor, você mudou o corte de cabelo?"
Depois: "Amor (pra variar), dá tempo de tomar um banho e pentear os cabelos ou só tomar banho? ou só dormir? ou só comer? vou tomar banho e dormir sem comer e sem pentear os cabelos mesmo" - sexy²

Antes: "Querido, enquanto você lava a louça (e mostra pro mundo como você é um homem moderno e participativo), eu recolho a roupa pra colocar na máquina. Depois, vamos felizes e saltitantes almoçar fora nesse ensolarado domingo de verão, combinado?" - lararara
Depois: "(nome), você já lavou as mamadeiras? faz isso aí enquanto eu limpo o cocô do fulaninho. Aliás, ele fez cocô hoje? Tá fazendo pouco cocô, não acha? Fico hiper aliviada quando ele faz um cocô volumoso. Ai, amor, vou fazer uma planilha dos cocôs. Lava aí as mamadeiras enquanto isso" - sexy³

***
To be continued

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

nada não

Faz um tempão que não pinto por aqui, né? Tenho coisas a escrever, mas cadê o tempo? Heitor está bem, crescendo fortão, GAD. Tudo parece que começa a entrar nos eixos... espero. Passei aqui para dizer que aquele momento que eu achei que nunca iria chegar, chegou: senti falta da minha barrigola de grávida hoje. Saudade mesmo. Forte. Saudade, principalmente, dos movimentos fortes do Heitor das últimas semanas. Vê-lo do lado de fora é indescritível, mas sentir ele por dentro... não tem preço que pague! Eu sempre falei aos quatro cantos que o processo todo da gravidez me irritava, que eu queria mesmo era o produto e tals... Bem... como a gente vive pra se contradizer mesmo, aqui estou eu dizendo novamente, de boca cheia: saudadona de quando eu era dona do meu corpo e do corpo do meu filho. Perdi o controle. Quer dizer, eu nunca o tive de fato, mas a ilusão era essa.
Perdi.
E hoje, vendo uma fraldinha RN do Heitor do dia em que ele chegou em casa e comparando com a fralda P atual, eu admito - sim, ele está crescendo. E rápido. Rápido demais.

p.s. Talvez seja por isso que, em uma das minhas sonecas raras do dia, eu tenha sonhado com o fim do mundo, toda temerosa de perdê-lo de vez... Sonhei que a gente morria e eu, que sempre tive medo da morte, hoje tenho ainda mais (se é que isso é possível). não porque não tenho crença, pois tenho (e forte), mas porque não quero me separar do meu coisinho, não. não quero que ele viva nem um segundo sem mim. Pode ser?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Keep it simple. Keep it real.

O inglês tem certas expressões difíceis de serem traduzidas... É como o 'take it easy' frequentemente traduzido como 'vá com calma'. Tá bom que é uma excelente aproximação, mas não chega nem perto de descrever esse tal de 'easy'. A palavra já é malemolente por natureza, né? Parece que passou manteiga nela. Assim é com muitas outras palavras e expressões que eu adoro, tais como essas do título. Eu poderia dizer para vocês que se trata de uma gíria bem mequetrefe dazantiga. Sim, poderia. Mas, poderia dizer também que se trata de expressões que, para mim, descrevem bem a maternidade como deveria ser, ao menos para mim. É o famoso 'não procure pêlo em ovo' ou 'não complique' ou 'veja as coisas como são' ou 'tudo isso aí'. 
Tá, e daí?
Daí que me dei conta que o melhor que eu faço nessa vida é viver a maternidade como ela é e sem complicar demais. Sem pensar na minha confusão psicológica, sem racionalizar demais. Aliás, sem 'racionar' sentimentos também. Às vezes, a gente se perde tentando dar nome aos bois e os bois nem são bois, né? São vacas. Às vezes também, a gente se perde tentando criar conceitos e explicações e, na real, nem existe essa coisa besta na maternidade. Essa coisa de dar nome e explicações.
É o lance de 'ser feliz com as coisas simples da vida' ou 'ver Deus nos detalhes' ou 'deixar-se levar pelo sentimento' ou 'deixar-se sentir o amor e ser amado' ou 'tudo isso aí'. 
É.
Renata, não complica. Pára e vive.

sábado, 6 de agosto de 2011

Heitor Pan (ou o mito da criança eterna... será?)

Enquanto Heitor dorme seu soninho abençoado durante a tarde (ufa!), eu o observo silenciosamente ao lado do berço. Ele cresceu já um tanto, engordou outro tantão e segue se desenvolvendo lindamente: cabecinha quase firme, mãozinhas mais ágeis, olhinhos mais fixos em objetos (e no rosto da mamãe e do papai), adora o móbile do seu quarto e 'conversa' um pouco mais em seu idioma próprio... Mesmo assim, mesmo eu vendo seu progresso lindo e perfeito, eu me pego pensando constantemente: será que ele vai crescer mesmo muito mais do que isso? No sentido de: esse perrengue inicial passa?? Eles crescem mesmo?? Saem de bebê para criança um dia?? 
Dá a impressão de que ele será assim para sempre. Estranho, né? Apesar de começar a curtir essa fase (em dados momentos, eu até me divirto!), pensar no 'amanhã' me conforta. Não que eu queira anular essa fase tão única, não é isso! Sei que é uma dádiva e agradeço cada dia que vejo nascer ao lado do meu filho, minha cria, meu anjinho... Mãss... Passa?? 
Quando vejo fotos ou videos de pequenos um pouco maiores, interagindo, falando, se expressando ou mesmo quando vejo meu sobrinho de dois anos super eloquente (e que dorme 10 horas por noite - abafa), eu me sinto mais feliz e esperançosa. Nos momentos de maior cansaço, pensar nas festinhas da escola num futuro do Heitor me conforta. Pensar em seus amiguinhos, seus primeiros passos e palavras, seu primeiro namorinho de colégio, sua primeira advertência da professora de matemática, seu casamento... Tudo isso me dá um gás animal para não pegar no sono enquanto fervo a água da mamadeira ou enquanto tomo meu banho rápido (sim, outro dia eu quase dormi messsmo tomando banho). 
***
Mães que leem esse blog, esse pensamento todo confuso é normal?
Pensar com otimismo no amanhã ajuda, né?
A cena que mais me conforta é imaginar Heitor correndo em minha direção e me abraçando bem apertado. Ele já faz isso com os olhinhos, com os dedinhos que apertam a minha mão... E eu curto esse momento.
Mãs...
Isso passa?? Isso aqui, essa bagunça, passa?
***

Não sei se já compartilhei isso aqui, mas vi esse vídeo um dia e guardei... Hoje, chorei um tantão revendo tudo.
(eu traduzi as frases, mas bem nas coxas, tá? repare, não)

Perguntamos a mães que, se elas pudessem voltar no tempo logo antes do seu primeiro filho, o que elas diriam a si mesmas?

Essas foram as respostas:

Voce é bonita
Conheça outras mães
Tudo bem ter medo
Milhoes de pais sobrevivem à falta de sono
Tudo bem querer dar um tempo
Sua mae tinha razão
Voce sentirá falta da sua mae
Ela terá os seus olhos
Você cometerá erros
PERDOE-SE
Isso também vai passar
Ninguém sabe exatamente o que está fazendo
O Google não tem filhos
Você é a especialista
Homens de verdade trocam fraldas
Você está prestes a saber o que é amor verdadeiro
Tenha paciencia de se apaixonar por seu bebê, a seu tempo
Tire tempo para si mesma
Tire tempo para entrar em forma e naqueles jeans novamente
Deixe a vovó mima-los
Ele vai ficar doente e vc ficará acordada a noite toda vendo-o respirar
Seja corajosa
Durma agora
Imperfeito é o novo 'perfeito'
Respire fundo.
Confie nos seus instintos


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Exercício de paciência

Sim.
Estou me tornando uma pessoa mais tolerante e paciente... cada vez mais... um pouquinho mais a cada dia...
Vou contar o causo aqui de casa e vocês vão compreender o que digo.
***
Somos pais de primeira viagem e, como tais, muitas vezes nos vemos perdidos no meio do olho do furacão sem luz no fim do túnel para seguir. Bom, fato, quase todas as vezes... Acontece que eu estava começando a encarar a coisa como "eu que sei, eu que faço" e, consequentemente, tirando um pouco do espaço do meu marido, homem bom, participativo mesmo. Sujeito educado. Gente fina. 
Vejam bem...
Nos últimos tempos, eu disse sei lá quantos "nao é assim", trocentos "melhor eu fazer" e milhares "deixa quieto"... Ouvi de volta um sonoro "pô, deixa eu ser pai, também!".
Ui.
Deixo.
Tenho que deixar, claro! Eu estava indo pelo caminho errado...
***
Acontece que é duro, sim, para minha natureza mandona e crítica, deixar quieto sem me meter nunquinha. Mãs... Eu estava deixando o sujeito acanhado, como eu não deveria e não teria o menor direito, não é mesmo! Minhas dicas:
- Deixe ele fazer. A criança aprende que mãe tem um jeito e pai tem outro e fim. O cara não vai matar a criança de fome e nem de frio e nem de tanto chorar. Se o pequenino chora e você acha que sabe o motivo (eu nunca tenho certeza), deixe ele (o pai) tentar exercitar esse lado e buscar alternativas para solucionar o problema junto com você! A palavra aí é 'junto'. Muitas vezes eu lascava um "é fome, certeza" e ele me olhava com olhos perdidos, iguais aos meus, e eu fingia superioridade de mãe que nem tenho... Entenderam? Cada dinâmica é uma, mas humildemente, assumo meu erro. Não posso impedir que ele faça uma vez que eu mesma nem sei direito como fazer a maioria das coisas! Que hipocrisia a minha... 
- Elogie! O pai precisa sentir que pode. Pode fazer o pequeno dormir. Pode ajudar na alimentação (se possível, claro), pode fazer a diferença. Ele não é um mero "buscador de fraldas, roupas ou esterilizador de mamadeiras". Não é empregado da mãe e da criança. Faz parte daquilo tudo. É tudo um complexo familiar único, entendem? Eu estava indo por esse caminho sem perceber...
***
Outro dia eu estava tomando café e marido prontamente se ofereceu para ficar com o pequeno, que estava acordadão querendo ver o mundo a sua volta. Lá pras tantas, eu ouvi Heitor reclamar e deixei. Fechei meus olhos e deixei o papai resolver. Ele, aliás, o fez lindamente e eu realmente não precisava 'ensinar' nada, pelamor... Amor não se ensina, né?
Não é fácil porque a gente sempre acha que o nosso jeito é melhor, porque funciona melhor e é o mais certo para o pequeno. Não estou falando que não deve haver conversa e compartilhamento! Claro que sim. Estou contando apenas uma falha minha aqui em casa e um modo que eu achei de pegar leve com meu marido, com nosso casamento e com nosso filho. 

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Em tempo: OBRIGADA MIL VEZES pelo apoio nos comentários ao último post! Como me fez bem, como foi bom ter o apoio de vocês!!! Estou em dívida com a maioria dos blogs que sigo (aliás, até ganhei novos seguidores que eu prometo linkar logo logo!!), desculpem. Prometo tirar o atraso e voltar a comentar com mais regularidade :))))

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sábado, 30 de julho de 2011

O post mais difícil desde o início do blog

...ou... confissão sobre a construção do meu amor materno.
...ou... inseguranças e dores pós-parto.
...ou... momento 'desabafo' sem espaço para julgamentos.
...ou... post longo pra cacete.
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Vamos lá. Eu pensei e pensei demais antes de escrever esse post. Aliás, eu o escrevi mentalmente diversas vezes, organizei vários rascunhos, tive dúvidas sobre publicar tudo isso aqui ou simplesmente deixar passar, e finalmente decidi publicar. Por quê? Porque é importante para mim, para que eu possa fazer as pases com algumas escolhas nessa minha curta jornada pela maternidade. Para que eu possa fazer as pases comigo mesma e seguir em frente. Preciso. Preciso escrever e ler e acreditar que fiz o melhor que pude desde o dia zero até hoje e que meu filho, sendo meu anjinho precioso, merece esse melhor de mim.
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Heitor nasceu antes do previsto e tudo foi bem corrido. Nada organizado. Bem a minha cara. Típico. Minha vida condiz com essa classe de acontecimento e com meu filho não poderia ser diferente. Mas, eu me frustrei. Essa foi a primeira frustração da minha breve atuação como mãe e posso dizer que foi quando fui pro inferno a primeira vez, como diria Renato Russo. Foi a primeira ruptura entre o que eu havia idealizado e o que havia, de fato, ocorrido. Eu nunca fui obcecada por Parto Normal. Nunca fui obcecada por Cesariana. Nunca fui extremista. Acreditava no meu médico e ele acreditava em nós, de modo que eu desejava apenas que Heitor estivesse pronto para nascer, ou seja, queria entrar em trabalho de parto. Meu filhinho estaria pronto, e então veríamos como proceder. Não rolou. Esse 'primeiro inferno' foi o pensamento de que meu filho seria retirado do seu cantinho antes do tempo, assim, na marra, sem preparo para ele e nem para mim. Morri ali, às 15:19hrs do dia 24/06, quando ele nasceu. Eu chorei quando ele veio ao mundo e o beijei com carinho, mas não senti amor. Talvez pela anestesia, talvez pela ansiedade e medo de que algo desse errado. Chorei de alívio e ele estava entre nós finalmente.
As horas seguintes foram turbulentas. Tive conflitos com a minha mãe, que deu conselhos e fez comentários que corroboraram para as escolhas que fiz a seguir também. Tive conflitos comigo mesma. Chorei demais. Sofri. Estava anestesiada na alma também. Enquanto meu filho foi levado para longe para que exames fossem realizados e aquela coisa toda, eu não senti sua falta. Não o desejei. Não pensava nele. Não pensava nem em mim. Talvez quem esteja lendo, chegue nessa parte e diga 'certeza que ela sentiu tudo isso - ou não sentiu - por causa da cesariana'. Não. Não acho. O parto foi ok, tudo lindo. Não achei a pior coisa do mundo, não achei desumano demais como li por aí e nem feriu meus sentimentos de mãe o fato específico de ter feito uma cirurgia para que meu filho pudesse nascer. A frustração foi a idéia dele não estar preparado e sofrer além do necessário, porque a ruptura ao nascer é 'de praxe' mesmo, eles tem de passar por isso. 
E ele passou com louvor.
Nasceu lindo, perfeito e grande. Apesar da prematuridade (36 semanas e 4 dias), não ficou em UTI, não teve desconforto respiratório, nada grave. 
Quando ele chegou até mim, no quarto, eu o peguei no colo e beijei-lhe a face vermelhinha, mas algo estava faltando ainda em meu coração. Eu não o amava ainda 'como deveria'. Como deveria? É. Eu comprei a idealização do amor instantâneo pós-parto e carreguei-a comigo sem nem me dar conta. O resultado foi uma mãe frustrada novamente, dessa vez por não corresponder a suas próprias expectativas sentimentais (eu havia esquecido que amor não tem padrão, cada um sente como deve sentir e pronto). 
Já disse antes que sou lenta para demonstrar sentimento. Isso se deve ao modo como fui criada e a minha personalidade mesmo, claro. Quando Heitor foi levado ao meu quarto, eu senti carinho por ele, não amor. Não desejei dar-lhe o peito. Não desejei vincular-me a ele com aquele fervor que algumas descrevem. Entramos aqui no 'segundo inferno' desse momento. O momento em que eu morri pela segunda vez - quando meu filho deixou de ser amamentado e passou a tomar LA na maternidade...
Eu não acreditava que teria como amamentá-lo. Por motivos pessoais, fiz uma cirurgia de redução de mamas dois anos e meio atrás e não achava que fosse possível oferecer-lhe nada. Todos acenavam concordando comigo no quarto. Eu, irritada, dizia a plenos pulmões que 'não acreditava que teria nada ali, que a cirurgia havia minado meu plano inicial de dar-lhe o peito', ouvi comentários que não ajudaram em nada e me fechei. Heitor, tendo nascido antes, não teve acesso ao meu 'mini-colostro', que veio a aparecer apenas 72 horas depois. Ali, ele ja havia tomado LA. Depois dessas 72 horas iniciais, ele foi diagnosticado com icterícia, ficando 24horas em banho de luz. O pequeno ficava ali, olhinhos tampados, e só saía para estimular meu peito ou tomar um leite... Como estimular algo que não existia? Como estressá-lo além do que ele já estava passando? (ele chorava bastante de ficar ali vendadinho e parava um pouco no meu colo. além disso, toda vez que eu tentava colocá-lo no peito, ele gritava e chegava a perder o ar. não fechava a boquinha. eu chorava. não sabia como forçar-lhe algo que eu não acreditava que teria.). Houve dois problemas aí: minha descrença e o estresse do Heitor. Meu medo dele ficar hipoglicêmico - o que podia ocorrer dado sua prematuridade - e os três dias já sem nada de estímulo mamário... Essas 72 horas anteriores foram de grande sofrimento para mim, mas também de certa desconexão minha com as necessidades básicas dele. Esse post está sendo difícil, o mais difícil, porque tenho que admitir que não o amava e não lhe desejei a ponto de dar-lhe o peito ali, naquele momento.
Pausa.
Analisemos a minha dificuldade pessoal de estabelecer laços e o pós-parto, já normalmente duro para algumas de nós. As lágrimas me rolavam a face e eu, triste e insegura, pensava apenas em como seria capaz de cuidar daquele pequeno que dependia tanto de mim. Eu estava feliz, não entendam mal. Eu tirava fotos, eu velava o soninho dele e beijava seu rostinho repetidamente. Mas... tentava organizar tudo na minha cabeça e no meu coração. 
Minha história de vida (bem resumidamente), além de ser pautada pela dificuldade de relacionamento com algumas pessoas da minha família, é pautada pelo fato de eu não ter nascido biologicamente da minha mae. De fato, sempre ouvi falar sobre o laço, o vínculo que se forma entre uma mãe e seu filho durante a gravidez e no nascimento (também na amamentação) e acreditava que esse era o motivo para o descompasso entre eu e a minha própria mãe, minha família... Pensava eu, ingenuamente, que esses seriam os únicos modos de estabelecer uma relação de amor fortalecida e que eu não havia tido acesso a nada disso... 
Mesmo que racionalmente eu seja capaz de compreender que o laço-de-sangue é bem relativo, emocionalmente...
Consequentemente... dar o peito ao Heitor traçaria nosso destino. Será? Traçaria nossa relação. Será? Ali, naquele momento, eu tinha certeza que sim. Isso, ao invés de me empurrar em sua direnção, me manteve longe... dispersa... com imenso medo de fazer errado, de prejudicar a 'construção do nosso amor'.
E a culpa?
Ah... a culpa. Após OITO dias apenas tive algo a oferecer ao meu filho que já não mais me desejava. Consultei médicos caros, fonos, bancos de leite, forcei meu filho à exaustão (minha e dele) a pega e nada... A opção seria a translactação. Ok. Não funcionou para mim. Tentei estimular com a bomba para dar-lhe, pelo menos, via mamadeira o que eu estivesse produzindo... Mas, com pouca ajuda em casa (conflitos e mais conflitos me fizeram escolher ficar sozinha com marido e buscar certa paz de espírito), eu não tinha tempo de estimular a cada 3 horas. Não queria. Estava com raiva do mundo. Tive uma infecção intestinal e, cada vez que Heitor solicitava ser alimentado, eu corria pro banheiro e marido corrida em sua direção... Cômico? Não... Triste. Chorei mais ainda e me julguei a pior, A PIOR MÃE DO MUNDO. A MAIS AVANÇADA NA ESCALA DE MONSTRUOSIDADE MATERNA. Como eu podia ter feito isso? Deveria ter deixado Heitor chorar um pouco, sem LA. Deveria ter estimulado eternamente no Hospital. Deveria, deveria, deveria. Não o fiz. Fiz as escolhas que pude naquele momento... Pensando no melhor para ele e, mais importante...
... no melhor que eu poderia oferecer naquele momento, mesmo sendo menos do que ele precisava...
***
O meu melhor.
Essa expressão me acompanha e eu tento viver a altura do meu pitoquinho.
Hoje, acredito que meu amor está maior, crescendo no compasso que tenho aqui no peito - pequenininho, lento, mas funcionando.
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Heitor segue firme e forte e estou, aos poucos, fazendo as pases com o seu nascimento, como tudo aconteceu, comigo mesma, com a minha ignorância e ingenuidade, com a minha indiferença inicial ao maior amor do mundo. Tudo isso só me faz concluir que amor é bem relativo e ninguém sente igual... Nem sei se posso dizer que concluo algo, estou ainda engatinhando com meu filho... e ele me ensina todos os dias que 'ser mãe' é 'ser eu mesma'. 
Eu acho que ele gosta do meu jeito e que a maior lição que posso, um dia, deixar para ele é essa: seja você mesmo e não se maltrate demais. Viver já é difícil sem pressão... Imagina com o peso do mundo inteiro nas costas!
Meu conselho é: Se tiver que carregar um peso grande - use uma mochilinha pra ajudar. ;)
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Mostrando todo meu charme, olhar de modelo